
Por Ricardo Mendes Mattos (*)
Especial para este site
Há algum tempo o Serviço Franciscano de Solidariedade (SEFRAS) tem se dedicado a melhorar as condições de vida dos irmãos que vivem em situação de rua. Em seus diversos serviços, o SEFRAS promoveu fraterna discussão sobre as possibilidades de utilizar seu acúmulo de experiência nos trabalhos sociais junto à população de rua, para criar um serviço que atendesse aos cidadãos que já estão mais adiantados em sua conquista da reinserção social.
Tais esforços foram contemplados a partir da inauguração do Centro de Acolhida Frei Galvão, com o objetivo de oferecer melhores condições de vida e maiores possibilidades de reinserção social a irmãos e irmãs em situação de rua.
O Centro de Acolhida Frei Galvão funciona no antigo Hotel Solar Paulista, no bairro da Bela Vista. Neste espaço são atendidos 160 homens e 40 mulheres em situação de rua, que vivenciam os valores franciscanos de convívio fraterno, da cordialidade e do amor ao próximo.
Em dormitórios que abrigam de 04 a 06 pessoas, os conviventes possuem maior privacidade e possibilidades de organizarem suas vidas. São pessoas que vivenciaram a situação de rua, mas já estão com trabalho regular e reaproximação familiar: último degrau do sofrido processo de autonomia pessoal.
Em parceria com a Prefeitura do Município de São Paulo, no Centro de Acolhida Frei Galvão são oferecidos serviços de alimentação, repouso e higiene pessoal. Cada convivente é acompanhado cotidianamente por assistentes sociais especializados, espaço importante na garantia dos direitos sociais e elaboração de um projeto de vida digna para cada pessoa em situação de rua.
Todos os dias, os conviventes do Centro de Acolhida Frei Galvão participam de atividades sócio-educativas sobre temas por eles escolhidos, tais como o Trabalho, a Cultura, a Diversidade Sexual, a Educação, a Habitação e a Saúde. Nestes momentos de reflexão coletiva, as pessoas em situação de rua partilham suas experiências e saberes, de forma a criar uma forte corrente solidária de ajuda mútua.
Em todas as atividades do Centro de Acolhida Frei Galvão pode-se perceber o sorriso nos rostos e a renovação da esperança em dias melhores. Cidadãos antes rejeitados pela sociedade, discriminados pelos demais irmãos, exibem hoje o orgulho e a satisfação de estarem trabalhando e serem tratados com a dignidade que toda pessoa humana merece.
Enfim, o Centro de Acolhida Frei Galvão simboliza um importante momento de renovação de vida para as pessoas em situação de rua, momento final de sua conquista de uma vida digna e autônoma. Já para o Serviço Franciscano de Solidariedade e a rede de serviços, pastorais sociais e movimentos populares, este trabalho significa importante passo na melhoria dos serviços públicos junto à população em situação de rua, rumo a uma sociedade mais justa, solidária, igualitária e plural.
(*) Ricardo Mendes Mattos é coordenador do Centro de Acolhida Frei Galvão |