Por Rosangela Pezoti, especial para este site
O Dia Internacional da Mulher foi proclamado durante a II Conferência da Mulher Socialista, em Copenhague, no ano de 1910. A data representa a mobilização e a luta das mulheres pela conquista de direitos, em justa homenagem às 129 operárias de Nova York, mortas em uma fábrica de tecidos, em 1857.
As operárias que estavam em greve ocuparam a fábrica reivindicando melhores condições de trabalho, como, redução da carga horária diária de trabalho para dez horas (as fábricas exigiam 16 horas de trabalho diário), equiparação salarial com os homens (as mulheres recebiam até um terço do salário do homem para realizar o mesmo trabalho), e, tratamento digno no ambiente de trabalho. A manifestação foi reprimida com total violência. As mulheres foram trancadas dentro da fábrica, que foi incendiada. As operárias morreram carbonizadas.
Por isso, esta data não é apenas de comemorações, mas de reivindicações históricas que as mulheres realizam, de forma silenciosa no seu dia-a-dia, ou, organizadas nos mais diversos movimentos populares pelo Brasil que reivindicam o direito à terra, ao trabalho digno, à habitação, à saúde e educação com qualidade, à alimentação e à água, entre tantos outros. As mulheres também lutam contra a violência física e sexual que acontece no ambiente doméstico, contra si e seus filhos; as práticas preconceituosas propagadas pela mídia e reproduzidas socialmente; enfim, lutam pelo respeito, pela justiça e pela igualdade.
Os projetos e serviços do Sefras acolhem mulheres com as mais diferentes feições: são mulheres meninas, adultas e idosas; em situação de rua, abandono ou solidão; trabalhadoras que precisam de atendimento para os filhos, que buscam trabalho, ou que separam materiais reciclados durante um dia inteiro; que sofrem violência em casa, nas ruas, no ambiente de trabalho e serviços públicos. Também são as mulheres que, em maioria, estão no dia-a-dia dos projetos, como trabalhadoras e voluntárias do Sefras, coordenando, planejando, acolhendo, intervindo, cuidando, escutando, se articulando e lutando pela efetivação de políticas públicas em nossas cidades, enfim, sonhando com a possibilidade de um mundo diferente deste que vivemos.
Por isso, nesta semana, além das manifestações que ocorrerão em nossa cidade, os serviços e projetos estarão desenvolvendo uma programação especial em comemoração ao Dia Internacional da Mulher com oficinas para discussão de direitos, projeção de filmes, passeios e comemorações.
Com estas atividades pretende-se lembrar a todas “que é preciso ter manha, é preciso ter graça, é preciso ter sonho sempre. Quem traz na pele essa marca, Maria, Maria, possui a estranha mania de ter fé na vida...” |