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O “terço gigante” na subida do convento |
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Voluntários distribuem folderes na
subida para o convento |
Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site
Vila Velha (ES) - Antes mesmo da Festa da Penha, no Convento de Nossa Senhora da Penha, em Vila Velha, no Espírito Santo, a equipe local do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase, com o apoio da coordenação municipal do Programa de Controle da Hanseníase, já participavam do “oitavário”, o evento em preparação da “Festa da Penha”, criando um espaço para a divulgação do trabalho realizado pela Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil pela eliminação da Hanseníase. No início ou no final das missas, os padres coordenadores das cinco áreas pastorais da Diocese colaboraram falando aos fiéis sobre a importância da leitura dos folderes que recebiam na “subida da Penha”, com informações sobre esta que é uma das doenças mais antigas da humanidade. Eles chamavam a atenção para a figura de São Francisco abraçando um leproso, no “Tal” do terço gigante, especialmente preparado para a festa e colocado nas palmeiras, ao pé da subida do convento, insistindo que aquele abraço de São Francisco era o sinal de que também hoje não podemos ter preconceitos com nossos irmãos atingidos por essa enfermidade.
Mas o início das comemorações pelo 4º ano do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase aconteceu dias antes, no domingo, 29/03, quando todas as comunidades da Paróquia Nossa Senhora do Rosário celebraram procurando dar ênfase, em todas as missas, às informações sobre a doença, seus sinais, sintomas e tratamento.
Em todos esses momentos, a equipe do Projeto aproveitou para fazer panfletagem pois, a cada dia, muitas pessoas de municípios diferentes estavam presentes, oportunidade de fazer com que as informações fossem levadas por esses fiéis para locais de todo o estado do Espírito Santo, sobretudo, aqueles mais endêmicos, no norte do estado.
O terço gigante de Vila Velha
Já considerado um símbolo da Festa da Penha, o terço gigante, colocado anualmente entre as palmeiras, no sopé do Convento, atrai a curiosidade e fé dos participantes da festa. O idealizador do terço, o médico Osmar Salles, disse que, este ano, decidiu colocar o “tau” franciscano no lugar da cruz, uma forma de homenagear os 800 anos de existência da ordem franciscana, comemorados em 2009. Além disso, afirmou que a imagem de São Francisco abraçando o leproso, no tau, lembra esse momento de conversão e superação do próprio preconceito do santo em relação aos leprosos da época. “Isso deve ser para nós motivo de reflexão: a Hanseníase tem cura. Só o que impede o tratamento é a ignorância e o preconceito.”, finalizou.
Combate à Hanseníase durante a Festa da Penha
Aproveitando o grande número de fiéis, de todas as partes do país, que costumam participar dos festejos do Convento da Penha, a equipe local do Projeto Franciscanos pela eliminação da Hanseníase se mobilizou para fazer um trabalho de “corpo a corpo”, distribuindo material informativo e conversando com as pessoas que, ao saírem das missas, sentiam-se motivadas para saber mais sobre o assunto.
Ainda se pode perceber em muitas pessoas o desconhecimento da enfermidade, o que causa certa retração por medo do preconceito que ainda a acompanha. Em meio a dúvidas e medos compartilhados, a equipe ouviu o testemunho de dona Santinha Sossai que afirmou ter sido atingida pela Hanseníase e estar curada: “Eu prestei atenção na palestra sobre a Hanseníase e procurei atendimento médico. Mas eu levei o tratamento a sério e estou curada. Não fiquei com medo do preconceito: contei logo a todos e não fui discriminada”.
Mas dona Santinha ainda é uma exceção. A maior parte dos atingidos pela doença continua se escondendo por medo da discriminação que ela diz não ter sofrido. Um dos fatores que talvez expliquem é o fato de ser uma doença muito antiga, com referência nos textos bíblicos e, não se pode deixar de destacar: há muito pouco tempo, os doentes de Hanseníase ainda viviam reclusos, afastados do convívio familiar e social. “Na cruz do terço, ele colocou a figura de São Francisco com o leproso porque esse é o início da conversão de São Francisco e também porque mostra que ele cuidou daquele homem. É isso que precisamos fazer: acabar com o preconceito pois quando o paciente faz o tratamento e toma os remédios ele fica curado”, arrematou Maria Conceição Zampieri, Coordenadora do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase em Vila Velha.
Esse é um dos pontos trabalhados pela equipe local do Projeto que busca informar e combater o preconceito com aquele jeitinho franciscano de acolhida ao próximo. A informação é fundamental pois o estado do Espírito Santo é líder entre os estados da região sudeste em casos da doença: só em 2008, 1.080 novos casos foram diagnosticados. “O município de Vila Velha é endêmico e prioritário para o Ministério da Saúde. Trabalhamos no sentido de levar informação e orientação para que as pessoas procurem a Unidade de Saúde”, dizia Maria Célia Dalvi Brunelli, Coordenadora do Programa de Controle da Hanseníase no município e parceira do Projeto.
Dessa forma, o Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase vem somando forças com os governos municipais e estadual para divulgar os sinais e sintomas da enfermidade utilizando material educativo especialmente desenvolvido para esse fim, aproveitando momentos, como o da Festa da Penha, em que até os coletivos da Grande Vitória acabaram participando da campanha afixando cartazes do Projeto com informações sobre a doença. O trabalho teve seu reconhecimento na cobertura dada pela imprensa local: Rádio América, Rádio Líder, Rádio Espírito Santo e a afiliada da Rede Globo no estado, TV Gazeta de Vitória.
Para saber mais sobre a cobertura do evento, acesse:
ESTV II - Terço gigante que está no Convento da Penha chama a atenção para uma da doença - 14/04/2009
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