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22/08/2011

Por Frei Gilson Kammer

HISTÓRIA DA CIDADE DE COLATINA
Colatina, com cerca de 115 mil habitantes, sendo 80% na área urbana e 20% na zona rural. Estrategicamente localizada no centro do Estado, a cidade registra a maior potencialidade econômica da região Norte do Espírito Santo. Situada no Vale do Rio Doce, está a 135 Km de Vitória , capital do Estado. Por ela passa a estrada de ferro Vitória – Minas, a BR-259 e a ES 080 (Rodovia do Café).

A topografia da cidade varia de ondulada para montanhosa, com altitudes entre 40 e 600 m. O clima predominante é o quente úmido, típico do Vale do Rio Doce, com inverno seco. A temperatura média é de 28ºC e a maior ocorrência de chuvas é registrada entre outubro e janeiro.

Índios Botocudos foram os primeiros habitantes da região
Os índios Botocudos dominavam a extensa área de floresta do Rio Doce até São Mateus, no Norte do Estado, além de uma parte de Minas Gerais. Viviam em guerra com todos os seus vizinhos, inclusive com os da região de São Mateus. Após três séculos da primeira entrada no Rio Doce, ocorrida por volta de 1572, sob a chefia de Sebastião Fernandes Tourinho, rumo a Minas Gerais, ainda os Botocudos dominavam a região.

A denominação Botocudos, foi dada pelos brancos, que observaram neles o uso característico do batoque ou botoque no lábio inferior ou nos lóbulos das orelhas. O batoque era uma rodela de madeira branca, geralmente de paineira ou barriguda, medindo até 12 cm de diâmetro, que depois de seca ao fogo, era introduzida por uma espécie de botão no lábio inferior e nos lóbulos das orelhas.
Eles começaram a desaparecer a partir de 1921, com o rápido desenvolvimento de Colatina e a sua emancipação política do município de Linhares, e a onda de povoamento da Região Norte, a partir da construção da Ponte Florentino Avidos, em 1928.

Primeira tentativa de colonização
Linhares e toda a região do vale do Rio Doce, em território capixaba, estavam ainda subordinadas, politicamente, ao município de Reis Magos, hoje Nova Almeida (município de Serra). Somente em 17 de março de 1827 foi concedida a Linhares uma área de terra para a constituição de seu patrimônio.
A 02 de abril de 1833, o Conselho da Província elevava a Freguesia de Linhares à categoria de Vila. Em 22 de agosto de 1833, foi empossada a Câmara Municipal de Linhares perante a de Reis Magos, realizando então, sua primeira sessão. Data daí o início da vida político-administrativa de Linhares, município que abrangia extensa área do baixo Rio Doce, até às divisas com Minas Gerais, penetrando ao Norte até ao município de São Mateus. O atual território do município de Colatina, portanto, estava totalmente incluído nessa área.

Em 1832 começou a navegação no Rio Doce, com os vapores. Com a intensificação do movimento comercial pelo Rio Doce, entre Regência Augusta e o Porto do Souza, e estímulos oficiais, com maior povoamento nos extremos da linha, o interesse pela colonização da região intermediária surgiu alguns anos depois: a região onde se plantaria a futura cidade de Colatina seria palco da primeira tentativa de colonização organizada.

Em 1857, o engenheiro Nicolau Rodrigues dos Santos França Leite demarcou uma extensa área entre as barras dos rios São João e Pancas, dividindo-a em lotes nos quais instalaria colonos estrangeiros. Chamou sua colônia de Francilvânia, nome que alguns chamavam Transilvânia e que acreditam ser a origem do atual bairro São Silvano, de Colatina, que fica do lado Norte da cidade. Trouxe no mesmo ano, portugueses, franceses e alemães para morar na colônia e trabalhar na agricultura. Mas as dificuldades com a região, o enfrentamento com os índios, as doenças tropicais e o clima não fizeram durar a colônia mais que três anos. As propriedades foram destruídas e as famílias massacradas pelos índios. E aí foi adiado o povoamento na região.

Entre 1861 e 1865, houve nova tentativa de colonização das terras em Baixo Guandu, que como Colatina também pertencia a Linhares. Cerca de 400 colonos norte-americanos, fugindo da Guerra da Secessão de seu país, foram instalados, mas não ficaram por muito tempo, pois também não se adaptaram à região.

