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| Frei Hipólito faz a abertura do encontro |
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Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site
São Paulo (SP) -Olhares curiosos, conversas e sorrisos em tom descontraído. A turma de Acadêmicos de Enfermagem da Universidade Vila Velha e alguns líderes comunitários e de pastorais aguardavam ansiosos o início da “Oficina de Fantoches” para ações do Projeto de Eliminação da Hanseníase.
Aquela manhã de 05 de março começava quente e abafada em Vila Velha. O guardião do Santuário do Divino Espírito Santo, Frei Hipólito Martendal, ofm, deu as boas – vindas a todos falando sobre a importância do Projeto de Eliminação da Hanseníase. “É muito gratificante ver uma turma grande se dedicando ao trabalho com os hansenianos, tão marginalizados e desprezados, ainda, por nossa sociedade. É preciso levar informação às pessoas para que saibam que essa doença tem cura e o tratamento é gratuito” disse convidando a todos para um breve momento de reflexão e oração.
Após a introdução de Frei Hipólito, que deixou o grupo para participar de outros compromissos, Maria Célia Dalvi Brunelli, Coordenadora Municipal do Controle de Hanseníase, fez uma dinâmica de apresentação para que o grupo pudesse se conhecer e interagir. Foram distribuídos papéis dobrados com partes de ditados populares. Cada pessoa precisava descobrir a parte que completava o seu dito. A partir das duplas formadas, uma rápida conversa animou a todos que procuravam conhecer o companheiro para poder apresentá-lo aos demais.
Realizada a aproximação do grupo, o Coordenador do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, Aguinaldo Ap. Campos, falou sobre o Projeto, sobretudo, lembrando que o trabalho tinha uma identificação no carisma do cuidado para com o outro, legado de São Francisco de Assis. “2009 é um ano muito importante para a Ordem Franciscana que tem a oportunidade de realizar uma volta às origens, meditando sobre o encontro de São Francisco com o leproso e o especial carinho que passou a destinar aos excluídos daquele período.
É o momento de intensificar as ações para a eliminação da Hanseníase”, explicou. Mas, antes que o grupo pudesse “pôr a mão na massa” confeccionando os bonecos, Aguinaldo convidou-os para uma dinâmica que tinha o intuito de saber o quanto sabiam sobre a Hanseníase. Divididos em seis grupos, cada um escolheu um membro do corpo humano, desenhou-o em uma cartolina e respondeu a perguntas previamente elaboradas. Ao final, os grupos apresentaram o resultado, colando as partes do corpo, percebendo a interação entre os membros e as reflexões que surgiram em conjunto.
Como o grupo demonstrou conhecimento considerado satisfatório para o trabalho desejado, Maria Célia exibiu um documentário para encerrar a primeira parte da oficina: “A vida não pára”.
Colocando a mão na massa
Soneli Rosa Teixeira, orientadora social do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, já esperava os participantes da oficina após o almoço. Expostos sobre uma bancada, diversos tipos de fantoches aguardavam para ser apresentados ao grupo. Ela falou da oficina acontecida em Curitiba, em 2008, dizendo que a proposta seria diferente pois o tipo de boneco com o qual o grupo trabalharia era mais atrativo para as crianças.
Após a apresentação e as comparações, inclusive, quanto ao custo mais baixo, os participantes puderam manusear os bonecos e começar a pensar naqueles que confeccionariam. Soneli, então, iniciou a distribuição do material para cada um e a apresentação, etapa por etapa, do processo de construção dos fantoches.
Motivados e mergulhados na atividade, o grupo ia aos poucos enfrentando os desafios que surgiam: “como cortar a espuma sem deformá-la?” “Como colar?” “Por que a espuma manchou?” “Os bonecos estão com “cara de nada.”” “Acho que não vai sair nada” e por aí vai. Mas, de repente, os bonecos começaram a tomar forma e o grupo foi crescendo, junto com as criações, em entusiasmo e vontade de ver o trabalho finalizado. Ao ver os bonecos prontos, os rostos demonstravam alegria e satisfação pelo objetivo cumprido. “Agora, é hora de criar o seu boneco, de dar características que o distingam, de corrigir pequenas imperfeições, de dar cara e um jeito próprio a ele”, dizia Soneli em meio a mãos que a puxavam, de vozes que chamavam seu nome.
O grupo passou a finalizar os bonecos, criando cabelos, colando olhos, desenhando, recortando e colando roupinhas, vestindo-as e, até, pintando manchas de Hanseníase no corpinho de alguns. “Esse é o momento de vocês imaginarem esses bonecos dentro de um contexto, de uma história sobre a Hanseníase que será construída para ser apresentada amanhã”, ensinava Soneli ao despedir o grupo para o reencontro no dia seguinte.
