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Por Moacir Beggo
O Retiro dos Benfeitores em Agudos é um momento para cuidar dos cuidadores. Foi assim que o Vigário Provincial Frei Vitório Mazzuco Filho definiu o Retiro realizado pelo Pró-Vocações e Missões Franciscanas, no período de 30 de abril a 3 de maio, no Seminário Santo Antônio: "Retiro é cuidar da interioridade, do coração, do espírito e cuidar das pessoas que vão ser realmente os nossos cuidadores. Então, elas estão aqui não só porque dão sua contribuição material para a Província em função das vocações e das obras sociais, elas estão dando continuidade a uma tradição espiritual. Portanto, esse é o trabalho maior do benfeitor: cuidar dos cuidadores", disse Frei Vitório, que neste retiro refletiu durante toda a manhã do sábado, dia 2, sobre Santa Clara, especialmente tendo em vista que neste ano se inicia o tríduo para comemorar os 800 anos da Vocação da Fundadora da Ordem das Clarissas, já que em 1212 ela foi recebida por São Francisco em São Damião.
E para "cuidar dos cuidadores", além de Frei Vitório e dos frades que trabalham no PVF - Frei Atílio Abati, Frei Valnei Bruneto, Frei Paulo Back e Frei Antônio Andrietta -, estiveram na 11ª edição do Retiro Frei Régis Daher, que, como faz todo ano, falou sobre Maria na espiritualidade franciscana, e Frei Wilson Steiner, vice-mestre do Seminário Frei Galvão de Guaratinguetá, que tratou do tema da família na abertura do encontro.
Enquanto o mundo todo festejava o 1º de Maio, ou Dia Internacional do Trabalho, um grupo de 106 benfeitores da Província Franciscana da Imaculada Conceição se reunia no Seminário Santo Antônio de Agudos com um único objetivo: trabalhar o espírito. "O Retiro dos Benfeitores este ano coincide com a festa de São José Operário. Ser operário é transformar o natural em produção. Mas o trabalho material não existe sem o trabalho do espírito. É preciso trabalhar a interioridade", lembrou Frei Vitório.
Na celebração eucarística do dia 1º de Maio, Frei Vitório lembrou que São José é a expressão histórica e encarnada de Deus Pai, dentro da Trindade amorosa que é a Sagrada Família. "Maria, a encarnação do espírito de amor, Jesus a encarnação do verbo encarnado e José lembra para nós a presença desse Deus humilde, obediente, silencioso, que se oculta por detrás para dar impressão que somos nós que fazemos. José lembra para nós que somos
protagonistas de um Deus que age em nós. Aquele que acreditou num sonho, acreditou na fecundidade de sua mulher e acreditou na divindade de seu filho".
Frei Vitório ainda destacou que todo retiro é visto como dias de recolhimento, oração, silêncio e revisão de vida. "Tudo isso realmente faz parte do bom e tradicional esquema de retiro. Mas o Retiro dos benfeitores se caracteriza por ser franciscano, que não dispensa a reflexão, a prece, os momentos de recolhimento, mas se reveste da jovialidade franciscana, de muita alegria. Realmente um encontro", acrescentou.
Foi exatamente esse aspecto que os casais paranaenses de Cascavel, Olinda e Melcy Domingos Parisotto, e Hilda e Lídio Lino Lipnharski mais destacaram do encontro. Eles levaram 9 horas, de carro, para participar do primeiro retiro em Agudos. "Valeu tanto a pena que a distância nem importa", disse Olinda, enquanto Hilda destacava a "leveza" do encontro. "Tenho participado de retiros que didaticamente são pesados, mas aqui estou muito à vontade". Para Melcy, voltar a Agudos tinha um outro significado.
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| Da esq. para dir.: Ana Maria Fernandes de Assis (filha), Marli Fernandes de Assis (filha), Rodrigo A. F. Ferrreira (neto), Maria Letícia F. Nascimento (neta), Ana de Assis Fernandes, Pedro Henrique Fernandes (neto), pedro F. de Assis (neto), Inácia Assis Fernandes (filha), Antônio O. Nascimento (genro) e Maria Creufa Fernandes Nascimento (filha). |
Três gerações no Retiro
O Retiro deste ano trouxe para Agudos uma família e três gerações. Mesmo com dificuldades para caminhar devido à idade - faz 89 anos no dia 27 de maio - Ana de Assis Fernandes veio de em Goiânia (GO) para participar pela primeira vez. Com ela, vieram quatro filhas dos 13 filhos que criou, quatro netos e um genro. Mais do que o carinho e amor, marcas visíveis de uma família unida, Dona Ana presenteou os filhos, e como se pode ver com a nova geração, com um bem que não tem preço: a religiosidade.
Maria Letícia, aos 26 anos, é médica residente com especialização em infectologia no Hospital Central do Exército, no Rio de Janeiro. Participando pela terceira vez, Letícia conta que o retiro serve para "renovar forças e reafirmar a fé em Deus". Para o seu trabalho, onde constantemente está em contato com os soropositivos, busca inspiração na mística franciscana. "Tento assimilar os ensinamentos de São Francisco e colocá-los no meu dia-a-dia", explica, lamentando que o Retiro só tenha três dias. Religiosa, herança que traz de sua família, Letícia enfrenta a correria e os contratempos de uma grande cidade, como o Rio de Janeiro, com a oração. "Rezo o terço todo o dia", confessa.
Cristo e Maria nos Encontros da Vida
Como faz em todos os retiros do PVF, Frei Régis refletiu sobre a espiritualidade franciscana e Maria. Neste ano, abordou o tema "Cristo e Maria nos Encontros da Vida" e, em procissão, refletiu sobre a Oração de Louvor e Ação de Graças de São Francisco de Assis (Regra Nb 23). Segundo Frei Régis, o encontro de Maria e Jesus, nos passos do caminho da Paixão, nos leva a pensar o mistério da existência humana. "Por quê? A vida dos dois é marcada pela dor e pelo amor. A profundidade e a intensidade da dor expressam o mesmo grau de amor que os une, e mais, revelam quem eles são. Francisco, no Alverne, pediu a dor e o amor. Quem não entende Francisco pensa que ele é masoquista, mas ele pediu a dor da Paixão de Cristo para experimentar a intensidade do amor de Cristo, que foi capaz de passar por aquela dor por amor à humanidade", explicou."Se vocês olharem bem, nossa vida é sempre uma alternância de dor e amor. A vida não só é só encontro, mas desencontro", completou. (veja o texto na íntegra)
A terceira franciscana Alice Teixeira Rodrigues, da Fraternidade OFS Bom Jesus dos Aflitos, de Sorocaba, estava feliz de participar do Retiro no ano em que se comemora os 800 anos de Fundação da Ordem Franciscana. Ela mostrou o poema (clique aqui) que deu a ela o primeiro lugar no Concurso Nacional de Música e Poesia da OFS para marcar este jubileu franciscano.
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