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04/05/2009
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Cristo e Maria nos Encontros da Vida

Frei Régis Daher

O encontro de Maria Santíssima com seu filho Jesus, nos passos do caminho da Paixão, nos permite refletir sobre o próprio mistério da vida. Mãe e Filho, vidas unidas pela dor e pelo amor. Dor e amor essência do próprio viver humano. A profundidade e a intensidade da dor expressam o mesmo grau de amor que os une, e mais, revelam quem eles são.

Nos passos e nas paradas da via dolorosa descobrimos a metáfora do próprio viver humano, na limitação do corpo mortal e na infinitude do amor capaz de transfigurar os sentimentos tornando-se redentor. De tal modo que é exatamente na Paixão extrema de Jesus que o Pai, do mesmo modo, abre o caminho da redenção definitiva na última, na nova e na definitiva aliança.

Os encontros do Filho Jesus com sua Mãe evocam todos os nossos encontros e desencontros ao longo da existência.

1. O encontro de Maria com o anjo Gabriel na Anunciação (Lc 1, 26-38).
Maria concebe primeiro na fé e depois no seu corpo: a fecundidade da Virgem no acolhimento da vontade do Senhor.

2. Na gravidez de Maria e Isabel, o encontro de Jesus com João Batista (Lc 1, 39-45).
Duas mulheres segregadas: uma virgem e uma idosa. Ambas acreditam na promessa e geram a redenção na vida de seus filhos: o Precursor e o Messias.

3. O encontro de Maria e José no nascimento de Jesus (Lc 2, 1-7)
José e Maria acolhem já no nascimento do filho, os sofrimentos da exclusão, da pobreza.

4. O encontro dos pastores e dos reis com o Menino Deus (Lc 2, 8-14)
Mas também experimentam os sinais de Deus que os acompanha. Há sempre uma parcela da humanidade que, como Maria e José, acolhem a Palavra esperando a realização da promessa (os humildes e os estrangeiros).

5. O desencontro de Herodes na fuga da Sagrada Família para o Egito (Mt 2, 7-12)
Herodes representa aquela parcela da humanidade que recusa a proposta de salvação de Deus, porque não é capaz de abrir o coração para o amor desinteressado. Para quem escolhe viver nas trevas, o encontro com o Cristo é revelador do pecado da auto-suficiência, da presunção de salvar-se com as próprias forças.

6. O reencontro de Jesus com seus pais no Templo (Lc 2, 41-51)
A perda e o reencontro de Jesus, aos doze anos, na peregrinação ao Templo de Jerusalém foi ocasião para revelar que Deus se manifestava também no crescimento desse menino.

7. A mãe de Jesus e seus irmãos no encontro de Nazaré (Mc 3, 31-35).
Por vezes, no seio de sua própria família, Jesus provocou alguma incompreensão, talvez porque os desígnios de Deus, nem sempre coincidam com os planos que estabelecemos para nós mesmo. O verdadeiro laço de pertença a Cristo é a adesão fundamental à vontade do Pai. Laço mais forte que o da carne.

8. O encontro de Jesus e sua mãe nas bodas de Caná (Jo 2, 1-11)
Jesus participa concretamente do convívio humano com todas as suas aflições. É sensível às nossas necessidades. A intercessão de Maria, no seu primeiro milagre, é o sinal de que sua maternidade abraça também a nossa filiação em Cristo. Maria indica o caminho do seguimento para os irmãos e irmãs de Jesus: “Fazei tudo o que ele vos disser!”.

9. O encontro com Maria na cruz e na morte (Jo 19, 25-27).
Na penúltima palavra, Jesus ofereceu a última dádiva: a doação da própria Mãe ao apóstolo João, símbolo de todos e todas que o amam para além da morte. Do mesmo modo, ao entregar João aos cuidados de sua Mãe, Jesus faz nascer a Igreja, sua família, a dos filhos e filhas gerados pela fé.

10. O encontro com Maria e os apóstolos no Cenáculo (At 1, 12-14)
Após a ascensão de Jesus aos céus, os apóstolos, junto de Maria, perseveravam na oração em comum. A oração é a recordação das palavras e da vida de Cristo, iluminadas pela força da Ressurreição. A vinda do Espírito Santo sobre os apóstolos, junto de Maria, completa a obra salvífica. Somos parte desta gestação humana e divina, no encontro pascal com o Espírito de Jesus Ressuscitado, até que ele complete em nós a obra começada.

Em cada encontro (e também nos desencontros) Deus vai revelando a divindade de seu Filho presente na fragilidade de sua humanidade, porque é exatamente nela que fazemos o caminho de nossa divinização: a transfiguração, a ressurreição cotidiana na páscoa de todos os dias.

Para reflexão pessoal e partilha:
1. Procure ser pequeno (a) como a Mãe de Deus: assuma as tarefas mais humildes da família ou do grupo a que você pertence.
2. Tente reconhecer e anotar as características do Cristo que vive em cada uma das pessoas mais próximas. Seja mãe de Deus nessas pessoas ajudando-as a viver esse Cristo.
3. Para tomar consciência, anote as principais transformações que foram feitas em sua vida pela presença do Espírito de Deus que mora em você.

Oração
Santa Maria, Mãe de Deus, quero ter o mesmo amor e a mesma devocão que Francisco e Clara tiveram por vós.
Ensina-me a ser pequeno (a) entre meus irmãos e irmãs, sem nunca perder a consciência de que Deus mora dentro de mim e é justamente Ele que se faz pequeno.
Ensina-me a ser mãe do Cristo que está nascendo e crescendo cada dia nos menores dos meus irmãos e irmãs.
Ajudai-me a me entregar inteiro (a) para a ação do Espírito de Deus que vive em mim e não cessa de me fazer testemunha da vida nova do seu Reino. Amém.

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