Homilia do Ministro Provincial na Primeira Profissão dos Noviços (03.01.2010)
Todo o tempo litúrgico do Natal nos recorda a grande Epifania, isto é, a salvadora manifestação de Deus ao mundo. Um Deus que sai de si mesmo, um Deus que se revela à humanidade inteira e a cada ser humano em particular na humildade, um Deus que, mais uma vez, se faz criatura na forma humana de uma criança.
Esta criança, nascida em Belém, passa atrair para si a inteira criação, a começar por Maria e José, passando pelos pastores, homens e mulheres de boa vontade, para atingir a humanidade inteira, hoje representada nos personagens dos três Reis Magos.
Em todas essas manifestações, o que é decisivo?
É decisivo o peregrinar humano ao longo de toda a história da salvação para este encontro com; é decisivo o sim de Maria e de José, é decisivo o cantar das criaturas celestes, é decisivo a caminhada dos três Reis Magos para, no encontro com o Menino de Belém, oferecer a ele o que de mais precioso possuíam: ouro, incenso e mirra. Não se trata de oferecimento de símbolos materiais, mas o oferecimento da nossa vida qual ouro precioso, o oferecimento da nossa inteira existência qual incenso, que se eleva e se transforma em sacrifício de agradável odor, o oferecimento da nossa história com a mirra das dores e labutas.
Sim, somos todos peregrinos em busca de Deus. E como peregrinos necessitamos de orientação, andamos em busca da estrela-guia que nos ajuda a superar as dificuldades da caminhada, a vencer as barreiras do medo, para, no ponto culminante da caminhada, encontrar a razão maior do nosso peregrinar: o amor de Deus, visível na fragilidade e humanidade do Menino de Belém.
Como é fundamental o sinal do céu! Como a estrela-guia é importante sinal que se move, que atrai e conduz para frente, que pode aparentemente ter seus momentos de ocaso, mas que volta continuamente a manifestar o rumo certo do itinerário da fé.
A Epifania de Deus na história é, sem dúvida, a manifestação da gratuidade divina em favor da humanidade inteira, mas também carrega consigo uma exigência fundamental: a aceitação do convite! Aceitar o convite para se colocar a caminho, significa aceitar o desafio para a transformação interior a partir do sinal visível: a “pobreza do menino, envolto em panos”. Já negar a negação do convite representa um perambular pela história, um perambular pela vida, com muito medo, qual Herodes, sem rumo, sem certeza.
Os Reis Magos, ao aceirem o convite para o encontro, tiveram oportunidade de contemplar tudo o que a alma, a mente e o coração humanos sonham: VER DEUS! Por isso, voltam por outro caminho: o novo caminho daquele que para nós tornou-se Caminho, Verdade e Vida.
Caríssimos irmãos e irmãs, particularmente vocês irmãos noviços prestes a professar pela primeira vez a Forma e a Vida da Ordem Franciscana, a Liturgia da Epifania tem muito a nos ensinar nesta celebração da Primeira Profissão Religiosa.
Bem no inicio do ano do Noviciado, talvez ainda meio entorpecidos pelo “novo” desta caminhada, cada um chegou a esta casa de formação, o Noviciado. Vieram por caminhos diferentes a esta pequena cidade de Rodeio, a esta colina santa. Exatamente como nos diz a primeira leitura: “Levanta os olhos ao redor e vê: todos se reuniram e vieram a ti”.
Ao chegarem ao Noviciado, iniciaram uma caminhada que para vocês representava um ato de fé e de resposta ao impulso do Espírito Santo, com o desejo de “condividir a vida da Família Franciscana da Ordem dos Frades Menores”.
Nesta caminhada em busca do Senhor Jesus Cristo, caminhada pessoal e fraterna, caminhada própria daquele que se faz ‘noviço’ franciscano, vocês estavam cientes dos desafios próprios deste caminhar. Por isso cada um fez o seguinte pedido ao Ministro Provincial:
1º - O revestimento das vestes da provação: identificação comum a um único projeto
2º - A ajuda para poderem trilhar o caminho da penitência: não podemos ser auto-suficientes como Herodes, mas necessitamos de medições que apontassem continuamente para a estrela (uma fraternidade permanente, uma comunidade eclesial, etc).
Este caminho penitencial, que naturalmente leva ao Mistério de Belém, teve ao longo do ano do Noviciado suas exigências específicas, como:
• Viver segundo a forma do Santo Evangelho;
• Seguir a humildade de Nosso Senhor Jesus Cristo;
• Possuir sempre o Espírito do Senhor;
• Rezar sempre a Deu com o coração puro;
• Crescer no espírito do Amor fraterno.
Pois bem! Hoje, o caminho proposto no início do Noviciado chega ao seu ponto culminante, que não significa período de férias, fim de uma etapa, etc...
Ponto culminante significa viver em profundidade aquilo que foi o cotidiano do Noviciado, ou seja, cada um de vocês, a partir de um chamado, auxiliado por estrelas-guias, encontram-se diante do Menino-Deus para o oferecimento não de ouro, incenso e mirra, mas o oferecimento de si mesmos, mediante um generoso voto feito a Deus, como ato deliberado e livre.
Neste oferecimento, nesta consagração do dom-de-si mesmo, em vez do ouro, vocês oferecem a pobreza; em vez do incenso, oferecem a obediência; em vez da mirra, oferecem a castidade.
E assim, vocês também são desfiados a voltar por outro caminho, como Francisco de Assis. Não mais o caminho que os trouxe ao Noviciado, mas pelo caminho que os remete como ao mundo Frades Menores para, como recitamos no Salmo responsorial: “Libertar o indigente que suplica, e ao pobre que ninguém que ajudar”.