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São Paulo, 13/02/2012
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07/06/09 - Solenidade da Santíssima Trindade – Ano B
Evangelho Comentário Mensagem






União com Cristo e
o Pai no Espírito

Nos domingos anteriores, as leituras
tomadas do evangelho de João nos
ensinaram que a comunhão do Pai e
do Filho, da qual nós participamos no
amor, significa também missão: missão
do Filho ao mundo, missão dos fiéis
para "completar" o amor de Deus pelo
amor fraterno, presente na comunidade
e, através dela, levado ao mundo todo. Este
quadro joanino serve muito bem para
interpretar os textos da liturgia de hoje,
embora sejam tomados de outros escritos.
A visão joanina nos revela a profundidade
escondida naquilo que Mateus e Paulo
nos dizem hoje.

Mt narra que, depois de sua ressurreição,
o Pastor escatológico reuniu ("precedeu")
seu rebanho na Galiléia (evangelho; cf.
Mc 14,26-27; 16,7). Os onze encontram Jesus na Galiléia, na "montanha" (a do início de sua missão: cf. Mt 5, lss). Alguns nem o reconhecem. Aí, Jesus se revela como o Filho do Homem, a quem é "dado todo o poder no céu e na terra" (cf. Dn 7). Não é um Filho do Homem militaresco, mas profético; seu poder é ensinar. Este poder, confia-o aos discípulos, que devem ir a todos os povos e torná-los discípulos de Jesus, o que implica: 1) batizá-los em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; e, 2) ensinar-lhes a observar tudo quanto lhes ordenou. O batizar significa a acolhida na comunidade, sem a qual é impossível tomar alguém discípulo de Jesus, pois seu mandamento, o amor fraterno, só se aprende na prática mútua; aprender o mandamento do amor sozinho seria como jogar xadrez consigo mesmo ...

Ora, esse acolhimento na comunidade deve ser "em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo". Temos, no N.T., vestígios de outras fórmulas batismais, mencionado só o Cristo, ou Cristo e o Pai. Mas Mt prefere a fórmula trinitária, porque o acolhimento na comunidade é a entrada na comunhão do Cristo, e esta é de per si comunhão com o Pai, no Espírito que impeliu Jesus para sua missão (Mt 4, 1; cf. 3,17) e que é dado a seus seguidores (cf. Mt 3,11).

O Espírito que recebemos é o mesmo Espírito que Cristo recebeu no seu batismo e com o qual ele nos batiza. A 2ª leitura explica isso de modo comovente. Paulo parte da realidade batismal: o ser impelido pelo Espírito de Deus (Rm 8,14). Isso não é apenas entusiasmo carismático, mas filiação divina (cf. o batismo de Jesus, Mt 3,17). Recebemos um Espírito de filhos adotivos (o filho legítimo é Jesus) - de filhos e co-herdeiros! O Espírito de Cristo clama "em nosso espírito" (jogo de palavras): "Abbá, Pai!" Paulo insiste em que este Espírito é de liberdade, não de escravidão. O que é de Deus e foi confiado a Cristo, é nosso também. Nada nos é imposto contra nossa vontade. Assumimos livremente, porque amamos, como filhos a seu Pai.

Na realidade, a prática da Igreja nem sempre realiza as características da missão evangelizadora descrita nestes textos. Muitas vezes, pertencer à comunidade cristã é experimentado como um peso, um dever, não como o espírito da filiação divina que nos impele e que nos une intimamente com o Pai e os irmãos. Em vez de nos sentirmos "com Cristo", na comunidade dos que são seus discípulos e irmãos, sentimo-nos oprimidos por uma pirâmide de convenções. As gerações de discípulos, em vez de serem irmãos unidos num mesmo Espírito libertador, parecem ter acumulado leis e leizinhas, instituições e instituiçõezinhas, impelindo os novos membros a entrar, não pelo impulso do Espírito, mas por tradição e conveniência. Não seria bom "ventilar" um pouco de Espírito na Igreja, para que, livres com Cristo, observemos sua palavra e com ele amemos a Deus e os irmãos, impelidos por seu Espírito?

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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