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São Paulo, 13/02/2012
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15/11/09 - 33º Domingo do Tempo Comum/Ano B
Evangelho Comentário Mensagem






“O Céu e a terra
passarão,
minhas palavras
não passarão”

Jesus vivia num ambiente marcado
pela efervescência apocalíptica.
Esperava-se o Messias, a intervenção
de Deus na História, o fim do mundo,
a era definitiva, a paz para Israel e o
mundo inteiro. E quem está esperando
o ônibus crê reconhecer em cada
veículo que aparece na curva o "seu
ônibus". Assim também os
contemporâneos e os discípulos de Jesus.
 
Repartindo em tudo a condição humana, menos o pecado, Jesus entra também no gênero literário das especulações apocalípticas (evangelho). Utiliza as imagens corriqueiras, fala dos cataclismos que anunciam "aqueles dias" como o brotar da figueira anuncia o verão. Jesus assume por sua conta a advertência de que a gente se deve preparar para o dia do Filho do Homem, que virá reunir os eleitos. Diz que tudo isso deve acontecer dentro em breve, ainda nesta geração (13,30). Mas isso é apenas o quadro literário daquilo que ele quer dizer mesmo. O fim dos tempos fica um mistério. Ninguém conhece o dia, nem a hora. Nem mesmo o próprio Jesus (13,32). Mas é certo que tudo o que existe é provisório e relativo, o céu e a terra, tudo (13,31). Uma coisa porém não é provisória e relativa, mas definitiva e decisiva: a palavra de Jesus.
 
Esta é a mensagem da liturgia de hoje. Muitas pessoas se iludem com especulações sobre uma terceira guerra mundial, uma revolução mundial ou seja lá o que for. Nosso tempo é tão apocalíptico quanto o de Jesus. Mas todas estas especulações passam ao lado do essencial: a palavra de Jesus no aqui-e-agora. Sua mensagem de conversão e de dedicação ao amor radical por nossos irmãos é o verdadeiro centro de nossa vida, o ponto de referência firme e inabalável. Dados à sua práxis, não precisamos temer os acontecimentos apocalípticos, pois não acrescentarão nada de novo. Ou seja, não é nos cataclismos cósmicos que está o acontecimento decisivo, mas na palavra do Cristo e sua realização em nós. Se acatamos essa Palavra e a pomos em prática, nossa vida já está nas mãos de Deus. Só precisamos então fazer com que isso se comunique a todos.
 
A 1a leitura nos conta como os apocalípticos antes de Jesus imaginavam os últimos dias (o livro de Dn é do séc. II a.c.). Os justos ressuscitarão para a vida eterna, os ímpios para a vergonha sem fim. A realidade decisiva não é aquela que se mostra aos nossos olhos. Dn foi escrito no tempo dos Macabeus, tempo da prepotência do ímpio rei sírio Antíoco Epífanes e dos colaboracionistas judaicos, traidores de seu povo e da Lei. Ensina que Deus sempre tem a última palavra sobre a História e a vida humana. Esta fé deve também ser nossa, para ficarmos fiéis à Palavra do Cristo, que é a de Deus, num mundo em que o abuso do poder e a sedução dos falsos valores são o pão de cada dia.

Poucos anos atrás, os teólogos progressistas preferiam não mais falar do fim dos tempos. Hoje vemos que o fim dos tempos ou, pelo menos, de nossa civilização é uma possibilidade real. Basta uma guerra nuclear. E a amontoação de agressividade no mundo parece preparar isso mesmo. Ao mesmo tempo, acreditamos menos nas belas utopias. Ficamos céticos diante da evolução do mundo e da sociedade. Porém, para o cristão, isso não pode ser uma razão de cruzar os braços. Ele tem uma razão de existir e de agir: a palavra de Cristo, que é uma utopia aqui e agora: a doação que nunca se dá por satisfeita. Fim de civilização ou não - isso não importa tanto para nós. Temos um programa que é sempre válido. E pode desabar o mundo, o que tivermos feito em obediência à palavra de Cristo é bem feito para sempre. Este é o mistério da alegria inesgotável do cristão.

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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