Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 12/02/2012
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FRASES
"A Igreja é a revelação, o lugar do sagrado. O espaço do sagrado e a emergência do sagrado. A eclesiologia é o modo de como este espaço se organiza e de como é administrado."
"Cuidar da espécie humana, hoje, é necessário porque ela não é prioridade de governos. Eles não cuidam de pessoas. Eles cuidam de bancos, de Fundo Monetário, cuidam de estruturas e interesses, mas não priorizam o humano como a imagem e a semelhança do divino."

INTRODUÇÃO

O enfoque que vou dar é reflexivo, não tanto de cunho administrativo, embora com provocações que vão iluminar as práticas de cada uma e de cada um.

Esse é um dos temas necessários e importantes. A eclesialidade é um fenômeno do pluralismo. O porquê deste tema?

Para chegarmos, como diz D. Pedro Casaldáglia, a uma lucidez crítica. Gostaria também de deixar bem claro que, cada vez que me referir à experiência religiosa e à comunidade eclesial, não estou questionando ou falando da Igreja. Porque Igreja é revelação, é inspiração. A Igreja vem do Senhor. E ela está acima da nossa análise. Ela transcende qualquer postura de análise conjuntural.

Mas eu vou falar de eclesialidade ou eclesiologia, que é o modo de como a Igreja centraliza e de como ela é conduzida.

A Igreja é a revelação, o lugar do sagrado. O espaço do sagrado e a emergência do sagrado.

A eclesiologia é o modo de como este espaço se organiza e de como é administrado.

Por isso, eu dizia, a Igreja nós não questionamos, mas a eclesiologia pode ser questionada.

E a reflexão que propomos a partir deste tema está dentro da proposta da hermenêutica, da Teologia espiritual, que é o campo no qual me movo mais. A hermenêutica é a ciência das perguntas. Como diz Guimarães Rosa tem de todas as coisas. Vivendo se aprende, mas o que se aprende mais só a partir de perguntas.

Queria também cumprimentar vocês, os párocos, sacerdotes, religiosos, religiosas, leigos e leigas, que trabalham na animação da vida paroquial. Vocês representam uma encarnação vivencial de uma eclesiologia que se faz presente.

A paróquia se estende muito além das fronteiras, dos limites geográficos de onde cada um e cada uma. A paróquia se estende muito além das fronteiras humanas e sociais da comunidade e, por isso, é preciso ter em mente um conjunto de movimentos de acontecimentos que atravessam toda a história.

Diz um teólogo que cada um lê com os olhos que tem e interpreta a partir dos pés onde pisa. Então, é preciso compreender o mundo e dialogar com esse todo da história.
Contribuir, como vocês estão fazendo, e viver a dimensão paroquial de como é a proposta deste seminário: administração paroquial e das casas religiosas.

Por isso, no primeiro momento, tenho de parabenizar vocês. Por quê? Por que vocês estão cuidando da espécie humana a partir da proposta religiosa e do lugar religioso. Cuidar da espécie humana, hoje, é necessário porque ela não é prioridade de governos. Eles não cuidam de pessoas. Eles cuidam de bancos, de Fundo Monetário, cuidam de estruturas e interesses, mas não priorizam o humano como a imagem e a semelhança do divino.

Eu queria parabenizar vocês pelo tempo, pela coragem, pela dedicação, pelo paciente trabalho de estar aqui ouvindo todas as reflexões deste seminário. Porque, assim como vocês, muita gente veste a camisa da militância e fomentos e vão cuidar, preocupadíssimos, da extinção do Mico-Leão Dourado, da Ariranha Azul, da Jabutinga, tartaruga marinha, tantas espécies da fauna e da flora. E da espécie humana quem está cuidando?

Então, a eclesiologia também tem a ver hoje com esse cuidado da convivência humana solidária. Vocês não estão aqui por acaso. Vocês administram um espaço de acolhimento do humano. E a partir disso levam o seu projeto diocesano, pastoral, evangelizador, religioso, com o carisma fundacional, a mística, a espiritualidade.

Por isso, vocês são os últimos resistentes de uma trincheira, de uma luta para recolocar a humanidade novamente em pé. Então, o espaço que vocês administram, como já dizia, é realmente a convivência humana solidária.

Por isso é importante que este tema proposto entre nessa visão crítica e globalizada em que nós vivemos. Porque hoje, administrar, vivenciar uma casa e lugar religioso implica também numa formação interdisciplinar profunda. E essa é a preocupação deste seminário. Aumentar a sensibilidade para com a humanidade, especialmente para com os que sofrem e são excluídos.

Ainda nesta semana (primeira semana de setembro) nós tivemos o Grito (Grito dos Excluídos) daqueles que hoje não participam de certos privilégios da convivência. E, sobretudo, aqueles que são excluídos de megaprocessos. E nós não estamos, mesmo no espaço paroquial de nossas casas religiosas, longe das vítimas de certos megaprocessos? É aí que temos de buscar novas fontes de pregação, evangelização, de atuação, de presença, de pastoral, de acolhimento. E quem sabe esta não seja a proposta do fortalecimento de uma espiritualidade? Porque todos vocês são a encarnação da espiritualidade da acolhida.

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