|
|
|
|
|
|
|
Papel de Parede oficial
|
Veja a programação da Assembléia do SEFRAS para esta 5º feira (22/07):
08h30 – Oração de abertura
09h00 – Síntese dos trabalhos do dia anterior
09h15 – Proposta de análise de conjuntura da Sociedade atual
12h30 – Almoço
14h00 – Trabalho em grupo a fim de responder a indagação: Qual a contribuição do SEFRAS no contexto de Igreja e sociedade que vivemos?
19h00 – Jantar de confraternização |
Galeria do 1º dia da Assembleia
|
Por Ricardo Matos, especial para este site
A Assembléia 2010 do Sefras, em clima fraterno de abertura para o diálogo, teve início com a presença de Frei Gilmar José da Silva, guardião da Fraternidade Santo Antônio do Pari, que iniciou os trabalhos dando as boas vindas a todos os presentes. Frei José Francisco C. dos Santos, coordenador do Sefras, salientou o importante momento de partilha e reflexão inspirado na proposta de Moratorium, ou seja, oportunidade para avaliarmos a missão evangelizadora do Sefras diante dos desafios que brotam das realidades nas quais os serviços franciscanos de solidariedade estão inseridos.
Na leitura do evangelho de João (1, 45-7), o coordenador do Sefras destacou a exclamação: “Vinde e vede!”, com a necessidade de olharmos para as realidades, enxergando nelas as dificuldades e desafios, mas também as potencialidades. Da mesma maneira, na indagação sobre que “coisa boa poderia vir de Nazaré”, Frei José Francisco comentou a importância de acreditar que o povo, frequentemente excluído e desrespeitado, acredita na construção de uma sociedade fraterna.
Ao final da mística de abertura, todos os participantes trouxeram painéis, imagens, depoimentos e demais lembranças das realidades em que atuam e dos trabalhos que realizam. Os materiais foram expostos em um espaço místico que decorou e inspirou todos os trabalhos do dia.
Na seqüência, prof. Fernando Altemeyer, Doutor em Ciências Sociais pela PUC/SP e docente dessa mesma instituição, foi convidado para contribuir com o estudo da realidade atual da Igreja no Brasil. O professor iniciou sua fala solicitando a todos os presentes que se apresentassem e procurassem descrever o “clima” ou o “sentimento” da população com a qual trabalham. Tais apresentações contribuíram com elementos bastante concretos a partir dos quais Dr. Fernando pôde nortear sua intervenção.
Em tom muito sereno e provocador, Altemeyer lançou mão de uma análise sobre a imensa mutação religiosa no Brasil atual. De caráter profundo e transformador, esta mutação se revela por meio da crescente falta de interesse da população na Igreja e nas religiões institucionais, que não se reflete, contraditoriamente, em um decréscimo da fé religiosa. O povo está abandonando as igrejas, não apenas entre os católicos, mas não sua religiosidade.
Dr. Fernando criticou a Igreja por sua dificuldade em lidar com essas mutações. Seja porque suas ações pastorais não mais mobilizam fiéis, seja porque suas ações de caridade possuem imensa dificuldade em se adequar às recentes conquistas de políticas públicas. Mesmo o espaço dinâmico da cidade, com suas ininterruptas metamorfoses, são incompreendidos pela Igreja.
Destacou que a pastoral e os trabalhos sociais, não podem “cair no ativismo”, ou seja, perder-se em meio aos frenéticos trabalhos práticos. Não pode esquecer sua missão, seu modo de viver. Em outras palavras, não enfatizar a operacionalidade do trabalho assistencial (modos operandi), mas o modo de viver (modos vivendi), sua identidade.
Na simplicidade do carisma franciscano, em seu modo de vida simples, está a chave da relação com o próximo. Ou seja, deve-se estabelecer uma relação humana com as pessoas observando na “face do outro a presença de Deus”. Aprender com o povo a forma de desenvolver o trabalho social. Ascender dentro da alma da pessoa a sua capacidade de propor soluções para os seus problemas sociais.
Por fim, Altimeyer salientou que uma possível transformação não virá do clero, mas dos leigos. Em sua audácia e coragem está uma grande motivação para este enfrentamento. Porém, um grande segredo é não agir com “vanguardismo”, tendo a pretensão de salvar o povo ou transformá-lo, mas aberto para a experiência de ensinar e aprender que outro mundo possível.
Ao final deste primeiro dia, foi consensual entre os participantes que a Assembléia iniciou-se com um promissor diálogo fraterno que fortalece a construção de uma sociedade mais solidária e justa. |