As histórias querem ser contadas
A bancada já estava pronta, com muitos tecidos e materiais, quando os participantes chegaram, no dia 06/03, para finalizar os bonecos e criar histórias sobre a Hanseníase para serem apresentadas como encerramento da oficina. “Gente, fui dormir à 1:30h. Fiquei tão louca com meu boneco que tinha de fazer a roupinha de qualquer maneira”, dizia uma participante, realizada, exibindo o vestido confeccionado em casa. Outra mostrava o adereço, um chapéu, feito especialmente para o seu boneco. Essas iniciativas também motivaram os demais que já estavam terminando suas criações. Era já o momento de mostrar os bonecos uns para os outros. Criaturas eram exibidas por seus criadores, sorridentes, pelo trabalho realizado.
Divididos em três grupos, cada qual começou o trabalho de imaginar uma história em que os bonecos tivessem a sua participação. Era também o momento dos ensaios que transcorreram entre muita animação e, claro, imaginação.
O primeiro grupo a se apresentar, após o almoço, exibiu uma palestra em que o “Dr. Leto” sanava as dúvidas dos outros bonecos sobre Hanseníase. Com seu vozeirão, e muito bom humor, ele controlava também as impertinências das bonecas.
A história da menina adolescente que assiste a uma palestra na escola e volta para casa achando que está com Hanseníase prendeu também a atenção de todos. Com muito bom humor, a menina tentava convencer a mãe a levá-la ao Posto de Saúde.
O último grupo apresentou a história da boneca Florentina, a Flor, que além de descobrir que estava com Hanseníase foi abandonada pelo namorado, Vanderley Gustavo, que dizia ser uma “pereba” a mancha que ela tinha no rosto.
A descontração e o bom humor fizeram parte das reflexões que se seguiram às apresentações, momento em que todos puderam falar sobre sua expectativas e os objetivos alcançados com a oficina.
Ainda havia tempo para a dinâmica de encerramento, em que todos foram convidados a expressar, em uma palavra, o desejo de ajudar na eliminação da Hanseníase. Os papéis foram colocados em balões e todos puderam brincar sem deixar os balões caírem no chão. Aos poucos perceberam que, assim como as histórias narradas no teatrinho pelos bonecos, os balões representavam muito: sonhos, desejos, conquistas, força para enfrentar os desafios mas, também, ao caírem ao chão, as dificuldades que se apresentam no dia-a-dia. “Não dá para agarrar todos os balões e evitar a queda, ou seja, não dá para dar conta de tudo sozinho, mas dá para fazer o meu máximo ajudando a levantar os balões que puder. É preciso sempre ver o outro, colocar-se à disposição para perceber o como se pode ajudá-lo e não o como eu quero ajudá-lo”, encerrou Aguinaldo.
A Coordenadora Estadual de Controle da Hanseníase, Marizete, agradeceu o empenho do SEFRAS local e do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase pela realização da oficina de fantoches. “É um sonho antigo. Eu ficava morrendo de inveja quando os outros coordenadores estaduais falavam das oficinas. Eu queria fazer aqui e agora vamos poder usar mais essa estratégia, além do teatro com a boneca “Lili””.
Todos puderam participar desse momento de partilha da experiência vivida e expressar o desejo de atuação concreta para ajudar no controle da Hanseníase. De todos os depoimentos, de cada gesto dos envolvidos na oficina, de cada sorriso e abraço sincero ao se despedirem, ficou a certeza de que muitas histórias ainda serão contadas.
Participaram dessa oficina os Acadêmicos de Enfermagem da UVV-ES e líderes comunitários paroquiais: Meire, da Pastoral da Criança de Vila Velha e Rosângela, da Pastoral da Criança de Cariacica; Ana Lúcia e Leto, da Paróquia de Nossa Senhora do Rosário; Conceição, da Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes; Rosângela, do Santuário do Divino Espírito Santo; Maria Conceição, do SEFRAS/Hanseníase Vila Velha; Maria Célia Dalvi Brunelli, Coordenadora Municipal do Programa de Controle da Hanseníase; Marizete Altoé Puppin, Coordenadora Estadual do Programa de Controle da Hanseníase e Professora da UVV; Maria Tereza Coimbra, Professora Dra., Coordenadora do Projeto de Pesquisa Universitária em Hanseníase da UVV e Giovanna, Coordenadora do Programa DST/AIDS de Vila Velha.
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