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Maria, a força da piedade popular
Lina Boff
O que levou o magistério da Igreja a proclamar o
dogma da Imaculada Conceição de Maria foi
a força da piedade popular, que se expressou através
de sua fé e seu culto a Maria, desde as primeiras
comunidades do cristianismo primitivo. A contribuição
da teologia neste caso, ainda que com suas justas reservas,
foi a de acompanhar tal processo, numa atitude de vigilância,
no sentido de perceber a força da experiência
da fé nas comunidades e debruçar-se, com desprendimento,
sobre a afirmação do magistério eclesial,
com a finalidade de dar às palavras do dogma uma
interpretação que não anulasse uma
experiência de fé popular mariana, que já
vinha, há séculos, crescendo.
A explicação do dogma se dá levando
em conta a maturação da verdade professada
pelo culto e pela piedade popular, que vem sendo legitimada,
percebida e praticada pelas comunidades de fé. Maria
torna-se, gradativamente, não só figura e
símbolo, mas ela realiza o plano do Pai com uma missão
específica: a de ser a mulher cheia de graça,
a mulher que está com o Senhor, a bendita entre as
mulheres e aquela que traz em seu seio o fruto bendito,
obra do Espírito Santo.
A reflexão teológica, então, busca
penetrar o sentido das palavras do dogma para a fé
popular para expô-la, com maturidade, dentro do plano
divino. Por isso tudo, Maria invocada, cultuada e se encontra
profundamente arraigada na fé e no culto popular
como a santa e toda imaculada, sobretudo a santa poderosa
que intercede junto a Jesus em favor de seus filhos e filhas,
peregrinos nesta terra. Ela é a companheira do povo
que caminha em direção ao Pai, que enviou
o Filho para reconciliar toda a humanidade com Deus, pela
força do Espírito Santo.
Texto do livro "Imaculada Maria do Povo, Maria
de Deus", do capítulo "A mulher toda santa
e imaculada", de Lina Boff, que é teóloga
e ensina Teologia Sistemática na Faculdade Pontifícia
Universidade Católica do Rio de Janeiro. |