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São Paulo, 13/02/2012
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01/11/09 - Liturgia Dominical para a
Solenidade de Todos os Santos
Evangelho Comentário Mensagem






Somos santos já, na
medida em que
pertencemos a
Deus no presente

A festa de todos os santos abrange
os três momentos do tempo, além da
dimensão universal do espaço. De fato,
celebramos os justos do passado,
celebramos a vocação à santidade
futura (o "céu"), e celebramos a
santidade como dom (graça) presente.
 
Como esta dimensão presente é a em
que menos se pensa quando se fala de
santidade, achamos que ela merece uma
atenção especial: é a mensagem das
Bem-Aventuranças, no evangelho
de hoje (Mt 5,1-12, cf. 4° dom. T.C./A).
As Bem-Aventuranças devem ser
entendidas como uma proclamação
da chegada do Reino de Deus para as
pessoas que vão ficar felizes com isso (Lc 6,24-26 acrescenta também aqueles que vão ficar infelizes ... ). São, ao mesmo tempo, a proclamação da amizade de Deus para aqueles que participam do espírito que é evocado por oito exemplificações, e (sobretudo na versão de Mt) um programa de vida para todos os que escutam a palavra do Cristo.
 
Este programa de vida já entra em ação desde que alguém se toma discípulo de Jesus: os que estão realizando este programa já são "santos". Por isso, este evangelho foi escolhido para a festa de hoje. Jesus proclama a bem-aventurança (a felicidade, o "bom encaminhamento", a "boa ventura") dos "pobres no espírito" (= semitismo: os diminuídos até no alento da vida; não se trata da questionável "pobreza espiritual"), porque deles é o Reino dos Céus, ele não quer dizer o além da morte - uma recompensa futura pela carência na terra - mas a realidade presente. "Reino dos Céus" é maneira semítica de dizer "Reino de Deus" (por respeito, Deus é chamado "os Céus"). E o Reino de Deus começa onde se faz a vontade de Deus, como aprendemos do Pai-nosso, que Jesus ensina em seguida (Mt 6,9-13). Se entendêssemos as Bem-Aventuranças somente como uma compensação para depois da morte, elas seriam "ópio do povo". Mas o contrário é verdade: elas são um incentivo para realizar, desde já, o novo espírito, que traz presente o Reino. O sentido das Bem-Aventuranças é, exatamente, relacionar o dom escatológico (expresso nos termos: "serão consolados, serão saciados" etc.) com a realidade de hoje. O dom escatológico não cai do céu, mediante a atuação de algum mágico, mas é o que, da parte de Deus, corresponde à atitude do justo, do servo, do "pobre do Senhor". Corresponde à atitude de não procurar a mera afirmação pessoal no poder e na riqueza, mas de dispor-se inteiramente para a obra de Deus, pelo esvaziamento, a mansidão, a paciência no sofrer, a sede de justiça divina, o empenho pela paz ... Em outros termos, somos santos já, na medida em que pertencemos a Deus no presente. Então, também o futuro de Deus nos pertence.
 
A mesma mensagem proclama a 2ª  leitura (1Jo 3): nossa atual santidade, por sermos filhos de Deus, embora ainda não seja manifesto "o que seremos" (= a nossa glorificação). Portanto, quem é celebrado hoje é, em primeiro lugar, os "filhos de Deus" Santos neste mundo.
 
A isto se une a visão antecipada do autor do Apocalipse sobre a plenitude dos que aderiram a Cristo, seguiram o Cordeiro (1ª  leitura). É o número perfeito das tribos (12 x 12.000), os eleitos de Israel (o autor é judeu-cristão), mas também um número inumerável de todas as nações (universalismo - mas ainda assim há quem ensine que no céu só tem 144.000 lugares ... ).
 
Ora, tanto na mensagem das Bem-Aventuranças quanto na visão do Apocalipse ganham um destaque especial os mártires, os que são perseguidos por causa do evangelho, os que lavaram suas vestes no sangue do Cordeiro e vêm da grande tribulação. Testemunhar de Cristo com seu sangue é a marca mais segura da santidade. Mas, com ou sem sangue, todos deverão fazer de sua vida um pertencer a Cristo, para que possam ser chamados "santos", i.é, consagrados a Deus.
 
As orações insistem muito na intercessão dos santos. É um aspecto deste dia, que atinge muito a sensibilidade popular. É preciso fazer aqui um delicado trabalho de interpretação. Confiar em alguém como intercessor supõe sentir-se solidário (familiar) com ele. Será que vivemos como familiares destes intercessores? Será que cabemos na sua companhia?

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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