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São Paulo, 13/02/2012
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26/07/09 - o 17º domingo do Tempo Comum – Ano B
Evangelho Comentário Mensagem






O banquete messiânico

No meio da seqüência de Mc surgem de
repente cinco evangelhos tomados de Jo.
A razão é que o episódio da multiplicação
dos pães encontra-se muito mais
elaborado em Jo, e também o fato de Mc
ser mais breve que os outros evangelhos,
deixando espa­ço para alguns trechos de
Jo que, senão, ficariam sem lugar na
liturgia dominical. A versão joanina da
multiplicação do pão (evangelho) é s
emelhante à de Mc, coloca, po­rém, os
acentos de modo diferente. Enquanto Mc
lembra a situação do povo no êxodo (os
grupos de 50 e 100 etc.), Jo acrescenta
alguns detalhes que evocam a atuação
do profeta Eliseu (cf. 1ª  leitura): os pães
"de cevada", o "rapaz" (cf. Giezi em 2Rs 4,39).
Com isso se relaciona a reação do povo
no fim: Jesus é "o profeta que deve vir ao
mundo" (Elias, a quem Eliseu é
intimamente associado) (Jo 6,14). Também a
distribuição dos papéis é diferente. Enquanto em Mc os discípulos tomam a iniciativa de pensar em comida e Jesus os instrui para que eles mesmos dêem de comer ao povo (Mc 6,37; des­de 6,7 estamos em contexto de "aprendizagem"), Jo coloca a iniciativa soberanamente nas mãos de Jesus; a gente até acha que ele nem quis pregar, somente multiplicar pão (6,5-6). Em Mc, o mistério do Cristo é velado e os discípulos, incompreensivos. Em Jo, Cristo radia uma luz divina e os discípulos são testemunhas - igualmente incompreen­sivas - de uma revelação de seu mistério em forma de um "sinal" (como João chama os milagres). Mistério que já se faz pressentir pela palavrinha "Donde (compraremos pão)?" (6,5), que, para o leitor iniciado no mistério de Jesus, já sugere a resposta: "de Deus". É o que o "Discurso do Pão da Vida" (cf. próximos domingos) mostrará. O Jesus de Mc esconde para as categorias judaicas a natureza de sua missão, porque são inadequadas para a compreender; o de João revela para o cristão a glória de Deus. Mas o resultado é o mesmo: quem fica com as categorias antigas, fica por fora.

No fim do episódio, Jo descreve com insistência a quantia de restos que sobraram, sublinhando mais uma vez a revelação da obra de Deus em Jesus Cristo: nada (e ninguém) se pode perder (cf. 6,12, cf. 6,38). Depois, mostra o outro lado da medalha; povo reconhece em Jesus o profeta que repete as façanhas de Eliseu e Elias, o profeta escatológico que deve vir ao mundo (cf. Ml 3,1.23; Dt 18,15); mas não reconhece categoria divina. Quer prender Jesus nas categorias messiânicas tradicionais: proclamá-lo rei. Mais tarde, ficará claro em que sentido Jesus é rei (Jo 18, 33-37). Mas, neste momento, Jesus não pode aceitar o messianismo do povo; retira-se na solidão (6,14-15, cf. semelhante recusa do messianismo judeu em Mc 8,27-33).

A 2ª leitura ajuda para sentir o ambiente de reunião escatológica que marca a multiplicação dos pães, realização do banquete escatológico anunciado em Is 25,6-8. Pois ­esse banquete é para todos os povos - universalismo realizado de maneira plena na unidade da Igreja, sucintamente resumida por Paulo em Ef 4,4-6: um só Corpo, um só Es­pírito, uma só esperança, um só Senhor, uma só fé, um só batismo, um só Deus e Pai, sete (!) elementos que fazem da Igreja uma unidade divina. Para os leitores da carta, essa unidade era, muitas vezes, problemática. Nós estamos acostumados a dizer que a Igreja é una, e ficamos cegos para as reais divisões que existem no seu seio; estamos "ideologicamente proibidos" de enxergá-las (não pelo Papa, mas por nosso próprio comodismo). Contudo, será bom checar a realização dessa unidade. E melhor ainda, me­ditar sobre as qualidades que servem de base para essa unidade: a humildade, a mansidão, a paciência, o mútuo suportar-se na caridade. Não parecem qualidades subversi­vas, mas são: a subversão da bondade irresistível, desarmada e desarmante, o "vínculo da paz", que garante a unidade do Espírito. Não entrar no jogo das oposições intermi­náveis, mas, a partir de um lúcido reconhecimento das divisões existentes, superá-las, pela erradicação firme e paciente de suas causas mais profundas (portanto, não por um cômodo encobrimento da realidade). Eis aí o caminho para a verdadeira unidade uni­versal dos irmãos, para que juntos possam sentar-se à mesa do banquete do Senhor.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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