Sefras encerra Semana da Paz
e se questiona diante dos conflitos na região do Pari
“Por uma Cultura de Paz”. Com este tema, o Serviço Franciscano de Solidariedade – Sefras realizou entre os dias 24 e 28 de outubro, mais uma semana dedicada à promoção da Paz. Paralelo a esta proposta, na região do Pari, onde está localizada a sede da instituição, aconteceram fortes conflitos entre trabalhadores ambulantes não regularizados e a polícia militar. Mesmo com essa contradição de realidade, a expressão maior dessa semana acontece por meio de uma tenda branca instalada nos diversos serviços do Sefras. A proposta foi acampar em frente dos serviços e realizar intervenções com a comunidade local. Afim de, promover e incentivar a cultura de paz no entorno. Com muita criatividade, os serviços difundiram a paz com ações de panfletagem, coral, música, roda de conversa, roda de brincadeiras, palestras e oração. Para o diretor do Sefras, Frei José Francisco de Cássia dos Santos, a Semana da Paz é uma expressão do carisma franciscano em consonância com a justiça, paz e integridade da criação. “Por isso, o Sefras abraça essa causa para suscitar a tomada de consciência nos serviços e nas comunidades onde trabalhamos”. Ele ainda acrescenta: “A função do Sefras é provocar uma cultura de paz. Se trabalhamos na perspectiva da justiça social, temos que levar em consideração as palavras do Papa Paulo VI, quando instala a reflexão sobre a justiça e paz na igreja, ou seja, enquanto não houver justiça, não haverá paz”, destaca.
Em plena Semana em que o Sefras se voltou para a promoção da Paz, acontecia na região do Brás e no Pari, um confronto entre policiais e trabalhadores ambulantes que montam barracas no lado de fora da feira da madrugada. Foram quatro dias de manifestações que gerou um cenário de guerra. As manhãs dos dias 24 e 25 de outubro foram marcadas por muita violência. A manifestação ateou fogo, ameaças e medo na região e provocou a reação truculenta da polícia contra os manifestantes.
Esse conflito despertou no Sefras uma reflexão mais profunda sobre a paz, fruto da justiça social. Afim de não assistir passivamente a estes confrontos, a instituição se mobiliza para realizar uma reunião com entidades religiosas e sociais, da região do Pari. A proposta é pensar uma postura e contribuição para a resolução desse problema tão latente no bairro. “É nosso papel como sociedade civil organizada provocar e, estar sensível, a esta realidade que é uma demanda social presente em nossa porta. Precisamos pensar juntos uma ação social para pressionar as autoridades, a fim de que se crie uma política de inclusão e participação desses trabalhadores e não gerar guerra”, concluiu o diretor do Sefras, Frei José Francisco de Cássia.
Apesar desse cenário, este ano, a Semana da Paz teve um motivo especial: os 25 anos de comemoração do Espírito de Assis. Para isso, tanto o material de divulgação, quanto a decoração das tendas lembraram o evento inter-religiosos, que reuniu 130 lideranças das principais religiões do mundo, no dia 27 de outubro de 1989, em Assis, Itália. Durante o Ato Inter-religioso que aconteceu na Igreja de São Franciscano, no centro de São Paulo, em memória ao encontro de Assis, a Monge Budista Coen Sensei, interpelou os participantes à reflexão de que, a missão da sociedade civil é provocar as autoridades para que eles realizem ações em prol de um mundo melhor. “Não somos nós que vamos dar as respostas. Nós damos as perguntas, afim de que, aqueles que sejam capazes de resoluções, possam encontrar caminhos para diminuir a diferença entre pobres e ricos. Diminuir o abuso da natureza. Diminuir as discriminações e a violência”, destacou. |