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São Paulo, 13/02/2012
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09/08/09 - 19º Domingo do Tempo Comum/Ano B









O pão da vida e a
manifestação de Deus

A invocação da fidelidade de Deus à sua
Aliança, no canto da entrada, cria a atmosfera
da mensagem: linha da atuação divina, que
alcança seu auge em Jesus Cristo e
se perpetua na vida dos fiéis.
 
A 1ª leitura narra a experiência de "refontização" de Elias. Ele refaz, em sua vida pessoal, a experiência de Israel. Está para morrer, no deserto. Mas o Deus que alimentou Israel no deserto, alimenta também Elias. Depois de refeito, quer descansar. Mas Deus o faz andar, pela força do alimento, 40 dias e 40 noites, até a montanha de Deus. Repete simbolicamente a caminhada de Israel (40 anos, alimentado por Javé). Porém, verdadeiro sentido desta história, conforme o quadro da liturgia de hoje, não se deve procurar naquilo que aconteceu antes de Elias, mas no que veio depois. A comida de Elias prefigura a comida que tira todo o cansaço. Se Elias, mortalmente cansado, recebe do pão de Deus força para caminhar 40 dias, o homem morto pelos impasses da vida  recebe do "pão descido do Céu" vigor para a vida eterna (evangelho).
 
Como é que Jesus, o "pão descido do Céu" (cf. dom. pass.), dá vida eterna? Os judeus se mostram céticos: "murmuram" (como fizeram no deserto) a respeito da origem por demais conhecida de Jesus (mas em 9,29 não acreditam porque não sabem de onde é...). A essa murmuração, Deus não mais responde com um dom perecível, como o maná do deserto, mas com o dom escatológico, como indica o texto profético que agora se cumpre: "Todos serão ensinados por Deus". Que Deus e sua vontade serão conhecidos diretamente, sem o intermédio de mestres (cf. Is 54,13), faz parte da "nova Aliança", plenitude da antiga (Jr. 31,33-34). É o que se cumpre em Jesus Cristo. O cristão o sabe: ninguém jamais viu Deus (6,46; cf. 1,18), mas quem vê Jesus, vê o Pai (1,18; 12,45; 14,9). Quem procura o ensinamento escatológico de Deus, na plenitude da Aliança, só precisa ir a Jesus (6,45b). Este ensinamento, porém, contém um paradoxo: ao mesmo tempo que o homem é responsável por ir a Jesus, ele deve ser atraído pelo Pai. Temos exemplos de tal relação dialogal em nosso dia-a-dia: para realmente participar de uma aprendizagem, o aluno deve ser admitido pelo mestre e ao mesmo tempo querer aprender; para gozar plenamente a alegria de uma festa, a gente deve ser convidado e ir com gosto ao mesmo tempo. A fé não é uma coisa unilateral. É um diálogo entre Deus que nos atrai a Jesus Cristo e nós que nos dispomos a escutar sua palavra.

Quando se realiza esse diálogo, temos (já: tempo presente; Jo 6,47b; cf. 5,24) a vida eterna. Já nos saciamos com a comida que proporciona vigor inesgotável. A "vida eterna" não é um prolongamento ao infinito de nossa vida biológica. É a dimensão inesgotável e decisiva de nossa existência; não inicia apenas no além. João não fala, praticamente, em "Reino de Deus". Fala da "vida eterna", para indicar a realidade da vontade divina assumida pelos homens e encarnada na existência humana. Quem fez isso por excelência é Jesus, seu Filho unigênito. Sua doação até a morte, sua "carne" (= existência humana) dada até a morte, ensina e mostra, mas também realiza, para quem a ele aderir, esta "vida" para o mundo.

Portanto, sermos ensinados por Deus significa que, mediante a adesão à existência que Jesus viveu até a morte, abrimos em nossa vida espaço para a dimensão divina e definitiva de nossa vida, dimensão que lhe confere um sentido inesgotável e irrevogável: o sentido de Deus mesmo.
 
Nesta perspectiva, a 2ª leitura de hoje toma-se importante. Ensina-nos a imitar Deus (no mútuo perdão) e a amar como Cristo nos amou. Em outros termos, nossa vocação de sermos semelhantes ao pai (Gn 1,27) se realiza na medida em que assumimos a existência de Cristo, dando-lhe crédito e imitando-o.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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