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| Frei José Francisco, Alípio (centro) e Frei Alamiro |
Alípio recorda ajuda dos frades durante repressão da polícia |
Antes de falar do tema proposto, o jornalista Alípio Freire confessou que para ele voltar ao Convento São Francisco, onde aconteceu o Seminário, era um momento especial. Segundo ele, ingressou na Faculdade de Direito do Largo São Francisco em 1963, um ano antes do golpe militar. Na invasão da faculdade pela polícia, durante o governo paulista de Adhemar de Barros, os frades do Convento São Francisco ajudaram na fuga dos alunos, abrindo uma porta secreta no claustro. "Quando vimos, estávamos num segundo no Vale do Anhangabaú", recordou. Para ele, o Convento sempre é uma referência e lhe traz boas lembranças.. |
Para Alípio Freire, grande mídia ignora população de rua
Por Moacir Beggo
São Paulo (SP) - O jornalista e escritor Alípio Freire foi o convidado do Fórum Permanente de Acompanhamento das Políticas Públicas da População em Situação de Rua de São Paulo para participar do Seminário "A Imprensa e a População de Rua", promovido na manhã desta terça-feira (16/03), no Centro Franciscano de Reinserção Social, em São Paulo. Freire, que sentiu na pele a força do regime militar nos anos 60 e 70, e trabalhou nos principais jornais de São Paulo, não poupou a grande mídia ao falar sobre população de rua.
"Vocês acham que os homens e mulheres da população de rua são de interesse dos donos de jornais?", perguntou o jornalista. Para Alípio, o povo em situação de rua só interessa na medida em que "possa ser criminalizado".
"A grande mídia é a favor do lucro antes de tudo. Hoje, as pessoas não valem mais pelo que são capazes de produzir. Mas são valorizadas pela capacidade de consumir. E vocês acham que homens e mulheres da população de rua são consumidores? A população de baixa renda consume?", questionou. Ele também explicou de forma didática como é o processo de edição de um jornal e como se pode manipular a informação.
Segundo Alípio, a imprensa não é imparcial, neutra, como ela sempre apregoa. "A mídia veicula as informações e pontos de vista que interessam aos donos dos jornais". Ele disse não concordar com a ideia de que é a sociedade quem decide o conteúdo da mídia. Exemplicando com a cobertura de uma greve, onde os entrevistados são todos contrários à paralisação, dando mais tempo para “os donos do capital” do que para os trabalhadores, a opinião da população vai sendo formada pela mídia. Isso também entre os menos favorecidos.
“Sem organização não somos nada, pois para este regime funcionar é preciso que a exclusão exista. Se a exclusão não fosse útil ao sistema, ele já teria acabado com ela”.
O jornalista também falou da relação do estado e dos governos com os donos de jornais ou o 4º poder, como é chamada a imprensa. Na questão das verbas publicitárias, quem decide para onde elas vão é a grande mídia. "Para um jornal de esquerda ter patrocínio é um inferno". A justificativa, segundo Freire, é que o jornal atinge um público pequeno e tem uma posição partidária definida. Atualmente, Alípio é membro do Conselho Editorial do Jornal "Brasil De Fato".
Perfil - Alipio Freire, nasceu em Salvador-BA, em 4 de novembro de 1945. Mudou-se para São Paulo em 1961, aos 16 anos. Morou em Campinas de 2000 a 2007, quando retornou a São Paulo. É jornalista, escritor, artista plástico, roteirista e diretor de cinema e vídeo. Graduou-se na Escola de Jornalismo Cásper Líbero (1964-1966), tendo participado de diretorias do Centro Acadêmico daquela Faculdade, do qual foi presidente durante o ano de 1966. Militou na organização clandestina Ala Vermelha (1967-1983), ficando preso de 31 de agosto de 1969 a 2 de outubro de 1974.
Foi presidente da Representação da Associação Brasileira de Imprensa em São Paulo – ABI-SP (1977-1980). Integrou diversas Comissões do Sindicato dos Jornalistas em São Paulo, como a Comissão de Liberdade de Imprensa (1976-1977) e as Comissões Salariais de 1977, 1978 e 1979, inclusive, o comando de greve (1979). Trabalhou em diversos jornais (“A Gazeta”, “Jornal da Tarde”, “Folha da Tarde”, “Gazeta Mercantil”, “Folha de S. Paulo”, etc.), em televisões (TV Bandeirantes e TV Cultura), além de publicações técnicas, e editora de livros (“Marco Zero”). Desempenhou funções de revisor, repórter, redator e editor.