Solenidade da Páscoa
O PRIMEIRO DIA DE UM MUNDO NOVO
Por Frei Almir Guimarães
É Páscoa! É festa das festas. É o começo de um mundo novo. As trevas foram devoradas pela Luz e, a partir de agora, os discípulos daquele que é a Luz passam a viver a convicção de que são portadores da esperança de um mundo cujo nascimento assistiram na noite que foi tragada pela Luz.
Este é o dia que o Senhor fez para nós: alegremo-nos e nele exultemos (Liturgia pascal).
O Sol da justiça, que havia desaparecido há três dias, se ergue hoje e ilumina toda a criação. Cristo há três dias no túmulo, embora existindo antes dos séculos. Brota como a videira e enche de alegria toda a terra habitada: fixando nosso olhar nesta luz sem declínio ficamos repletos da alegria desta luminosidade. As portas da mansão dos mortos foram quebradas pelo Cristo, os mortos se levantam como de um sono. Cristo, a ressurreição dos mortos, despertou Adão. Cristo, ressurreição dos mortos, ressuscitou e livrou Eva da maldição. Cristo ressuscitou, ele mesmo a Ressurreição, transformando em beleza o que estava sem beleza nem brilho. O Senhor como alguém que dormia acordou e desfez todos as artimanhas do inimigo. Ressuscitou e trouxe alegria a toda a criação. Ressuscitou e assim foi esvaziada a prisão do inferno. Ressuscitou e transformou o corruptível em incorruptível. Cristo ressuscitou e deu novamente a Adão sua primeira dignidade de imortal (Sermão de Santo Epifânio)
Pergunto, que dia é este? Precisamente aquele que nos trouxe o princípio da vida, a origem, o autor da luz, o próprio Senhor Jesus Cristo que de si mesmo afirma: Eu sou a luz. Se alguém caminha de dia, não tropeça (Jo 8, 12; 11,9), quer dizer, aquele que em todas as coisas segue a Cristo, chegará, seguindo os seus passos, ao trono da eterna luz. Assim pedia ele ao Pai em nosso favor, quando ainda vivia em seu corpo mortal, ao dizer: Pai, quero que onde eu estou, aí também estejam os que acreditam em mim; para que assim como tu estás em mim e eu em ti, assim também eles estejam em nós (cf. Jo 17,20) (Da Homilia pascal de um autor antigo)
Chega a palavra definitiva de Deus. “Não busqueis entre os mortos, aquele que vive”. No tempo da quaresma Cristo e os cristãos fomos sendo levados à exigência, à dureza das escolhas. Colocados diante de tantas opções, em tantas encruzilhadas, as coisas pareciam nebulosas, não claras. É a celebração da ressurreição que ilumina com imensa força tudo que vem antes. A palavra última de Deus é a Palavra da vida. A morte não teve domínio sobre o Justo. A cruz está vazia e as vítimas da história estão despregadas. Falamos de libertação e salvação. As sombras cederam lugar à luz, a noite, ao dia, o pranto, ao júbilo ( cf. José María Rodriguez Olaizola, SJ, Al paso de Dios, Sal Terrae 95, 2007, p. 206). |