A chegada dos imigrantes
A partir de 1866, mineiros e fluminenses chegaram a Baixo Guandu, na região de Mascarenhas. Mas só a parir de 1889,é que realmente aconteceu a onda pioneira com a chegada de italianos, alemães e poloneses.

A navegação no Rio Doce continuava, ligando Regência Augusta ao Guandu. Em 1876, italianos, alemães, suíços e poloneses, e também brasileiros, foram se instalando em lotes em Santa Teresa, rumo ao Rio Doce, formando propriedades agrícolas. Em 1888, era elevada à Vila, a antiga sede do Núcleo Colonial “Senador Antonio Prado”, passando esta para as margens do Rio Santa Maria do Rio Doce, logo abaixo da barra do Rio Mutum. Estava nascendo o povoado de Mutum, hoje município de Boapaba. O novo Núcleo “Antonio Prado” já estava com seus lotes demarcados pelo engenheiro Gabriel Emílio da Costa, então chefe da Comissão de Colonização.

Os primeiros italianos chegaram em 1888 no vapor “Adria”. Dos diversos povoados que formavam o Núcleo “Antonio Prado”, um ficou mais conhecido, o “Barracão de Santa Maria” devido as facilidades de comunicação fluvial com outros povoados, de Baixo Guandu a Linhares e Regência Augusta.
Depois chegaram mais duas levas de italianos, mais uma em 1888 e outra em 1889. Em 1890, foi instalado um “barracão” para o Governo, no atual bairro Colatina Velha, localizado atrás da igreja de São Sebastião. Em 1892, é que começaram a ser construídas as primeiras casas de Colatina.

Em 1894, mais imigrantes chegam para morar em barracões, nas margens do Rio Doce, mas devido a uma epidemia de impaludismo, causada por uma enchente do Rio Doce, com muitas vítimas fatais, os sobreviventes procuraram outros Núcleos, entre eles, o “Antonio Prado”, do distrito de Boapaba.
O Barracão do Rio Santa Maria, em Colatina Velha, cresceu e se tornou um povoado levantado pelos imigrantes liderados pelo engenheiro Gabriel Emílio da Costa.

O distrito de Baunilha começou quase que na mesma época do Barracão de Santa Maria, principalmente após a implantação, em 1906, da Ferrovia Vitória – Minas.

Em 09 de dezembro de 1899, o povoado de Colatina Velha recebe o nome de Vila de Colatina, subordinado ao município de Linhares, em homenagem à dona Colatina de Azevedo Freire, esposa do então presidente do Estado, Muniz Freire.

O povoamento do Vale do Rio Santa Joana, se deu por alemães e italianos. Em Itapina, na barra do Rio Lajes, ao sul do Rio Doce, os imigrantes eram alemães e italianos. Em 1907 foi construída a Estação da Ferrovia, mas o desenvolvimento do povoado, que se chamou “Ita”, se deu a partir de 1915, principalmente após a chegada do Coronel João Albuquerque, em 1919.

Pôr-do-sol - Colatina

A Vila de Colatina, Emancipação e a Revolta do Xandoca
As florestas do Norte do Rio Doce continuavam despovoadas. A Vila de Colatina continuou crescendo. Tinha a sua padaria, sua escola com a professora Andrelina Pereira e o comércio prosperava. A Vila ganhava cada vez mais importância, principalmente a partir de 20 de dezembro de 1906 quando a Estrada de Ferro Diamantina, hoje Vitória – Minas, inaugurou a estação, e foi iniciada a comunicação direta com Vitória. A crescente vida econômica de Colatina abalou Linhares, tanto administrativa, quanto politicamente. Todo o comércio de grande parte de Minas Gerais e do Espírito Santo, que era feito em Linhares, passou a ser feito em Colatina.

E aí é que surge um movimento em favor de Colatina, liderado pelo Coronel Alexandre Calmon, “Professor Xandoca”, que fez com que Colatina passasse a ser a sede do município, transportando todos os arquivos para Colatina. Em 1907, Colatina torna-se, legalmente, a sede do município, que anteriormente era Linhares. Colatina continuava como Vila, mas com a Câmara Municipal de Linhares e a sede da Comarca com todo o aparelhamento judiciário.

