Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
               

Projeto da Hanseníase é apresentado no Capítulo da Província Santa Cruz

Por Aguinaldo Ap. Campos, especial para este site

São Paulo (SP) – No último dia 20, o coordenador do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase esteve em Santos Dumont, cidade próxima a Juiz de Fora, Minas Gerais, onde estavam reunidos em capítulo os frades da Província Franciscana de Santa Cruz, no Seminário Seráfico Santo Antônio.

Convidado a falar sobre o projeto para os capitulares, Aguinaldo Campos encontrou uma plateia atenta e desejosa de saber mais sobre o trabalho desenvolvido pela Província da Imaculada Conceição do Brasil.

O estado de Minas Gerais apresenta áreas de grande endemicidade. Os dados atualizados pelo Ministério da Saúde foram mostrados e discutidos com a assembleia, levando a refletir sobre a gravidade da doença no estado, sobretudo, porque tem afetado a muitas crianças menores de quinze anos. “Hanseníase não é doença de criança. O bacilo demora muito tempo a se manifestar até que apareçam os primeiros sinais, portanto, se uma criança adoece é porque há adultos doentes e é aí que precisamos atuar: precisamos encontrar as fontes de infecção e tratar. A partir do início do tratamento, a pessoa já deixa de transmitir o bacilo. Nosso projeto atua exatamente nesse sentido, levando informação para interromper a transmissão da Hanseníase.”, explicou Aguinaldo. 

Além da Província da Imaculada, o projeto já se desenvolve nas Províncias de Nossa Senhora da Assunção e de Santa Cruz. A Província de Santo Antônio do Brasil recebeu também a visita para apresentação do trabalho e os frades colocaram-se à disposição para o início das atividades, o que ajudará a ampliar as ações para os estados do nordeste.

Como a criação de um mosaico, exigente quanto à paciência, a determinação, o empenho para a construção de uma peça única e bela, o Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase vem sendo construído de forma a atualizar o abraço de São Francisco ao irmão leproso, reavivando o carisma franciscano por meio das informações que leva às pessoas.

Os frades capitulares debatem o Projeto

O assunto saúde é sempre mobilizador: muitas foram as questões levantadas acerca da Hanseníase, quer sobre a forma de transmissão, os sinais e sintomas, o tratamento, quer sobre a situação do Brasil em relação à doença, até a possibilidade de erradicação. Quanto a este último questionamento, o Ministro Provincial, Frei Francisco Carvalho Neto pediu que fosse esclarecida a diferença entre erradicação e eliminação da Hanseníase.

  Embora o número de casos novos de Hanseníase no país tenha caído 23% entre 2003 e 2008, o Brasil ainda é o segundo colocado, em âmbito mundial, apenas atrás da Índia. Na América, o país é líder absoluto tendo detectado 39.992 novos casos em 2008, segundo dados do Ministério da Saúde.

  Esses números remetem à explicação sobre a questão levantada por Frei Francisco: o bacilo de Hansen apresenta um desenvolvimento muito lento, de até cinco anos para que os primeiros sinais se manifestem. Assim, ele não é cultivável “in vitro”, o que inviabiliza o desenvolvimento de uma vacina, única possibilidade de erradicar uma doença. Segundo os especialistas, nos próximos cinquenta anos, essa possibilidade é bastante remota justamente porque ainda se terá pessoas transmitindo o bacilo. Aí entra a explicação sobre a eliminação: ela pode acontecer porque há medicamentos eficazes, capazes de interromper a transmissão da enfermidade. Caso todos os indivíduos portadores do bacilo sejam diagnosticados e tratados, alcançar-se-á a eliminação enquanto um problema de saúde pública. Mas fica o alerta: a Hanseníase é uma doença crônica, que precisa de acompanhamento constante uma vez que, mesmo curado, ou seja, não transmitindo mais o bacilo, o paciente pode vir a desenvolver incapacidades em função do grau de infecção a que foi exposto.

 Frei Eliseu Tijdink lembrou que o trabalho desenvolvido pelos frades nos hospitais-colônia terá sempre sua importância, mas que os dados e a discussão apontam para a necessidade de ampliar as linhas de ação, ir ao encontro das pessoas em qualquer lugar, pois a Hanseníase não tem apenas um histórico de segregação, está em qualquer parte onde se percebe, inclusive, as precárias condições de vida da população.

Aproveitando a reflexão, frei Francisco Van der Poel quis saber se o projeto tem afinidade com o MORHAN, o movimento social de reintegração das pessoas atingidas pela Hanseníase. Foi-lhe explicado que o MORHAN é, antes de mais nada, um dos parceiros do projeto, com o qual atua em algumas ações e mantém interlocução frequente pois trabalha pelo mesmo objetivo: um dia ver eliminada a Hanseníase.

Entre tantos outros questionamentos, foi enfatizada a necessidade de trabalhar contra o estigma e o preconceito que ainda acompanham a Hanseníase, talvez o maior desafio da evangelização, pois pacientes continuam a ser discriminados por profissionais de saúde, pela comunidade, às vezes, pela própria família.

O adiantado da hora exigia que o grande interesse dos frades capitulares pelo assunto fosse abreviado e havia ainda a urgência de falar sobre as ações já desenvolvidas em Minas Gerais pelos frades responsáveis pelo projeto desde 2008: Frei Francisco Duarte Júnior e Frei Eron Costa Cerrato. Ambos têm se dedicado com verdadeiro espírito franciscano, levando ações à região do Vale do Jequitinhonha e ajudado muito concretamente no combate à Hanseníase.

A calorosa despedida dos frades capitulares foi precedida do pedido de apoio ao trabalho dos frades coordenadores do Projeto Franciscanos pela Eliminação da Hanseníase em Minas Gerais nesse tão importante momento em que, reunidos, pensam os rumos da província para os próximos anos. À propósito vem o texto pré-capitular de frei Celso Márcio Teixeira “A Graça das Origens”: “Mais do que por recordar as origens com gratidão, porém sem descartar esta atitude, nosso retorno às origens deveria ser marcado por uma atitude crítica. Esta consistiria em buscar com discernimento o que constitui a proposta original do nosso carisma. Incluiria um estudo ou aproximação da maneira como esta proposta se concretizava naquela época e do impacto que aquela novidade causava na Igreja e na sociedade em geral.”
Assim seja!

A todos os frades da Província Franciscana de Santa Cruz o nosso mais sincero agradecimento e o desejo de trabalharmos juntos pela eliminação da Hanseníase.


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