Reitor da Universidade São Francisco, o carioca Frei Gilberto Garcia é também Definidor da Província da Imaculada Conceição e responde pelo Regional do Espírito Santo. Para criar a nova Fraternidade Franciscana na Diocese de Colatina, Frei Gilberto participou de todos os trabalhos ativamente. Como disse na Catedral de Colatina, na Missa Solene de instituição do novo setor pastoral, Frei Gilberto lembrou que os franciscanos estão em dívida com o estado do Espírito Santo, onde a presença franciscana é uma das mais antigas. Neste ano, o Convento da Penha está comemorando 450 anos da chegada de Frei Pedro Palácios e do Santuário da Penha. Essa dívida, contudo, deve diminuir, com a possibilidade de mais uma fraternidade franciscana no estado. Desta vez, o convite veio da Diocese de Cachoeiro de Itapemirim, através do bispo franciscano Dom Célio de Oliveira Goulart.
Por Moacir Beggo
Site Franciscanos - Qual o significado e importância deste momento para a Província ao assumir uma nova área pastoral?
Frei Gilberto Garcia - Não é uma nova área pastoral que está sendo assumida, mas um setor de pastoral ligado à Diocese de Colatina, que compreende o trabalho territorial de algumas das paróquias locais. O Governo Provincial visa corresponder à expectativa do povo do estado do Espírito Santo, por ocasião das celebrações dos 450 anos de efetiva presença franciscana no estado. Também considera que, para a Província, é preciso renovar e se abrir para novas propostas e desafios na evangelização.
O que pode significar a busca pela evangelização em novas áreas geográficas da Província. Atender ao Plano de Evangelização também é uma das metas deste projeto. Ele nos pede mais inserção nos desafios urbanos, novos areópagos, novas modalidades de presença franciscana e a contínua comunhão com os demais ramos da família franciscana. Colatina responde a tudo isso ao mesmo tempo. Também abre caminho para a retomada da expansão de nossa presença na região mais ao Norte da Província, ao mesmo tempo em que fortalece um Regional historicamente pouco assistido.
Site Franciscanos - A criação desta “quase-paróquia” em Colatina corresponde ao fortalecimento do Regional do Espírito Santo, já que é uma das metas do triênio no Plano de Ação da Província?
Frei Gilberto - Exatamente como já foi dito anteriormente. Do ponto de vista geográfico até isto foi bem pensado. Colatina dista 120 quilômetros ao Norte de Vila Velha, onde estão as nossas duas outras fraternidades. O estado tem quatro dioceses: Vitória, Colatina, Cachoeiro e São Mateus. Sendo a de Colatina 120 Kms acima de Vitória, Cachoeiro, 120 kms abaixo. São Mateus, no extremos Norte (divisa com Bahia), mais 120 kms acima da diocese de Colatina. Se conseguíssemos nos fixar em fraternidades distribuídas por diocese, haveria uma eqüidistância ideal de vida fraterna regional em uma distinta complexidade pastoral dentro do mesmo estado.
Site Franciscanos - Como se deu o interesse na diocese de Colatina?
Frei Gilberto - Há exatos dois anos, D. Décio, bispo Diocesano escrevera para Frei Augusto Koenig (Ministro Provincial) manifestado profundo interesse da presença franciscana na diocese. Ele queria reunir as três ordens franciscanas em sua diocese, num amplo projeto irradiador de evangelização. Conseguira em pouco tempo a presença das irmãs Clarissas e, mais recentemente, uma fortíssima OFS. Faltavam os frades menores como, segundo ele, os principais protagonistas deste projeto. D. Décio tem um carinho e respeito profundo pelos frades. Chega a ser surpreendente que não seja ele mesmo membro da OFM. Todos dizem isso por lá! Seu conhecimento sobre nossa espiritualidade ficou claramente atestado em sua homilia de acolhida aos frades. Seu protetorado e zelo pelas Clarissas é bem notório.
A OFS o tem como líder espiritual.
O congresso capitular acolhera na ocasião o pedido de D. Décio, mas de forma precipitada. Depois fora constituída uma comissão de estudos de viabilidade do projeto. Esta trabalhou por ano e meio até recomendar, com todos os passos detalhados, a ereção da nova fraternidade. Foi justamente o ir e vir a Colatina, por parte da comissão, que estabeleceu a clareza e a familiaridade da Província com o projeto. Foi um tempo de amadurecimento de relações com a diocese e com a comunidade local.
Site Franciscanos - Há algum estudo para assumir outras fraternidades no ES?
Frei Gilberto - Sim. A mesma comissão que entregou Colatina prontinha segue agora para avaliar paulatinamente outros pedidos. O mais adiantado deles é o de Cachoeiro do Itapemirim, que possui um bispo franciscano, D. Célio, e que ardentemente busca a presença dos frades na região. Ele já escreveu carta formal de solicitação ao Definitório, que já encarregou à mesma comissão de Colatina o início dos trabalhos de estudos de viabilidade. Em final de outubro deste ano, pouco antes do revigoramento de Vila Velha, vamos visitar D. Célio, em Cachoeiro. O método de trabalho será o mesmo empregado para o projeto Colatina. Mas também há pedidos de nova fraternidade em Linhares (120 kms ao norte de Vila Velha, no litoral), que está na diocese de Colatina. São Mateus (extremo norte) e Serra (grande Vitória) também se candidatam aos frades.
Site Franciscanos - Por ser Colatina uma região carente, mescla de urbano e rural, há um campo propício para o Sefras?
Frei Gilberto - Penso que seria muito interessante os frades conhecerem Colatina para entenderem esta mescla de desafios. Colatina é um misto dos morros de Petrópolis e de Baixada Fluminense, em seu lado urbano. Por outro lado encontramos colônias italianas empobrecidas espalhadas pelas montanhas ao longo do Vale do Rio Doce. Tudo isso num universo de 120 mil habitantes no município. A diocese, é claro, compreende muito mais que isso. A fraternidade Santa Clara nasce vocacionada para um trabalho do Sefras. Esta dimensão consta do projeto inicial. Há desafios como consumo de drogas e mendicância na região onde os frades residem.
Site Franciscanos - A nova fraternidade terá um papel importante na animação e assistência às Clarissas e OFS?
Frei Gilberto - Sim. Em consonância com os padres da diocese, os frades, por maior afinidade, terão papel maior na animação e assistências às duas famílias franciscanas.