Linhares continuava a ser a sede do município e da Comarca, apenas nominalmente. Toda a sua administração concentrava-se em Colatina. Com a Revolta do Xandoca, parentes dele passaram a morar em Colatina, exercendo liderança política, como Virgínio Calmon Ferreira Fernandes, que foi o primeiro prefeito do município, em 1921.

A 30 de dezembro de 1921 foi criado o município de Colatina, separado de Linhares, com território que compreendia toda a área então pertencente ao município de Linhares. Linhares acabava de perder sua categoria de sede municipal, passando a ser Vila subordinada a Colatina. Só em 1945 é que Linhares foi desmembrado de Colatina.

Mesmo o dia 30 de dezembro sendo o verdadeiro dia do aniversário de emancipação política do município de Colatina, as comemorações do aniversário do município acontecem no dia 22 de agosto, dia do aniversário de Linhares.

Colatina de Azevedo Freire
Colatina era paulista, da cidade de Campinas, nascida em 24 de novembro de 1864. Era filha de Sebastião José Rodrigues de Azevedo e de Colatina Soares de Azevedo, filha do capitão Joaquim Celestino de Abreu Soares, Barão de Paranapanema, e de sua primeira esposa Joaquina Angélica de Oliveira.

Era uma bela jovem e já solteira dominava os idiomas alemão, francês e italiano. Também aprendeu música com um dos maestros mais famosos da época, Girondon, e participou cantando de muitos saraus nos palácios em São Paulo, na administração do então governador (presidente do Estado) Florêncio de Abreu.

O casamento aconteceu em 28 de janeiro de 1882, com José de Melo Carvalho Muniz Freire, que participou da política capixaba tão intensamente que acabou tornando-se presidente do Estado por duas vezes, de 1892 a 1896 e de 1900 a 1904. Tiveram 10 filhos.

Foi homenageada com o nome à Vila de Colatina, a 09 de dezembro de 1899, pelo desembargador Afonso Cláudio. Em discurso, ele disse: “Esta homenagem à paulista, certamente, tornará próspera a futura cidade”.

Economia
 O município é forte na agricultura, com destaque para o café conilon que tem uma produção anual de 250 mil sacas, com área total plantada de 17 mil hectares. A fruticultura, a produção hortigranjeira e a pecuária também são fortes na região.

O município tem ainda atuação marcante na indústria e comércio, que geram milhares de empregos. Destaque para o pólo de confecções de roupas, que conta com muitas pequenas e médias empresas que oferecem milhares de empregos diretos e indiretos.

A maior riqueza mineral é o granito, e o Terminal Rodoferroviário de Cargas é o mais novo Pólo Industrial de Colatina, também conhecido como Porto Seco. Ele ocupa uma área de 65.000 m2, no bairro Maria Ortiz e tem capacidade de transporte anual de 650 mil toneladas de granito.

A indústria moveleira, caracterizada pela confecção artesanal de móveis, também se destaca na região. Completa este ciclo econômico, o comércio, sendo referência no Norte do Estado.

Ponte Florentino Avidos

PONTOS TURÍSTICOS DE COLATINA
Pôr-do-sol

O Pôr-do-sol de Colatina foi classificado na década de 60 pela revista americana “Time”, como um dos mais bonitos do mundo. É o símbolo da terra quente, não só pelas altas temperaturas, mas pelo calor humano, pela hospitalidade do seu povo.

Nas tardes quentes de verão, ou mesmo nas outras estações com muito sol e calor, surgem no horizonte em torno do sol poente as cores amareladas, avermelhadas, azuladas, lilases e de muitos outros tons que fazem o maior espetáculo da cidade, emoldurando a paisagem com a silhueta dos pescadores nas canoas que singram as águas do Rio Doce.

Ponte Florentino Avidos
Foi inaugurada em 1928, e com ela ocorreu a efetiva colonização da região Norte do Estado. Foi iniciada para a construção da Estrada de Ferro Norte do Rio Doce, de Colatina a São Mateus, que não foi concluída. Liga as regiões Norte e Sul da cidade, tornando-se cartão postal de Colatina. O nome é em homenagem ao governador do Estado na época, então presidente do Estado, Florentino Avidos (1924-1928).

