Preparar os caminhos, preparar a festa, preparar os corações, preparar o presépio, preparar o Natal... Certamente este é o empenho comum e maior de todos nós neste maravilhoso tempo litúrgico e evangelizador. Preparar e preparar-se para acolher a maior dádiva da qual Deus foi capaz: dar-se a si mesmo na “admirável condescendência, na humildade sublime e humilde sublimidade” (CO 27) no Menino de Belém.
Francisco de Assis, segundo Tomás de Celano, tinha como “desejo principal e plano supremo observar o Evangelho em tudo e por tudo, imitando com esforço, dedicação e fervor os passos de Nosso Senhor Jesus Cristo no seguimento da sua doutrina” particularmente “a humildade de sua encarnação e o amor de sua paixão” (cf. 1Cel 84), E para bem celebrar o memorial do Natal, ele prepara com seus irmãos (em fraternidade!) e em comunhão com as pessoas do lugarejo de Greccio (comunidade de fé!), tudo o que estava ao seu alcance para tornar a ‘humildade da Encarnação’ o mais visível, o mais audível e o mais palpável possível. Porque é assim, de forma plástica e sem rodeios, que ele lê e contempla a Palavra do Evangelho quando fala do Mistério de Deus que se fez visível, audível e palpável na noite fria de Belém.
Na mesma lógica, dentro Francisco ainda nos recorda na primeira Admoestação: “Eis que Ele se humilha todos os dias, todos os dias desce do seio do Pai sobre o altar, nas mãos do sacerdote. È particularmente o altar o lugar onde hoje Ele se torna visível, audível e palpável, mediante o ocular da fé. Por isso “preparemos-lhe sempre dentro de nós uma morada permanente”, pois é assim que Ele deseja permanecer conosco “até a consumação dos séculos” (cf. Adm 1).
Também Santa Clara não pode ficar ausente nesta preparação da morada permanente do Senhor, especialmente neste ano da abertura do tríduo jubilar dos 800 anos do dom da sua vocação, quando nossas co-irmãs Clarissas nos falam da identidade e relação com a Primeira Ordem.
Clara de Assis, já nos últimos anos de sua vida, com sua sensibilidade feminina e linguagem contemplativa, aguça o nosso ouvido, purifica o nosso olhar, estimula o nosso tato e inflama o nosso coração, ao contemplar o mistério da Encarnação do Filho de Deus: “Preste atenção no princípio do espelho: a pobreza daquele que, envolto em panos, foi posto no presépio! Admirável humildade, estupenda pobreza! O Rei dos anjos repousa numa manjedoura” (4CIn).
Que a digna preparação da morada permanente de Deus na vida pessoal de cada irmão e irmã, na vida das nossas fraternidades e comunidades, seja certeza de que Ele será o ‘auxílio e consolador’ de todo nosso caminhar no Ano Novo que estamos prestes a iniciar.
A todos os irmãos e irmãs, a todos benfeitores e benfeitoras, a todos os colaboradores e colaboradoras, enfim, a todos os homens e mulheres de boa vontade que partilharam sua vida com a vida da nossa Província Franciscana da Imaculada Conceição, nosso sincero agradecimento! Sobre todos e todas invocamos as mais copiosas bênçãos de Deus neste Natal e essa bênção se perpetue todos os dias do Ano Novo.
Paz e Bem.
Frei Fidêncio Vanboemmel
Ministro Provincial
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