Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 02/09/2010

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Histórico - O início com Frei Floriano

Frei Floriano Surian

Baseados nesses princípios fundamentais de valorização do leigo, Frei Floriano Surian, dedicado frade franciscano e D. Maria Arieta, também franciscana, filiada à Ordem Franciscana Secular, iniciaram em fevereiro de 1976, uma campanha de bolsas de estudo para seminaristas pobres, no Convento Santo Antônio, no Rio de Janeiro. 

Muitos Cristãos, conscientes do número imenso de jovens vocacionados e das dificuldades concretas dos franciscanos, aderiram prontamente à campanha. Frei Floriano, excelente ilustrador , criou belíssimos cartões para importantes ocasiões, a serem oferecidos aos fiéis em prol dos seminaristas pobres. 

Com o tempo, Frei Floriano passou a receber donativos para as vocações e a enviá-las a nossos seminários. A iniciativa partiu dos próprios fiéis! O movimento cresceu sensivelmente, transformando-se numa verdadeira pastoral. A campanha de Frei Floriano e D. Maria Arieta foi a semente do Pró-Vocações e Missões Franciscanas!

A diferença entre os primórdios desse trabalho e a realidade atual reside no fato de que a campanha assumira um caráter provisório e atingia a um número limitado de cristãos, ao passo que atualmente, o trabalho desenvolvido visa atingir a todos os seminaristas estudantes, de maneira integral e sem distinção, até porque, praticamente todos eles provêem de uma realidade socio-economicamente limitada. Além disso, os benfeitores da campanha tinham que se dirigir, necessariamente, ao Convento Santo Antônio - do Rio de Janeiro, para poderem contribuir. Hoje, conseguimos manter contato com todos os benfeitores, independentemente do estado onde residem.

Em 1986, o então Frei Alberto Esteves formou as bases do que é hoje este setor, instalando-se no 6º andar do Convento São Francisco de São Paulo . Nesta época, o Vocações Franciscanas se chamava Vofran e contava com uma pessoa de confiança e muito religiosa para trabalhar na lojinha, que oferecia produtos dos seminários e artigos religiosos. Tratava-se de Dona Alzira de Oliveira. Depois, o trabalho teve continuidade com Frei Reynaldo Ameixeira, o também fundador do Centro Franciscano de Luta contra a Aids (Cefran), Frei Edrian Pasini e Frei Antônio Andrietta.

A partir de 90, o escritório se mudou para o local atual, ou seja, na parte térrea do Convento, aproveitando os corredores para realizar as feiras de Santa Clara e Natal, todas com a finalidade vocacional. Durante 12 anos, Frei Mário Tagliari, Frei Severino Clasen e Frei Atílio Abati consolidaram este trabalho, montando o atual escritório. Neste período o PVF passou a ser voltado também para as missões franciscanas.

Frei Airton Rosa e Frei Marcos Melo assumiram este trabalho em 2003, enfatizando cada vez mais esta proximidade com o benfeitor e a benfeitora, seja através de retiros, encontros, cursos de espiritualidade franciscana ou as feiras.

A partir de 2006, o PVF voltou a contar com o trabalho de Frei Atilio Abati, tendo a companhia de Frei Paulo Back e, posteriormente, Frei Antônio Andrietta. Em 2008, o PVF passou a somar com o trabalho de Frei Valmei Brunetto.


Depoimento de Frei Floriano sobre o início do PVF

Em setembro de 1975, fui convidado para pregar o retiro na Fraternidade de Nossa Senhora da Paz, em Ipanema. Depois do retiro, Maria Arieta, terceira franciscana daquela fraternidade, procurou-me para ajudar a organizar um folheto-propaganda da OFS. Fiz o desenho e o folheto foi bem aceito.