Cristo Redentor - bairro Bela Vista

Cristo Redentor
Foi inaugurada pela Prefeitura em 1975 no bairro Cristo Redentor, hoje Bela Vista. Construída pelo arquiteto, desenhista, pintor e escultor autodidata, Antonio Francisco Moreira. Tem altura total de 35,5 metros.

Catedral do Sagrado Coração de Jesus
A partir da Lei nº. 5.246, sancionada em 25 de outubro de 2006, a Catedral Sagrado Coração de Jesus, antiga igreja matriz, tornou-se o mais novo patrimônio histórico municipal, uma área de preservação histórica, artística e cultural. Padre Geraldo Meyers foi o responsável pela construção. Ela passou a ser denominada Catedral no final da década de 80, quando o Papa João Paulo II criou a Diocese de Colatina.
O engenheiro responsável pela planta da matriz foi Calixto Benedito, o mesmo que projetou o Santuário de Aparecida, em São Paulo, e o construtor foi Ludovico Dalla Bernardina. A Catedral conta com vitrais, sinos, relógio e duas torres. As paredes são feitas com enormes vitrais coloridos com motivos religiosos e passagens bíblicas trazidas da Europa.

A diocese de Colatina

A Diocese de Colatina foi criada pelo Papa João Paulo II, no dia 23 de abril de 1990, como parte da Província Eclesiástica do Estado do Espírito Santo. Antes, a região pertencia à Arquidiocese de Vitória. Seu processo de nascimento teve início em 1988, a partir dos esforços do então arcebispo da Arquidiocese de Vitória, dom Silvestre Luiz Scandian. Ele observava atento o desenvolvimento do Norte do Estado e a conseqüente necessidade de expandir também a dimensão espiritual e pastoral da Igreja para mais próximo daquelas terras.

A instalação da Diocese de Colatina foi realizada pelo então Núncio Apostólico no Brasil, dom Carlo Furno, em 15 de julho de 1990, data em que também tomou posse o seu primeiro bispo, dom Geraldo Lyrio Rocha. Em mais de 10 anos de trabalho, Dom Geraldo firmou as bases da nova Diocese. Por meio de seu empenho, foi construído, em 1994, o Seminário Diocesano, denominado “Casa de Formação Maria Mãe da Igreja”, que, em 1994, passou a abrigar os seminaristas da Diocese no município da Serra (ES).

O primeiro bispo também instalou, em Colatina, o Mosteiro da Santíssima Trindade para abrigar as Irmãs Clarissas, e, da devoção a Nossa Senhora da Saúde, transformou sua pequena capela em santuário, localizado em Ibiraçu (ES). Hoje, Nossa Senhora da Saúde também é Padroeira da Diocese de Colatina. Em 1993, o espírito de desenvolvimento do bispo fez nascer ainda a Livraria Cordis, que hoje também comercializa paramentos e objetos litúrgicos para todo o Brasil. Dom Geraldo permaneceu à frente desta Diocese até janeiro de 2002, quando o papa o designou a assumir a Arquidiocese de Vitória da Conquista (BA). Atualmente, ele é arcebispo de Mariana (MG) e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

Assim, em 14 de maio de 2003, dom Décio Sossai Zandonade, então bispo auxiliar da Arquidiocese de Belo Horizonte, foi nomeado bispo de Colatina, tendo tomado posse no dia 6 de julho. O início do segundo bispado marca a criação de oito novas paróquias, aumentando para mais de 12.300 km² a área de ocupação da Diocese. Atualmente, ela abrange 17 municípios do norte capixaba: Aracruz, Baixo Guandu, Colatina, Governador Lindenberg, Ibiraçu, Itaguaçu, Itarana, João Neiva, Laranja da Terra, Linhares, Marilândia, Pancas, Rio Bananal, Santa Teresa, São Domingos do Norte, São Roque do Canaã e Sooretama. Ao todo, são 29 paróquias, divididas em cinco áreas pastorais: de Colatina, do Café, BR-101 Norte, BR-101 Sul e Linha Ita.

FRATERNIDADE FRANCISCANA É CRIADA EM 2008 – VEJA MAIS

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