Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
               

Projeto participa de mesa no “11º Congresso Brasileiro de Hansenologia”

Artur Custódio, Coordenador Nacional do MORHAN
Da esquerda para a direita: Dra. Adriana Ballerini, Dra. Maria Roseli Peri, Artur Custódio, Aguinaldo Campos e Jorge Dias

Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site

São Paulo (SP) -
O Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase participou, como convidado-expositor, do “11º Congresso Brasileiro de Hansenologia” integrando a mesa redonda “Sociedade e Hanseníase”.

O coordenador nacional do MORHAN, e da mesa, Artur Custódio, abriu o encontro falando sobre os objetivos do tema a ser desenvolvido pelos componentes da mesa e passou a palavra ao Diretor-Executivo de Administração da FEBRAFARMA, Jorge Dias, que fez um relato sobre a experiência com a “Carreta Febrafarma”, um projeto em parceria com o MORHAN, que surgiu para oferecer uma série de ações como consultas, diagnóstico, exames e tratamento em regiões endêmicas e menos favorecidas do país. “Além disso, a carreta realiza um trabalho educativo com palestras e ações de esclarecimento e orientação sobre a Hanseníase”, enfatizou. O entretenimento também faz parte das ações e a carreta exibe filmes para as populações dos municípios por onde passa. “O caminhão também cumpre uma função de chamar a atenção das pessoas sobre o problema da Hanseníase. Acaba funcionando como uma ação de propaganda também”, completou. As atividades começaram pelo município de Itaboraí, no Rio de Janeiro, em 2007, e daí foram estendidas para o norte/nordeste conseguindo excelentes resultados quanto à detecção de novos casos, além da informação que faz chegar às pessoas de municípios distantes. “É bom lembrar que esse projeto acontece com o apoio do CONASEMS (Conselho Nacional de Secretarias Municipais de Saúde)”, finalizou. 

Em seguida, a representante da UNIMED, Dra. Adriana Perroni Ballerini, participou falando da parceria com as clínicas cooperadas que têm distribuído folhetos informativos sobre a Hanseníase nas unidades.

Ministério Público de Defesa da Saúde age em Tocantins

A representante da Associação Nacional do Ministério Público de Defesa da Saúde, Maria Roseli Peri (TO), falou sobre a atuação do Ministério Público de Defesa da Saúde no estado de Tocantins, um órgão que pode atuar judicialmente e extrajudicialmente chamando às responsabilidades os agentes públicos. “O maior problema é que o servidor público não tem patrão. É preciso combater o discurso vazio de queixas salariais como impeditivo para cumprir as obrigações legais”, afirmou. Citou o exemplo da experiência de treinamento dos médicos de Tocantins que, segundo denúncia da coordenadora do Programa de Controle da Hanseníase do estado, Adriana Cavalcante Ferreira, negavam-se a participar das capacitações. O caso foi parar nas mãos da Dra. Maria Roseli que enviou intimações para o prefeito e o secretário de saúde. No dia seguinte, todos os médicos compareceram para o treinamento. Levantou a questão do diagnóstico tardio e suas consequências para o paciente de Hanseníase. “Alguém aqui conhece algum caso em que o CRM tenha responsabilizado um médico? É claro que não!”, enfatizou. Disse que isso ocorre porque as gestões trabalham separadas, daí também as dificuldades de acesso, falta de remédios, tudo isso porque o promotor só pode atuar na sua área. “Pedi à coordenadora, Adriana, que avisasse a todos os secretários de saúde de Tocantins o que tinha ocorrido em Palmas e os índices de participação dos médicos, no estado, subiram. Isso também revela se o Ministério Público está defendendo, ou seja, cumprindo com sua obrigação e, assim, contribuindo para o controle da Hanseníase”, arrematou.

Projeto da Hanseníase tem reconhecimento dos participantes do Congresso

O Coordenador Pedagógico do “Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase”, Aguinaldo Ap. Campos, apresentou um histórico da atuação nos estados e as diferentes linhas de ações desenvolvidas pelo Projeto, reafirmando o compromisso da Província da Imaculada Conceição do Brasil em ajudar com vistas à eliminação da Hanseníase, levando informação para a detecção precoce da doença. Lembrou que em 2009 será comemorado o jubileu de 800 anos de fundação da Ordem Franciscana e que muitas serão as oportunidades para desenvolvimento de ações que contribuam para a disseminação de informações sobre a Hanseníase. 

A platéia fez considerações sobre as apresentações, entre elas, a Dra. Adriana Kelly, consultora do Ministério da Saúde, destacou o Projeto da Hanseníase: “o projeto dos Franciscanos é importantíssimo porque ele chega onde o ministério não consegue alcançar. O Aguinaldo é modesto e não disse, mas é preciso reconhecer isso porque as ações governamentais carecem desse auxílio e colaboração de projetos sociais, enfim, da colaboração de toda a sociedade”.  

Artur Custódio encerrou o encontro observando que a diversidade de amostragem de atuação da mesa comprova que a sociedade civil está se articulando para a eliminação da Hanseníase. Referiu-se à visita do Embaixador das Nações Unidas, Sr. Sasakawa, que disse que o Brasil é o único país cujo Presidente da República já visitou os hospitais-colônia, o que demonstra que é preciso aproveitar o momento histórico e político para avançar rumo à eliminação da doença. “É preciso valorizar os profissionais de saúde. Apesar do empenho governamental, serão necessárias ações articuladas, como ocorre em Cuba, onde o governo dá também comida para acabar com a doença. Essa articulação deve ser estendida à valorização dos profissionais, dos gestores, de toda a cadeia que pode ser mobilizada para esse fim”, concluiu.

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