Mais tarde, fui procurado novamente para fazer um outro desenho para um cartão de Natal, que seria enviado aos alunos do Cefepal (Centro de Estudos Franciscanos para a América Latina), franciscanos e amigos. Gostei do conteúdo, da mensagem e fiz o desenho. Dias depois, mostrou-me ela (Maria Arieta) uma mensagem sobre o Sacerdote. Gostei muito e achei que valia a pena publicá-la. Ela, prontamente, aceitou a idéia e, de comum acordo, colocamos o produto à venda para arrecadar bolsas de estudo a seminaristas pobres.

Foi assim que, em fevereiro de 1976, teve início a campanha de bolsas de estudo para seminaristas pobres no Convento Santo Antônio, no Rio. A partir daí, começamos a fazer cartões para o Dia das Mães, Pai, Natal, Páscoa, Namorados, Criança, enfim, para as datas comemorativas do ano. Calcula-se um total de uns setenta cartões. A primeira bolsa, claro, levou bastante tempo para ser completada. Quase um ano. Em 20 de novembro de 1976 foram entregues os primeiros 20 mil cruzeiros ao Provincialado. Também pudera, cada cartão custava poucos centavos! Mas, depois das primeiras bolsas, conseguidas com bastante dificuldade, após um trabalho lento de conscientização dos fiéis, a iniciativa foi dando frutos.

Além da venda de cartões, começamos a receber donativos, sinal concreto de fé a uma adesão interior a essa causa tão sublime.
Essa conscientização foi feita da seguinte maneira: nas datas comemorativas, após as bênçãos de Santo Antônio, ofereciam-se os cartões que, além de ajudar os seminaristas pobres, continham uma mensagem do Evangelho. Falava-se sobre os nossos seminários e suas dificuldades financeiras. Acentuava-se a idéia de que era muito melhor ajudar um menino pobre que estava no Seminário do que dar uma esmola de rua, pois o mais importante, segundo axioma popular "não é dar o peixe, mas ensinar a pescar", já que os nossos seminaristas recebem uma formação integral. Se chegam ao sacerdócio, ótimo! E se saem, por não terem sido chamados para essa vocação, estarão preparados para outro caminho como bons cristãos, sendo úteis à sociedade e à pátria. Portanto, era uma esmola bem empregada.

Os fiéis foram tomando consciência e correspondendo cada vez mais. E assim, cada vez mais conscientizados, com grande alegria, participavam num crescendo, tanto no sentido de oração pelas vocações, como pela ajuda material. Devido, também, ao medo de serem roubados pelo "Homem Aranha" em seus domicílios, até jóias foram doadas para a campanha.

Em 1983 fizemos uma seleção de mensagens e desenhos num livro: "No Festival da Vida", publicado pela editora Vozes, aumentando ainda mais a renda "Pró-Vocações".

O movimento cresceu tanto que se tornou uma verdadeira pastoral devido ao atendimento espiritual dado aos colaboradores numa reciprocidade de relacionamento pessoal e por intermédio de cartas. Mais de 7 mil cartas foram escritas no decurso da campanha. Senti, então, a necessidade de uma ação de graças Eucarística, para unir a oração do sacerdote e dos benfeitores em torno deste movimento Pró-Vocações. Foi, assim, que surgiu a Missa das primeiras terças-feiras na intenção dos benfeitores da campanha, missa que foi tendo cada vez mais afluência e participação.

Já há muito os donativos superavam a venda dos cartões e, então, a partir desses donativos, foi sendo organizado um fichário. Ao encerrar a campanha, esse fichário continha 1.200 fichas (fichário vivo de colaboradores mensais) e 3.000 fichas (fichário morto, ou seja, pessoas que colaboravam uma ou outra vez).

Ao ser transferido para Niterói, foi interrompida a campanha de ajuda ao seminarista pobre. A ajuda era tão grande que isto se refletiu de uma maneira negativa nasfinanças da Província. A pedido de Frei Alberto Esteves, ecônomo da Província, Frei Floriano selecionou 300 fichas de colaboradores , pedindo a esses que continuassem ajudando os seminaristas pobres, dando, com isso, o impulso inicial à obra do Pró-Vocações que se espalha, hoje, por toda a Província.

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