Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 13/02/2012
HOME A INSTITUIÇÃO FRATERNIDADES E SERVIÇOS O CARISMA VIDA cristà CULTURA FRANCISCANA
Vida Cristã
     VIDA CRISTÃ
     Últimas Notícias
     Liturgia
     Especiais
     Artigos
     Reflexões
     Orações
     Celebrações
     Documentos
   da Igreja e da CNBB
     Sites Vida Eclesial

:: Busca no Site ::
× Fechar
Powered by Google© Pesquisa Personalizada
 
-- Liturgia --
Tamanho do Texto: A+ a- << Voltar

01/02/2009 - 4º Domingo do Tempo Comum
Evangelho Comentário Mensagem







O “poder” de Jesus


Uma das características do antigo
judaísmo é seu caráter profético, o
fato de ser orientado por personagens
carismáticos, considerados porta-vozes
de Deus.

Nos três séculos antes do exílio babilônico,
a figura do profeta ganhou sua imagem
“clássica”. Com a reforma religiosa de Josias (620 a.C.), surge o livro do Deuteronômio, recapitulação da Lei de Moisés. Comporta uma espécie de definição do que deve ser um profeta (nem todos eram assim!): alguém como Moisés, alguém que escute a palavra de Deus, alguém a quem Deus coloque suas palavras na boca para transmiti-las, alguém que não fale em nome de Deus o que este não lhe tiver inspirado, nem fale em nome de outros deuses; alguém cujas palavras sejam confirmadas pelos fatos (Dt 18,15-22) (1ª  leitura).

 Pela instituição do profetismo, o povo de Israel se distingue das nações pagãs, que praticam todo tipo de adivinhação e superstição (18,14). Mas pouco depois do exílio, a instituição entra em declínio. A partir do século IV a.C., Israel não tem mais profetas. Aí surge a saudade. O texto de Dt 18,15.18, que fala genericamente do “profeta como Moisés” - originalmente indicando a instituição profética -, é agora interpretado no sentido individual, como apontando uma figura do tempo messiânico: o Messias-profeta.

Ora, a figura do “profeta como Moisés”, que a 1ª  leitura da liturgia de hoje evoca, é apenas um “aperitivo” daquilo que o evangelho (Mc 1,21-28) deixa entrever. Apresenta Jesus como alguém que ensina com autoridade, portanto, não como os escribas! Essa “autoridade” evoca o poder profético de ensinar no nome de Deus e fazer sinais que confirmem a palavra. Porém, o termo grego (exousia) não é costumeiro no judaísmo helenístico para falar do poder profético, e sim, do poder escatológico do Filho de Homem e de Deus, no livro de Daniel! O episódio de Mc 1,21-28 (evangelho) dá a entender que o povo teve, diante de Jesus, a impressão de ver um profeta, o que é confirmado pelas opiniões populares citadas em Mc 6,15 e 8,28.

 Mas a constatação da presença da “autoridade” esconde algo que o povo não consegue entender: “Que é isso?” (1,27). Ao percorrermos o evangelho de Mc, descobriremos que a identidade que Jesus atribui a si mesmo é a do Filho do Homem, o enviado escatológico de Deus, prefigurado em Dn 7. A este pertence a exousia (Dn 7,14), a “autoridade”. Quem parece suspeitar a identidade de Jesus é o demônio que é expulso naquela ocasião (Mc 1,24); ele conhece seu adversário.

No evangelho de Mc paira um mistério sobre a figura de Jesus. Aos demônios (1,25.34; 3,12), aos miraculados (1,44; 5,43; 7,34; 8,26), aos discípulos (8,30; 9,9), Jesus lhes proíbe publicar o exercício de sua “autoridade” que eles presenciaram. O mistério da identidade de Jesus só é desvendado na hora da morte, quando o centurião romano, representante do mundo inteiro, proclama: “Este homem era verdadeiramente o Filho de Deus” (15,39). Só na morte fica claro, sem ambigüidade, o modo e o sentido da obra messiânica de Cristo, segundo “os pensamentos de Deus” (cf. 8,3 1-33).

Portanto, se Jesus ensina com autoridade (e com essa misteriosa autoridade expulsa demônios, confirmando sua palavra profética), devemos enxergar no profeta de Nazaré (cf. 6, 4) o Filho do Homem, que vem com os plenos poderes de Deus.

A 2ª  leitura é tomada, mais uma vez, das “questões práticas” da 1 Cor. Na linha da “reserva escatológica” (cf. dom. passado), Paulo explica as vantagens do celibato, ao menos, quando assumido com vistas à escatologia. Como o sentido da escatologia é que o Senhor nos encontre ocupado com sua causa (cf. 1° dom. Adv. B), é melhor adotar o estado de vida que deixe nosso espírito mais livre para pensar nisso. É um conselho de Paulo, não para truncar nossa liberdade, mas para a libertar mais ainda.

Claro, está falando do celibato assumido, não do celibato “levado de carona”, como é, muitas vezes, o do nosso clero; pois, quando não é assumido interiormente, desvia mais a mente da causa do Senhor do que as preocupações matrimoniais. Bem entendido, porém, o celibato, além da liberdade para Deus que proporciona aos que o assumem, é também um lembrete para os casados, ajudando-os, no meio de suas preocupações, a conservarem, também eles, a reserva escatológica, que os faz ver o caráter provisório de seu estado e problemas e, sobretudo, o sentido último que deve ser dado a tudo isso.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

Tamanho do Texto: A+ a- << Voltar
Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil
Copyright © 2011 Franciscanos.org.br - Todos os direitos Reservados.