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São Paulo, 13/02/2012
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DIÁRIO DO PEREGRINO
 

Basílica de São Francisco de Assis
O grupo e ao fundo a Basílica de São Francisco
Na porta da Basílica de São Francisco
Rocca Maggiore
Capela de São Damião
Antigo estábulo onde nasceu Francisco

Diário do Peregrino
Dia 10 de julho (quinta-feira)


Por Frei César Külkamp

Assis (Itália) - O dia de hoje foi inteiramente reservado aos lugares que marcaram a vida de Francisco na cidade de Assis.

Começamos o dia com uma subida à fortaleza chamada Rocca Maggiore, de onde pudemos ter uma vista panorâmica de toda a cidade, especialmente da Basílica de São Francisco.

Em seguida nos dirigimos para São Damião, lugar de beleza e silêncio, que convida à oração e ao recolhimento, apesar do grande número de pessoas, principalmente jovens, que passavam pelo local.

Mas, não foi difícil, na penumbra da igrejinha deixar que o Senhor que falou a Francisco falasse também aos nossos corações. O convite à reconstrução permanece desafiando tanto a nossa vida como a Ordem e toda a Igreja.

São Damião também é cheio de recordações de Clara, que aí viveu por quase quarenta anos. Seu testemunho, bem como de suas companheiras, e que atrai tanta gente até hoje é o da radicalidade evangélica na absoluta pobreza e despojamento. Na capelinha logo ao lado celebramos a Eucaristia.

Na parte da tarde fizemos a visita à grande Basílica de São Francisco e ao Sacro Convento. Fomos guiados por um frade conventual brasileiro. Foi preciso um bom espaço de silêncio para assimilar um pouco da riqueza artística deste lugar e para sentir-se também mais próximo de Francisco e seus primeiros companheiros na sobriedade da cripta.

Frei Beto Breis, nosso guia franciscano, nos conduziu ainda para outros pontos da cidade como a Igreja de São Pedro, Igreja de Santa Maria Maior, sede do bispado até os dias de hoje e lugar onde Francisco teria se despojado de suas vestes diante do pai e onde permaneceu por um tempo quando estava já gravemente enfermo.

Outros dois lugares visitados foram a casa de Bernardo de Quintavalle, seu primeiro companheiro, e a casa, hoje Igreja Nova, onde, segundo a tradição, Francisco nasceu.

Este lugar evoca toda a infância e juventude daquele inquieto filho de Pedro Bernardone: cortês, afável, pródigo com os pobres e cheio de sonhos de ascensão social.

Em meio às emoções, aos confrontos pessoais e ao crescimento espiritual de cada um, nosso grupo se torna cada dia mais entrosado, cuidadoso e compreensivo com os limites humanos, disposto para as programações e caminhadas, espontâneo na partilha de vida e das impressões colhidas, divertido na convivência, livre diante dos horários e pronto para rezar – qualidades para uma autêntica vida de fraternidade e franciscana.

Um pouco de história:
(Segundo a Cronologia das Fontes Franciscanas)

1206 - Janeiro-fevereiro: questão perante o bispo Dom Guido II (1204 a 30 de junho de 1228). Primavera (março-junho): em Gúbio, perto de Assis, cuida dos leprosos.
Verão, provavelmente em julho (a mesma época deste grupo de frades em peregrinação), volta a Assis. Veste-se de eremita e começa a reparação da Capela de São Damião (foto ao lado). Fim do processo de conversão; começo dos anos de conversão, segundo a cronologia de Tomás de Celano. (Exemplos 1C, 18, 21, 55, 88, 109).

1208 - Janeiro a fevereiro: trabalha na reparação de São Damião, San Pietro e Santa Maria Dos Anjos ou Porciúncula.

1208 - 24 de fevereiro: ouve o evangelho da missa de São Matias, na Porciúncula, sobre a missão apostólica. Muda as vestes de eremita e passa a usar as de pregador ambulante, descalço. Início da pregação apostólica. Aqui propriamente começa o estilo de vida franciscana, apostólica, de presença.

16 de abril: recebe em sua companhia os irmãos Bernardo de Quintavalle e Pedro Cattani. No dia 23, recebe o irmão Egídio na Porciúncula.

Primavera (março-junho): a primeira missão. Francisco e Egídio vão à Marca de Ancona no litoral adriático. Recebe mais três companheiros, inclusive Filipe (Longo). Outono ou inverno (entre setembro-março): segunda missão. Os sete vão a Poggio Bustone no vale de Rieti - onde o grupo de peregrinos esteve nestes dias. Depois de ter-se certificado do perdão dos pecados e do futuro crescimento da Ordem, Francisco envia os seis, e mais um que se lhes agregaria, para a terceira missão, dois a dois. Bernardo e Egídio vão a Florença.

1209 - Começos: os oito voltam à Porciúncula. Ajuntam-se-lhes outros quatro. Primavera (março-junho): Francisco escreve breve Regra e vai a Roma com os onze. Obtém a aprovação do Papa Inocêncio III, só oralmente. Seria esta a primeira Regra, perdida. Na volta passam por Orte e se estabelecem em Rivotorto perto de Assis, num rancho abandonado.
Em 2009, a Ordem Franciscana estará comemorando o Jubileu de 800 anos de sua fundação.

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