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04/11/2008
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Jornais da época repercutem a morte de Frei João

A morte de Frei João do Amor Divino no dia 7 de dezembro de 1909 repercutiu em todos os grandes jornais do Rio de Janeiro. Mesmo no dia do sepultamento, os jornais voltaram a noticiar com destaque a morte do frade. O "Jornal do Brasil", na edição de 8 de dezembro, destacou que com o falecimento deste frade "extinguiu-se a geração dos religiosos franciscanos contemporâneos de Montalverne".

Na sequência, o jornal descreve: "Considerado como o restaurador da sua província religiosa, D. João do Amor Divino Costa, que toda a população carioca conhecia por assim dizer-se, se não pessoalmente, por ser habitual a sua permanência, à tarde, no Largo da Carioca, nas immediações do Convento de Santo Antônio, pelo menos atravez da justa nomeada de excellentes qualidades de espírito e de coração do velho franciscano, vinha há cerca de um anno sofrendo o mal que, a despeito de todos os cuidados médicos, matou hontem, á tarde".

O jornal "Noticia", do dia 8 também, descreve o frade: "Alto, musculoso, com uma physionomia em que se estampava a mais perfeita bondade e em que luziam dois olhos intelligentes e energicos, o venerando frade, que falleceu aos oitenta annos de edade, era conhecido de quantos, velhos habitantes da cidade, não esqueceram as suas figuras antigas". Segundo a nota, Frei João era "fluminense" - como eram chamados os cariocas - nascido na rua de S. Diogo, tendo entrado para o Convento Santo Antônio com 14 anos.

O jornal "Notícias" faz um relato poético da morte de Frei João. "É o primeiro filho de S. Francisco de Assis que, nesta capital, vai dormir seu último somno fóra do tradicional mosteiro que, ha tres seculos, tem visto deslisar por seus immensos e hoje vasios corredores, legiões de religiosos, entre os quaes se destaca a figura imponente de MOnt'Alverne. Tempos houve em que era tanta e tão numerosa a familia franciscana que alli se abrigava que, de cá de baixo do largo da Carioca, se ouvia o solemne e cantante psalmodiar que dezenas de peitos humanos se escapava, harmonioso, até o throno do Eterno. Hoje tudo deserto, tudo silencio, tudo morto... apenas de vez em quando quebra o repouso daquellas enormes salas frias, de cujas paredes pendem, severas, grandes cruzes negras e retratos de mortos illustres, theologos, pregadores, mestres, etc., o passo vacillante do irmão leigo cujo enorme rosario, com o movimento do corpo, tem o ruido de folhas seccas agitadas pelo vento".

O jornal "Noticias" ainda conta que Frei João mantinha as melhores relações com personagens ilustres do antigo regime. "O Conselheiro Ferreira Vianna era seu amigo intimo, assim como o eminente jornalista Eunapio Deiró. O marechal Floriano Peixoto dedicou-lhe particular estima, pelos serviços que elle prestou durante a revolta, pondo á disposição das forças legaes o convento de Santo Antonio que foi transformado em quartel".

Contrário "à invasão dos frades germanos"


O "Jornal do Commercio", do dia 9 de dezembro, traz uma notícia assinada por Gustavo Macedo. "Se bem que esperada, causou dolorosa impressão a morte do venerando Provincial dos Franciscanos, Frei João do Amor Divino Costa. Desappareceu a ultima barreira que se oppunha á invasão dos frades germanos, cujos habitos e estylos destoam inteiramente das tradições gloriosas da Ordem Brasileira. Era um espírito religioso e crente, mais preocupado da religião e sua fórma sublime e espiritual do que das questinculas ridiculas de um beatismo canhestro. Não foi um jesuita romano; foi um frade brasileiro de cabeça erguida, ao qual a estamenha do Patriarca de Assis não abalou as explosões do patriotismo. O momento e a rapidez com que estas linhas vão traçadas, não permittem largas considerações sobre a sua individualidade. Aproveitamos, entretanto, para appelarmos para a Veneravel Ordem Terceira, que, uma vez partido o ultimo élo ao histórico e veneravel convento de Santo Antonio, deve secularizar-se, libertando-se dest'arte da antipathica direcção dos religiosos allemães, inimigos de nossa raça e das nossas tradições".

O "Correio da Manhã" também entra neste assunto. "A questão que preocupa os que se interessam pelos bens das nossas congregações é esta: morto frei João, que destino terão as propriedades de S. Francisco da Penitencia, incluindo o velho e historico convento? Aquelles preciosos bens irão parar á mão dos estrangeiros, ou os chamará a si a nação? É um caso que já deve estar despertando a attenção dos poderes publicos".

O jornal "Gazeta de Notícias", do dia 10 de dezembro, observava que "como era de se prever, foi muito concorrido o sahimento funebre de frei João do Amor Divino, o octogenario que representava uma gloriosa tradição de religiosos, hoje extinctos. A Veneravel Ordem 3ª nada poupou para dar ao acto o maximo de imponencia, devendo notar-se que tomou a si todas as despesas que não foram pequenas. O corpo, com grande acompanhamento de sacerdotes, religiosos, medicos, advogados, politicos, pobres e ricos, grandes e pequenos, á hora marcada foi levado á sua ultima morada".

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