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São Paulo, 13/02/2012
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23/08/09 - 21º Domingo do Tempo Comum/Ano B
Evangelho Comentário Mensagem






A opção certa

Há cinco semanas estamos
acompanhando o episódio do sinal
do pão (Jo 6). Hoje ouvimos o desenlace.
No domingo anterior vimos como Jesus
se apresentou como o “pão da vida” e
proclamou que estava oferecendo sua
carne como alimento para a vida do mundo.
Muitos não “engoliram” isso, porque “essa
palavra é dura demais” (6,60). Dura, não
apenas pela dificuldade de compreensão
(alguns falavam até em antropofagia), mas
sobretudo por causa das consequências
práticas. Estranharam o que Jesus disse a
respeito de sua carne. Estranhariam muito
mais ainda sua “subida aonde estava antes”,
sua glorificação, pois essa se manifesta na
“exaltação” de Jesus.... no alto da cruz, quando ele revela plenamente o amor infinito de Deus, seu Pai. Só pelo Espírito de Deus é possível compreender isso (6,52-53). É difícil “alimentar-se” com a vida que Jesus nos propõe como caminho, com aquilo que ele disse e fez, sobretudo, com o dom radical de sua vida na morte – pois tudo isso significa compromisso.

A 1ª leitura dá um exemplo de compromisso. O povo de Israel, ao tomar posse da terra prometida, teve de escolher com quem ia se comprometer, com os outros deuses, ou com Javé, que os tirou do Egito. Visto que Javé mostrou de que ele era capaz, optaram por ele (Js 24). Optar significa decidir-se, não em cima do muro. É dizer sim ou não.

Jesus põe os seus discípulos diante da opção por ele ou pelo lado oposto. “Vós também quereis ir embora?” E Pedro responde, em nome dos Doze e dos fiéis de todos os  tempos: “A quem iríamos. Tu tens palavra de vida eterna”. O que Jesus ensina é o caminho da vida  eterna, da comunhão com Deus para sempre. Foi para isso que Jesus reuniu em torno de si os Doze, que representavam o novo Israel, o povo de Deus, para que o seguissem pelo caminho. Para que constituíssem comunidade, comungando da vida que ele dá pela vida do mundo. Nosso ambiente parece recusar essas palavras de vida eterna. Por diversas razões. Uns porque querem viver sua própria vidinha, sem se comprometer com nada, outros porque preferem um caminho próprio, individual... O difícil da palavra de Jesus consiste nesse compromisso concreto. Ao longo dos séculos, houve quem tornasse o cristianismo difícil por meio de penitências e exercícios, até reprimindo e deprimindo. Mas a verdadeira dificuldade é abdicar da auto-suficiência e entregar-se a uma comunidade reunida por Cristo para segui-lo pelo caminho da doação total. Só que este caminho é também o caminho da “perfeita alegria”, de que fala Francisco de Assis.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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