Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 24/05/2012
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  O BELO E O BOM  
  FRANCISCO NA ARTE  
   
   
   

Algumas considerações em torno da arte franciscana

Por Frei Vitório Mazzuco, ofm

Quando alguém é unificado por uma intensa experiência afetiva-espiritual torna-se uma Fonte! O Movimento Franciscano tem a sua base em alguém: a experiência concreta-vital de Francisco de Assis, um Homem de Coração Enamorado pela Vida e pelo Deus da Vida! O seu forte amor progressivo e cheio de energia faz com que ele e seus seguidores e seguidoras tornassem criadores e criativos.

A fonte da Arte Franciscana é a paixão! O apaixonado é sensível, antenado, real e contemplativo. Escolhe o natural e transforma o natural numa linguagem. O natural sempre nos atinge e nos refaz. Existe a Beleza do Simples? O que é a beleza do simples? É descobrir e fazer aparecer o modesto na sua força. Uma fragilidade que é potência. A grandiosidade da vida, a grandiosidade do mundo e das pessoas só é dada para quem tem olhos para essa Beleza.

O grande mestre de Paris, Alexandre de Halies, sintetiza esta idéia criando a reflexão sobre o BELO E O BOM, a estética franciscana. O que é o Belo e o Bom? Ele mesmo, o grande Mestre de Paris, entra no hábito franciscano como símbolo da Encarnação do Belo. Para ele, Francisco e os Primeiros Frades, eram a re-descoberta para o que a vida tem de melhor: convocação de Deus e convocação do amor.

É preciso transmitir a Luz desta convocação fazendo transparecer o Brilho das Coisas e das Pessoas!

O Belo é transparente e transcendente. O Belo é Uno e Vero. O Belo é sempre percepção, é sempre um chamado, um apelo, um grito para perceber o real, o palpável, o sensível. Não podemos estar no grito do abandono de todas as coisas, é preciso vê-las percebê-las!

A forma do Belo (ver a beleza de tudo o que é) se torna amada e ímitada, cria discipulado e arrasta. Não basta só um entusiasmo inicial. É preciso um dinamismo constante, um impulso de vida exercitado na convivência com o valor das coisas.

Quanto mais você entra neste dinamismo mais se torna VIVAZ (percebe dentro) e mais a Vida Floresce. Então se descobre a arte da Vida. O que é a arte? O que é o artista da vida? É aquele que está imerso nas estruturas da vida e nelas coloca a sua profundidade. É preciso ter e conhecer a Arte para se ter um Projeto de Vida.

O franciscanismo é um modo cultural e espiritual de estar na vida. Não é só aplicação técnica de uma filosofia ou postura de vida, mas é Arte Divina e Arte Humana, é Lógica de Amor, isto é, um grande encontro entre o Humano, o Divino e a Fraternidade. Por isso, o Belo não basta... é preciso er Bom!

O que faz a pessoa bonita é a bondade. A virtuosidade é a beleza maior e a mola propulsora de todos os gestos de amor. O que faz o mundo bonito é a bondade esparramada de todas as coisas: "louvado sejas, meu Senhor, pela Irmã água que é mui útil, humilde, preciosa e casta".

A fecundidade da vida vem desse movimento. A terra boa é o Coração Belo e Bom. Esta é a síntese da Perfeição. O Belo é a expressão perfeita do Bem.

O Bom é a plenitude da Caridade. Francisco dá impulso a esta reflexão. Alexandre de Halles descobre a filosofia fransciscana da Beleza como difusão do Bem: esta é a estética do simples.

O invisível, a essência, a medula, a profundidade toma forma, quantidade, cor e qualidade. Ele sai de si e atinge o humano. O amor toma forma num corpo. Torna-se figura como? Com o vigor da Simplicidade, da Transparência e da Palavra. É preciso para isso saber SENTIR, ESCUTAR E VER! Sensibilidade à flor da pele, a Palavra nos ouvidos e a Imagem nos olhos. Perceber e Amar! Escutar e crer! Ver e professar! Daí surgiu uma boa e bela espiritualidade. Para o franciscanismo ver, falar e escrever é igual a pintar. É ser um artista que pinta o mais belo quadro da Paisagem do Humano e da Paisagem do Divino.

Assim, a Palavra ressoa e refulge, encarna-se, plastifica-se. Francisco não quer possuir as criaturas mas cantar o Valor e a Beleza que elas possuem. É a arte de conhecer e reconhecer os dons e as virtudes da existência. Reconhecer é fazer então uma nova criação. É perceber que o Belo é alegria e o Bom uma sabedoria criadora. É ver todo o criado impregnado de Beleza.

Para o franciscanismo, o humano é a sinfonia de Deus e por isso deve conquistar a harmonia espelhando-se na harmonia do Natural.

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