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Com 65 participantes, teve início nesta segunda-feira (25/10), festa de Santo Antônio de Sant´Ana Galvão, o Retiro Provincial da Província Franciscana da Imaculada Conceição.
Frei Vitório Mazzuco Filho, reitor do Covento e Santuário Santo Antônio (RJ), iniciou o encontro às 20 horas, apresentando metodologia, espaços, textos e temática.
Acompanhe a reflexão inicial de Frei Vitório.
Somos mendicantes de sentidos
Agradeço em nome da Província a adesão a este momento, tempo forte de nossa Formação Permanente. É a exigência de um caminho contínuo de Formação. O Franciscanismo, com sua proposta, não é uma doutrina, mas um caminho que tem que ser percorrido.
O conteúdo deste Retiro faz uma integração entre a dimensão pessoal e comunitária. O novo documento da Formação Permanente, que será o Texto Base das reflexões, considera muito o indivíduo, o primado da pessoa, considera a fraternidade e o mundo.
>> O núcleo da Formação é viver até o fim a existência com todos os seus dons, as suas crises, os seus conflitos: mediante tudo isso, Deus mesmo vem ao nosso encontro e nos põe em situação de transformação e de crescimento pessoal. É no interior deste momento histórico que assumimos, com renovada paixão, a urgência de uma Formação Integral capaz de acompanhar, no discernimento pessoal e comunitário do tempo que vivemos à luz da Palavra de Deus, acolhida na comunidade da Igreja e conjugada com os sinais dos tempos.
>> Uma pedagogia que não consista tanto em introduzir algo de exterior no interior da vida das pessoas, mas sim em ajudá-las a dar à luz a sua intimidade mais radical habitada por Deus.
>> O Frade Menor reconhece que, para si, a vocação à santidade se realiza no chamado para viver o Evangelho segundo a inspiração de São Francisco. A Formação Permanente é o processo orgânico, gradual e coerente de transformação em nível pessoal e fraterno, para crescer na resposta fiel e criativa ao dom da vocação.
>> A Formação tende a educar responsavelmente à liberdade, mediante um itinerário dinâmico que compreende todas as dimensões da pessoa e da vida cotidiana, acompanhando o Frade Menor no tornar-se responsável por assumir e interiorizar todos os valores da vida franciscana e capaz de autonomia e iniciativa pessoal.
>> A pedagogia franciscana quer favorecer a progressiva integração entre a exigência evangélica de radicalidade e o respeito pela liberdade e originalidade pessoais.
Tema do Retiro: Reconstruir a Casa! - “Sois chamados à liberdade”
>> Vamos viver este Retiro como experiência de Formação Permanente: um processo vital que toca cada um, no seu aspecto pessoal mais positivo.
>> Por que Reconstruir a Casa? É a fervorosa convocação original. O ponto de partida de Francisco. A escuta de uma inspiração. A fala do Senhor e as mãos calejadas em por em prática, pedra sobre pedra, a construção vigorosa do ideal.
>> Há um ethos, a moradia do ser, a identidade, a interioridade, o núcleo, o centro, a intimidade, a pessoalidade a ser reconstruída.
>> Há o óikos, a moradia do mundo, o circundante, o lugar onde estou, onde moro, o fraterno, o familiar, o eclesial, o social, o relacional a ser reconstruído.
>> Há o Dom, Domus (o Duomo, o artesenal trabalho de construir catedrais, espaço sagrado do simples e majestoso ao mesmo tempo) Dominus... O Senhor da Casa!
>> “Sois chamados à liberdade” Por que esta afirmação acompanha o novo Documento da Formação Permanente? Liberdade é o dom de existir. Exercer a liberdade de realizar-se naquilo que escolhi ser. Nascer-me! Dar à luz a si mesmo! Buscar a identidade única. Ser uma pessoa estável. Clara. Forte. O mais puro “Eu sou!” É o caráter da minha identidade. “Aqui estou!” O que eu vou fazendo de mim mesmo ao longo da minha vida? Qual a Forma de Vida que vai moldando-me no percurso da minha história?
>> Liberdade para optar por uma grande escolha, por um grande projeto de vida.
>> Liberdade de comprometer-se com valores. Descobrir o mundo de valores (coisas e causas) com os quais estou envolvido.
>> Liberdade para ser o que você escolheu ser! É a sua causa! Deixar claro o que eu quero fazer de mim, o que o Senhor da Casa quer de mim: “Senhor que queres que eu faça”!
