Curso de Atualização teológica – Petrópolis – Agosto 2009
O fenômeno da urbanização colocou a Igreja em estado de alerta. Não vem de hoje a constatação de que a paróquia atravessa uma profunda crise em sua identidade. Um objeto estranho parece ter entrado nas engrenagens de uma instituição bimilenar. Se há algum tempo a Igreja vem sentindo os abalos das mudanças socioculturais, hoje, no limiar do terceiro milênio, a crise parece chegar ao seu limite. A atual configuração eclesial se vê incapaz de conviver com o inevitável mundo urbano, presente em maior ou menor intensidade, tanto nas zonas rurais como no coração das grandes metrópoles. Não há como esconder o mal-estar existente entre o novo momento histórico e a atual estrutura institucional da Igreja, nascida num contexto predominantemente rural.
A paróquia, estrutura de base da Igreja, é a instituição na qual mais transparece o descompasso entre contexto urbano e realidade eclesial. É possível a paróquia, fiel a sua missão, ser hoje, no mundo urbano, uma comunidade eclesial? Tal pergunta é de fundamental importância primeiramente porque comunidade é a identidade mesma da paróquia, e em segundo lugar porque a dimensão comunitária deve ser concretizada no hoje da história, ou seja, na assim chamada pós-modernidade.
É nesta perspectiva que o curso tem como principal objetivo refletir, em confronto com o mundo urbano, a atual realidade da estrutura paroquial, apontar pistas de renovação e linhas de ação pastoral, visando, sobretudo, o resgate da experiência comunitária da fé.
1 - Para compreender com profundidade as raízes teológicas e culturais do atual dilema paroquial, e poder vislumbrar ares de renovação, imprescindível se torna o confronto com a realidade que nos cerca. No primeiro momento abordaremos o atual contexto sociocultural e religioso marcado por profundas mudanças e tendências, cujas conseqüências para a pastoral não são periféricas. Veremos, portanto, as principais características do mundo urbano pós-modernizado. Pluralismo religioso e cultural, mobilidade, desterritorialização, subjetivismo, privatização da fé, trânsito religioso, o fenômeno neopentecostal, crise da transmissão religiosa etc.
Alguns questionamentos ajudam a melhor perceber por onde o curso de atualização teológica caminhará.
Qual o perfil do crente-fiel do mundo urbano pós-industrializado que hoje bate à porta de nossas paróquias? O que ele procura na religião? O fenômeno neopentecostal, sopro do Espírito ou alienação religiosa?
Como responder aos anseios religiosos do ser humano hodierno, sem entrar na tentação do consumo religioso? Diante da nova tendência religiosa, o que é irrenunciável à fé cristã?
2 - No segundo momento queremos estabelecer um diálogo entre a realidade paroquial e as novas tendências eclesiais que emergem da nova sensibilidade sociocultural-religiosa (novos movimentos religiosos, comunidades emocionais, comunidades de vida e aliança etc.)
Os movimentos ajudam ou atrapalham a ação pastoral paroquial? O que eles têm a dizer a atual configuração paroquial? O que atrai tanto nas novas comunidades de vida aliança?
3 - Num terceiro momento será abordada a realidade paroquial. Um sobrevôo da origem da estrutura paroquial até sua atual configuração institucional nos ajudará a tratar a temática de forma mais realista.
Os principais descompassos entre a lógica do mundo urbano e os pressupostos da organização paroquial nascida no século IV. Crise paroquial. Principais fatores da crise. Massa x comunidade. Paróquia e pastoral urbana. Paróquia e Pastoral ambiental. A paróquia e Documento de Aparecida. Pistas de renovação paroquial. Tensões não resolvidas na proposta de renovação paroquial (território, ministérios).
Qual o futuro da paróquia? É ela uma instituição falida ou insustentável? Porque a paróquia não consegue ser (a não ser para um pequeno grupo) uma comunidade eclesial? É possível desenhar um rosto paroquial para o século XXI.
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