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24/11/09

A RESPEITO  DO MENINO
QUE  MARIA NOS DEU

Breves reflexões sobre
o Advento e o Natal

A RESPEITO  DO
MENINO QUE  MARIA
NOS DEU

Breves reflexões sobre
o Advento e o Natal

Por Frei Almir Ribeiro Guimarães, OFM

Hoje nasceu-vos o Salvador, que é o Cristo Senhor. Achareis um menino envolto em panos, deitado num presépio. 

1. Ele vem....
Eis, de longe está vindo o Senhor, seu fulgor enche todo o universo (Liturgia do Advento).

Deus está para chegar. Este é o clamor do Advento. Na vida é fundamental saber e querer esperar. Haverá Natal para aqueles que esperam a visita de Deus nos cantos do coração e para os que arregaçam as mangas no empenho de eliminar a desesperança. Não falamos de uma esperança passiva e inerte, mas ativa, resoluta e decidida.  Ninguém vive sem esperança.

A mãe espera ansiosamente a chegada do filho que se aninhou em seu seio. A moça que trabalha no caixa do supermercado espera o final de seu expediente para encontrar o marido e os filhos e se ocupar das coisas da casa, lá onde ela se sente muito bem.  O casal espera que seu relacionamento melhore para que ele e ela possam sonhar novos sonhos e esboçar sólidos projetos de bem-querer para o tempo da vida que vem. O amigo aguarda o amigo na rodoviária ou no aeroporto pensando na festa do coração. Eles terão muitas coisas a se dizer...

Há essa espera fundamental do Senhor na vida. Sem ela não há natal, não há nascimento de Deus na trama da vida de ninguém. Agostinho de Hipona lembra: “Irrequieto é nosso coração enquanto não descansar em Deus!” Felizes aqueles que não se satisfazem com coisas pequenas, coisinhas e bugigangas, mas dilatam o horizonte de seus anseios e desejos. Os salmos nos falam do homem sedento de Deus, desejoso da visita do Alto: “Assim como a corça suspira pelas águas correntes, suspira igualmente minh’alma por vós, ó meu Deus! Minh’alma tem sede de Deus, e deseja o Deus vivo. Quando terei a alegria de ver a face do Deus vivo?” (Sl 41,2-3).  Assim como a terra se abre à chuva, da mesma forma o coração inquieto espera uma água que vem do alto. “Que os céus lá do alto derramem o orvalho, que chova das nuvens o Justo esperado. Que a terra se abra e germine o Salvador”.

É fundamental esperar Deus! “ Espero Deus com gulodice” (Arthur Rimbaud).  Não temos o direito de domesticar o futuro. Este precisa ficar aberto. Deus precisa ser livre para fazer de nós e do mundo o que quer e não aquilo que pouco sabiamente programamos e queremos que ele realize.
Nossa medida não é a medida do Senhor.

Homens e mulheres de advento são peregrinos, não param de caminhar. Não se pode parar porque Deus vem do amanhã que ainda não existe.

Existe uma espera impaciente que queima as etapas, que não respeita os tempos interiores. Tal impaciência faz de nós seres tensos incapazes de viver o momento presente. Fugimos. Corremos de um lado para o outro. A esperança não é nervosismo, embora seja ativa.

Dante Alighieri, na sua "Divina Comédia", coloca na entrada do inferno a seguinte advertência: “Vós que entrais, colocai de lado toda esperança”  Uma vida sem esperança é o inferno antecipado.

São jovens os que fazem projetos para o futuro. Thomas Mann afirma: “O tempo que se passa esperando, não envelhece o homem!”

Por isso, o Advento tem este perfume: Ele vem, vem ao nosso encontro, quebrar a nossa solidão, sonhar os nossos sonhos, viver a nossa vida e assim não estaremos mais sós...

Deus está para chegar no fragilidade do rosto do Menino das Palhas...

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