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Por Frei Gustavo Medella
“Uma explosão de fótons, vindos de todas as direções”. Foi desta forma que o professor do Instituto Teológico Franciscano, Frei Antônio Moser, definiu a participação de Frei Almir Ribeiro Guimarães na reflexão inicial da Assembleia do Secretariado para a Formação e os Estudos. Com uma performance rica em gestos, mudanças na tonalidade de voz e inúmeros exemplos de situações do cotidiano, Frei Almir apresentou, segundo ele mesmo, um “emaranhado de ideias”, mantendo toda a plateia atenta durante uma hora e meia. “Eu não venho aqui apresentar receitas prontas, mas apenas algumas provocações”, ressaltou logo nas primeiras palavras.
Baseado em documentos e textos da Ordem Franciscana e da Igreja, e também em inspirações pessoais, o frade apresentou alguns dos aspectos principais que perpassam o tema da formação e também abriu espaço para diálogo e participação da assembleia.
Abaixo, uma espécie de compilação de alguns dos apontamentos apresentados por Frei Almir:
1. O processo da Formação depende, invariavelmente, da disponibilidade de coração e de espírito do formando e da experiência vibrante do formador. Este segundo deve ser uma chama acesa, vigorosa e forte, capaz de iluminar e irradiar seu brilho.
2. O formando não é uma coisa, não é um objeto. Ele é um mistério, e o formador (equipe formadora) é aquele que leva o formando para Deus, num itinerário progressivo, marcado pelo discernimento, pela interajuda, pela transformação e pelo desejo profundo de seguimento de Jesus Cristo. Se neste processo não existe uma amizade pessoal com Cristo, uma proximidade íntima, não adianta o mero cumprimento de regras externas. Estas são importantes, mas não representam o essencial.
3. A atuação de uma equipe formadora é de fundamental importância. E esta equipe não pode ser apenas pro forma, mas que seja, de fato, composta por irmãos que estejam empenhados no serviço formativo.
4. O contexto de imediatismo, individualismo e provisoriedade em que vivemos também nos provoca. Pode-se, facilmente, cair em um espírito de aburguesamento, mediocridade e consumismo. Precisamos estar preparados para que todos estes apelos não nos levem ao cansaço e ao desencantamento. Talvez seja esta uma razão da maioria das saídas.
5. Ao deixar a formação inicial, o jovem frade necessita ainda de um acompanhamento mais próximo nos primeiros anos de seu ministério. Promover este acompanhamento sem cair em uma espécie de paternalismo é um desafio que precisa ser levado em conta. Há também de se compreender que a ação pastoral não é um fuzuê de ativismo (sic), mas deve partir do pressuposto do mistério pascal e ir em busca de uma leitura pastoral da realidade.
6. Para que tenha a qualidade, a Vida Religiosa Franciscana precisa contar com alguns elementos, como a centralidade em Cristo, a entrega radical, a fraternidade, a itinerância, a minoridade e a pobreza.
7. Dentre os agentes e os meios da Formação, podemos acentuar primeiramente o lugar da própria pessoa. Ela deve apresentar um desejo firme de assumir a própria vocação, marcado pela busca de um profundo conhecimento de seu interior e pela busca da intimidade com Cristo, através de exercícios como o retiro e a leitura espiritual. Outra figura de destaque neste processo é o guardião, como animador da vida da fraternidade e do capítulo local.
Ao fim de sua participação, Frei Almir lançou ao grupo algumas perguntas a serem refletidas e trabalhadas:
a) Quais são os grandes desafios colocados à formação? Onde estão as lacunas?
b) A formação é um processo de transformação e discernimento. Comente.
c) Nossos jovens frades estão preparados para uma ação pastoral e missionária? Quais poderiam ser os campos novos?
d) O que poderíamos comentar acerca do Serviço de Animação Vocacional?
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