“É O ESPÍRITO QUE
VIVIFICA A LEI”
22º DOMINGO DO TEMPO COMUM
ANO B – Mc 7,1-8. 14-15. 21-23
A lei deve ser uma ajuda para levar o homem a viver bem a sua vocação humana em relação a Deus e em relação ao próximo.
Os fariseus, em princípio bem intencionados, na ânsia de acelerarem a vinda do Messias, esforçavam-se em cumprir todas as prescrições da lei. Entretanto, com o passar dos séculos, a lei, que era um sinal de aliança e de liberdade, tornou-se uma cadeia de escravidão.
Os doutores da lei, não satisfeitos com os mandamentos dados a Moisés, apoiados por interpretações pessoais, desdobraram os 10 mandamentos em 613, sendo 248 preceitos e 365 proibições, alguns inúteis e até perniciosos. Com isto caíram num legalismo rígido da lei pela lei.
O cumprimento da lei ao pé da letra, aliado ao amor próprio humano, desperta o fariseu que existe dentro do homem: “Honram-me com os lábios, mas seus corações estão longe de mim; pois o que ensinam são mandamentos humanos” (v. 7).
Jesus não condena a higiene corporal, como lavar as mãos antes de comer, mas condena a hipocrisia, a observância externa da lei, das práticas religiosas do judaismo de então, citando o profeta Isaías: “Este povo honra-me com os lábios, mas seu coração está longe de mim. Em vão me prestam culto; as doutrinas que ensinam são apenas mandamentos humanos” (v. 6-7).
“Com efeito, não é de fora, é de dentro do coração do homem que saem as intenções malignas: prostituições, roubos, assassinatos, adultérios, ambições, maldades, malícia, devassidão, inveja, difamação, orgulho, insensatez” (v.21-22).
Jesus vai até as profundezas insondáveis do coração do homem, onde reside a raiz do bem e do mal, a sede da consciência, onde são tomadas as decisões do agir humano, lá onde somente Deus e o eu se encontram: “Todas essas coisas más saem de dentro do homem e são elas que o tornam impuro” (v. 23).
Sem contradizer a lei de Moisés, Jesus a explica e aperfeiçoa. A nova lei anunciada pelos profetas é promulgada por Jesus: “Abandonais o mandamento de Deus, apegando-vos à tradição dos homens” (v. 8).
A lei leva ao conhecimenro do bem, mas não proporciona a força para realizá-lo; leva ao conhecimento do pecado, mas não dá o poder de livrar-se dele. Há leis que vem de Deus, mas há leis que não tem o poder de salvar o homem. Ninguém se salva por si mesmo.
“E’ o Espírito que vivifica a lei” (cf 2 Cor 3,6). Só Deus é que salva.
* Senhor, não viestes abolir a lei, mas aperfeiçoá-la com a lei do amor: o amor a Deus, o amor ao próximo e a nós mesmos. AMÉM. ASSIM SEJA.
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Sou autêntico, sincero e coerente? Qual a minha principal preocupação: “ser” ou apenas “parecer”? Procuro apenas o cumprimento externo da lei? Procuro agir de acordo com a vontade de Deus? Ou conforme a moda e conveniências sociais, que podem levar-me à hipocrisia? Meu modo de agir perante os homens coincide com minha atitude interior perante Deus?
Frei Floriano Surian, ofm
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Maria Arieta, ofs
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