>> Liberdade para assumir processos interiores que me transformam. Formação Permanente é Transformação Permanente. Ser Forma Nova. Ser o criador de si mesmo. Ser ou não ser! Na Formação a questão é: ter que ser! Sou o autor da minha história pessoal. O Educador da minha pessoalidade. Educere: o ser que surge de si mesmo; uma subjetividade forte. Sacar para fora a possibilidade de ser grande e inteiro num mundo de subjetividades fracas.
>> Liberdade é a orientação mais íntima do Desejo! Desejar isto! “É isto que eu quero! É isto que eu procuro! É isto que eu desejo!” Sem desejo não há liberdade. É aqui que reside a nossa batalha, o nosso combate espiritual, a nossa ascese e mística. As grandes opções libertadoras vem de grandes desejos.
>> A liberdade é sempre entrega. Eu me entrego para que as possibilidades me transformem. Deixar-me transformar pelo que me oferece a Vida Franciscana: ser um bom Frade Menor! Eu me comprometo em dar Forma de Vida. Eu me comprometo em escutar a fala do Senhor da Casa, o Evangelho, as Fontes, a Fé. Este é o processo livre do jeito franciscano de criar um cristianismo de sedução: fazer meus os desejos do Senhor!
>> Liberdade na Obediência: se escuto o Valor Maior, não tenho dificuldade em Obedecer. Eu não “tenho que” e nem “devo que”, mas eu “quero que!” Eu desejo que isto aconteça! Liberdade é fazer passar da cabeça ao coração.
>> São Francisco, algumas vezes pediu perdão por sentir-se pecador. Tinha receio de perder a identidade e a liberdade. Pecado é não deixar ser.
>> Tenho a liberdade de conviver. Francisco nos ensinou isto: mais importante que viver é conviver. Com os frades e com todos os seres; sobretudo com a Fraternidade, lugar de pessoas que escolheram o mesmo projeto que eu escolhi.
>> Tenho a liberdade de abraçar o modo franciscano de unir espiritualidade e afetividade: colocar Amor e Espírito em tudo o que sou e faço.
Metodologia, ou o jeito do caminho, que o Retiro propõe:
Repassar alguns lugares desta casa, nossa casa, lugar simbólico e fontal de nossas chegadas e partidas. Lugar da nossa relação com Deus, com os irmãos e com o mundo.
>> Na Carta à toda Ordem, nosso Pai Francisco pede que o nosso coração se abra diante do Senhor. Aliás, devemos ler sempre esta Carta levando alma, o corpo e o lugar juntos.
>> Precisamos sentir a força do lugar. Não podemos bloquear a energia relacional que impregna todos os ambientes. Temos que levar a alma e o corpo juntos. Na nossa terra de missão, em Angola, as crianças são levadas grudadas no colo e nas costas. Nós pensamos muito na alma, mas não levamos o corpo e o lugar junto com a alma. Na Carta aos Clérigos (Primeira Recensão) São Francisco diz: “Sabemos que não pode estar presente o corpo, se não for antes santificado pela palavra”. Levar o corpo presente no Corpo de Senhor.
>> A Casa favorece um Itinerário Espiritual. Dela que nós saímos para o mundo. Mais do que levar Deus é preciso descobri-Lo em todos os lugares
>> Na pasta teremos muitos textos para ajudar o caminho que vamos percorrer juntos neste Retiro. Uns textos mais elaborados, outros como um bloco de ideias. Eles querem ser uma ajuda para elucidar o tema. Alguns textos ajudam a dizer: “Eureka!”... outros o estômago pode revolver e faltar saliva na boca...mas vale muito o empenho pessoal para criar a reflexão que poderá ser, oportunamente, partilhada.
Diz o Documento da Formação Permanente: O objetivo é acompanhar o caminho contínuo de fidelidade criativa à vida segundo o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo, na Igreja e pelo mundo, possibilitando a “todos os irmãos (...), sob a inspiração do Espírito Santo”, o constante seguimento de “Cristo, segundo a Forma de Vida e a Regra de São Francisco”, na concreta situação de seu tempo.
>> É animar, nutrir e sustentar a fidelidade, tanto do indivíduo como da Fraternidade, à própria vocação em todas as dimensões da vida humana, cristã e franciscana, segundo o espírito da Ordem e sua missão, para construir o Reino de Deus em tempos e condições de contínuas mudanças”
>> Realismo e esperança teologal acompanham o crescimento do dom da vocação. |