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São Paulo, 13/02/2012
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24/05/09 - Solenidade da Ascensão do Senhor/Ano B
Evangelho Comentário Mensagem







"O Senhor cooperava
com eles"


Depois da ressurreição, Jesus deixou
sua missão terrena e subiu aos céus,
confiando sua missão aos seus. E “o Senhor
cooperava com eles” (evangelho). Depois da
Páscoa, tudo mudou. Antes, Jesus era o profeta
rejeitado; depois, ele apareceu entrando na
glória do Pai – que assim mostrou aos discípulos
que Jesus teve razão naquilo que ensinou e realizou. Antes, Jesus chamava os discípulos para serem seus colaboradores; depois, ele é quem “coopera com eles”, pois agora sua obra está nas mãos deles.

O Ressuscitado mandou os discípulos anunciar a Boa Nova e lhes prometeu forças extraordinárias para cumprirem sua missão.  Quem se empenha corpo e alma pela causa de Deus faz maravilhas, enquanto o acomodado não consegue nada. Movidos pelo amor ao Senhor, os apóstolos se jogaram na pregação, e coisas inimagináveis aconteceram. Ficamos  maravilhados ao ler de que foram capazes um José de Anchieta, uma Madre Teresa de Calcutá... A festa da Ascensão nos ensina a fazer de Jesus realmente o Senhor de nossa vida e a arriscar tudo para levar sua missão adiante – realizando o que parecia impossível. Pois ele coopera.

Coopera de modo extraordinário. Não que o extraordinário em si seja uma prova da divindade. No tempo de Moisés havia os feiticeiros do Egito e no tempo dos apóstolos, os taumaturgos judeus e pagãos. O extraordinário, de per si, é ambíguo, alimenta o sensacionalismo, o “Fantástico”na televisão etc. Ora, na pregação, o extraordinário tem valor de sinal quando mostra que o Espírito do Ressuscitado impulsiona o mensageiro, quando faz  reconhecer Jesus como o Senhor e como aquele que coopera com aqueles que estão a seu serviço – como aquele que tem força para mudar o mundo, quando os seus se empenham por isso.

Mas esse poder não serve para glória própria. Serve para o amor, para o projeto pelo qual Jesus deu a vida. Jesus não veio para conquistar o poder, mas para servir e dar a vida pela humanidade. Veio para manifestar o amor de Deus. Se manifesta o poder de Jesus-Senhor, a  evangelização deve, antes de tudo, demonstrar o amor de Jesus-Servo. O extraordinário, na evangelização, serve para manifestar que o amor de Deus, tornado visível em Jesus, tem a última palavra.

Atualizando, poderíamos considerar coisas que são, nesse sentido, extraordinárias: a transformação das estruturas de nossa sociedade, enferrujada em seu egoísmo; a vitória da justiça sobre a corrupção; a vitória da solidariedade e da dignidade humana sobre as muitas formas de vício e degeneração...

Há grupos religiosos que exibem mais “milagres” do que nós, católicos. Será que por isso devemos apostar mais nas coisas sensacionais? O extraordinário é um sinal, não a causa mesma que está em jogo. É bom ter sinais, mas o mais importante é que a causa seja apresentada na sua integridade. E essa causa é o amor de Cristo que nos impulsiona. Extraordinário mesmo é o que, nas circunstâncias mais contrárias, fala desse amor. Aí, “Ele” aparece cooperando conosco.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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