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Em comunhão com a Santa Mãe de Deus -
A ORAÇÃO DA AVE-MARIA
Comentário da Oração da Ave Maria
no Catecismo da Igreja Católica
Na oração, o Espírito Santo nos une
à Pessoa do Filho Único, em sua humanidade
glorificada. Por ela e nela, nossa oração
filial entra em comunhão, na Igreja, com a Mãe
de Jesus.
A partir do consentimento dado na fé por ocasião
da Anunciação e mantido sem hesitação
sob a cruz, a maternidade de Maria se estende aos irmãos
e às irmãs de seu Filho "que ainda são
peregrinos e expostos aos perigos e às misérias".
Jesus, o único Mediador, é o Caminho de nossa
oração; Maria, sua Mãe e nossa Mãe,
é pura transparência dele. Maria "mostra
o Caminho" ("Hodoghitria"), é seu
"sinal", conforme a iconografia tradicional no
Oriente e no Ocidente.
A partir dessa cooperação singular de Maria
com a ação do Espírito Santo, as Igrejas
desenvolveram a oração à santa Mãe
de Deus, centrando-a na Pessoa de Cristo manifestada em
seus mistérios. Nos inúmeros hinos e antífonas
que exprimem essa oração, alternam-se geralmente
dois movimentos: um "exalta" o Senhor pelas "grandes
coisas" que fez para sua humilde serva e, por meio
dela, por todos os seres humanos; o outro confia à
Mãe de Jesus as súplicas e louvores dos filhos
de Deus, pois ela conhece agora a humanidade que nela é
desposada pelo Filho de Deus.
Esse duplo movimento da oração a Maria encontrou
uma expressão privilegiada na oração
da Ave-Maria: "Ave, Maria (alegra-te, Maria)".
A saudação do anjo Gabriel abre a oração
da Ave-Maria. É o próprio Deus que, por intermédio
de seu anjo, saúda Maria. Nossa oração
ousa retomar a saudação de Maria com o olhar
que Deus lançou sobre sua humilde serva, alegrando-nos
com a mesma alegria que Deus encontra nela. "Cheia
de graça, o Senhor é convosco". As duas
palavras de saudação do anjo se esclarecem
mutuamente. Maria é cheia de graça porque
o Senhor está com ela. A graça com que ela
é cumulada é a presença daquele que
é a fonte de toda graça. "Alegra-te,
filha de Jerusalém... o Senhor está no meio
de ti" (Sf 3,14.17a). Maria, em quem vem habitar o
próprio Senhor, é em pessoa a filha de Sião,
a Arca da Aliança, o lugar onde reside a glória
do Senhor: ela é "a morada de Deus entre os
homens" (Ap 21,3).
"Cheia de graça", e toda dedicada
àquele que nela vem habitar e que ela vai dar ao
mundo.
"Bendita sois vós entre as mulheres, e bendito
é o fruto do vosso ventre, Jesus". Depois
da saudação do anjo, tomamos nossa a palavra
de Isabel. "Repleta do Espírito Santo"
(Lc 1,41), Isabel é a primeira na longa série
das gerações que declaram Maria bem-aventurada:
"Feliz aquela que creu..." (Lc 1,45): Maria é
"bendita entre as mulheres" porque acreditou na
realização da palavra do Senhor. Abraão,
por sua fé, se tornou uma benção para
"todas as nações da terra" (Gn 12,3).
Por sua fé, Maria se tornou a mãe dos que
crêem, porque, graças a ela, todas as nações
da terra recebem Aquele que é a própria benção
de Deus: "Bendito é o fruto do vosso ventre,
Jesus".
"Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós..." Com Isabel também nós nos admiramos: "Donde
me vem que a mãe de meu Senhor me visite?" (Lc
1,43). Porque nos dá Jesus, seu filho, Maria é
Mãe de Deus e nossa Mãe; podemos lhe confiar
todos os nossos cuidados e pedidos: ela reza por nós
como rezou por si mesma: "Faça-se em mim segundo
a tua palavra" (Lc 1,38). Confiando-nos à sua
oração, abandonamo-nos com ela à vontade
de Deus: "Seja feita a vossa vontade".
"Rogai por nós, pecadores, agora e na hora
de nossa morte". Pedindo a Maria que reze por nós,
reconhecemo-nos como pobres; pecadores e nos dirigimos à
"Mãe de misericórdia", à
Toda Santa. Entregamo-nos a ela "agora", no hoje
de nossas vidas. E nossa confiança aumenta para desde
já entregar em suas mãos "a hora de nossa
morte". Que ela esteja então presente, como
na morte na Cruz de seu Filho, e que na hora de nossa passagem
ela nos acolha como nossa Mãe, para nos conduzir
a seu Filho, Jesus, no Paraíso. |