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Diversidade e Unidade |
A caminhada entre a Praça da Sé e o Monumento do Ipiranga foi marcada por uma incrível diversidade de cores, danças, cantos e hinos. Além do caminhão de som que puxava a multidão, diversos movimentos, pastorais, sindicatos e entidades, cada um ao seu modo, deixaram suas mensagens aos que prestigiavam a passagem da caminhada. Em todos, porém, era possível observar um ponto comum: a indignação contra a exclusão social, a pobreza, a desigualdade. Se muitas e específicas são as lutas expressas nos cartazes, nas faixas e nas camisetas, uma mesma é a certeza: a sociedade que temos gera exclusão e, portanto, precisamos criar, juntos, uma nova sociedade. Em cada luta, expressava-se o tema do Grito 2008: “Vida em primeiro lugar”.
O Grito dos Excluídos 2008 foi organizador pro: Fórum das Pastorais Sócias e CEBs da Arquidiocese de São Paulo – Conlutas – Intersindical – MST – MTST – MUST – Sefras – FOE – Conlute – Romaria à pé – Padres Oblatos de Maria Imaculada – Casa da Solidariedade – Cáritas Arquidiocesana de São Paulo – Fórum de Lutas dos Trabalhadores Desempregados – Comitê Paulista contra a Transposição do Rio São Francisco. |
Por José Carlos Freire, especial para este site
A 14ª edição do Grito dos Excluídos levou milhares de pessoas às ruas do centro de São Paulo. Várias atividades marcaram o dia, começando com a Missa Solene, às 7h na Catedral da Sé, quando Dom Pedro Luis Stringhini, presidente da Comissão Episcopal Pastoral para o Serviço da Caridade, da Justiça e da Paz,da CNBB, reforçou o valor da dignidade humana.
A partir das 9h, uma multidão se concentrou na Praça da Sé, em frente à Catedral. Ali houve a mística de abertura da caminhada que percorreria a região do Cambuci e terminaria em frente ao Monumento do Ipiranga.
Dando início à mística, Paulo Pedrini, das Pastorais Sociais da Arquidiciocese de São Paulo lembrou o tema da edição de 2008: “Vida em primeiro lugar: direitos e participação popular”. A mística contou com evoluções artísticas afro-brasileiras e indígenas e lembrou o público de que a exclusão no Brasil não é recente, ela acontece desde a colonização da América Latina, na passagem do século XV para o XVI.
Diversas lideranças fizeram uso da palavra durante a mística, com destaque para a mensagem de Anderson, do Movimento da População em Situação de Rua. O líder foi enfático ao afirmar que o tratamento dado à população em situação de rua no centro de São Paulo mostra que “a cidade não é para o catador, não é para quem vive na rua: a cidade é para uma elite”. Para Anderson, o Grito dos Excluídos 2008, ano em que se comemoram os 60 anos da Declaração dos Direitos Humanos vem nos lembrar que “o catador, o morador de rua tem direito à cidade”.
Indignado pela violência à população em situação de rua que tem sido constante no centro de São Paulo, o líder pediu um minuto de silêncio em respeito aos quatro catadores de materiais recicláveis que, na madrugada do dia 04 de setembro foram baleados enquanto dormiam, sob a marquise de uma agência bancária na região da Lapa.
Caminhada e Ato Político
Os participantes, animados por cantos e mensagens, seguiram em caminhada até o Ipiranga, onde um segundo caminhão de som já animava as pessoas ali presentes.
Por volta do meio dia, deu-se início ao Ato Político, última atividade do dia. Dezenas de lideranças de movimentos sociais, entidades, sindicatos, pastorais sociais e outros se revezaram ao microfone, apontando os diversos aspectos em torno da exclusão e dos desafios que se impõem a todos que lutam por uma sociedade mais justa e igualitária.
Foi o momento em que, novamente, lideranças deixaram sua mensagem, representando os seus coletivos de luta.
Maria Helena, do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto – MTST – lembrou que a origem da exclusão está no sistema econômico atual. Para ela, “a defesa da vida é uma luta contra o capitalismo”. “Nossos governos, as nossas leis e as estruturas que são usadas na nossa sociedade colocam a propriedade em primeiro lugar e a vida depois”, reforçou.
O catador de material reciclável Cleverson falou em nome do Serviço Franciscano de Solidariedade – Sefras. “Parabenizo a todos vocês pela união, que não é só dos catadores”, afirmou Cleverson. “Muita gente está aqui prestigiando a força da gente”, concluiu.
O representante do MST, João, condenou a opção brasileira pelo agronegócio em detrimento da reforma agrária que ainda não aconteceu. Segundo João, apenas em 2008, o Governo Federal já gastou “65 bilhões no agronegócio e apenas 13 bilhões para a agricultura familiar. “Todos temos que reforçar nosso trabalho de base de conscientização junto à população e isso se faz com luta e a mobilização”, concluiu.
Ao final do Ato, o conjunto de Música Latino Americana Canto Livre saudou a luta de todos os povos latino-americanos. |