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Os
Cristãos e a Solidariedade com os pobres
Não sei se há ou deve haver uma solidariedade comum a
todos os religiosos ou todas as religiosas. Cada instituto
tem sua inspiração específica e a sua maneira de se relacionar
com os pobres: esta maneira tem o seu fundamento na vida,
na prática e nas exortações dos fundadores ou das fundadoras.
Porém, todos os que fazem profissão religiosa aceitam
a orientação evangélica que é comum a todos os cristãos.
Por isso, prefiro não buscar o que seria específico dos
religiosos, mas antes o que é específico dos cristãos.
Hoje em dia, estamos assistindo ao surgimento de uma nova
classe: os novos pobres, que são o produto do modelo dito
de globalização ou neoliberal que se está implantando
no mundo inteiro pela pressão das grandes entidades financeiras
que conseguiram dominar as nações, os Estados e até a
opinião pública dos povos que, voluntária e cegamente
se entregaram aos seus algozes.
1. Os novos pobres - Até há poucos anos
atrás, quando se fala em pobres na América Latina, refere-se
à herança social e econômica do sistema colonial, que
não foi superado e sim renovado nos primeiros 150 anos
da independência. Os "antigos" pobres são os camponeses
submissos ao latifúndio ou os camponeses que fugiram ou
foram expulsos da terra e se refugiaram nas cidades.
Esses pobres nunca foram ricos, nunca estiveram numa situação
realmente humana. Os seus pais, avós e antepassados sempre
foram pobres: são os subdesenvolvidos.
Nos últimos 40 anos, a opinião comum pensava que, com
o "desenvolvimento" se poderia vencer essa pobreza e dar
acesso a uma condição humana a todos os "subdesenvolvidos".
Os mais radicais achavam que tal desenvolvimento exigiria
uma revolução prévia porque as classes dirigentes nunca
promoveriam as reformas necessárias a um verdadeiro desenvolvimento.
De todas as maneiras, achava-se que, com políticas adequadas,
poderia-se superar o problema da pobreza. Bastaria definir
e aplicar uma boa política social. A educação seria um
dos grandes instrumentos da elevação social dos pobres.
Políticos, trabalhadores sociais, sindicalistas, educadores,
psicólogos, sociólogos, antropólogos pensavam que, com
todos os recursos que estavam à sua disposição, eles ou
elas poderiam libertar os pobres da sua miséria e dar-lhes
a possibilidade de uma vida verdadeiramente humana.
Passaram 40 anos. Não somente os antigos pobres ainda
estão aí, mas a eles se juntaram os novos pobres. A própria
existência dos novos pobres põe em discussão todas as
teorias antigas sobre desenvolvimento, libertação dos
pobres, eliminação da pobreza. As próprias doutrinas sociais
da Igreja tinham adotado as teorias comuns do tempo: os
pastores exortaram os cristãos a colaborarem com as obras
ou as políticas de "desenvolvimento" econômico, social,
cultural, integral, tudo com a convicção de que os agentes
sociais poderiam resolver o problema da pobreza graças
aos seus conhecimentos científicos e técnicos, graças
aos recursos dos governos e da caridade cristã. Achavam
que obras como Caritas, Misereor e outras poderiam realmente
contribuir para superar o desafio da pobreza na América
Latina. Hoje, em dia, tudo isso caiu por terra. Não somente
a antiga pobreza não foi superada, mas uma nova pobreza
surgiu ao lado dela, uma nova pobreza que se revela mais
aguda, mais triste, mais profunda do que a antiga. >>
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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