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São Paulo, 13/02/2012
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06/09/09 - 23º Domingo do Tempo Comum/Ano B
Evangelho Comentário Mensagem






A verdadeira religião
liberta o ser humano
do mal

No domingo passado, vimos Jesus
criticando as tradições humanas que
desviam a gente da verdadeira vontade
de Deus, o bem de seus filhos e filhas.
Agora, o evangelho mostra o exemplo do
próprio Jesus. Depois de ter dado à
mulher pagã as “migalhas” do pão dos
filhos, Jesus cura, na mesma região pagã
(a Decápole), um surdo-mudo, e o povo se
põe a clamar: “Tudo ele tem feito bem!” Com
isso, Jesus realiza o que o profeta Isaías
sonhou para o tempo do Messias: os olhos
dos cegos vão se abrir, abrem-se também os ouvidos dos surdos, os aleijados vão pular feito cabritos e a língua dos mudos entoará um cântico (1ª leitura). Convém lembrar aqui que os cegos e os coxos eram excluídos do templo.... A vinda do Messias transforma os excluídos – pagãos, coxos, cegos, aidéticos, favelados, presos – em filhos do Reino. Conforme Santo Irineu, a glória de Deus é que o ser humano tenha vida – e a vida do ser humano é contemplar Deus.... Trata-se de uma certeza fundamental de nossa fé: Deus deseja que todos e todas tenham vida. A religião é para o bem da humanidade.

Com certeza, todo mundo se declara de acordo com isso. Mas, muitas vezes, a religião é usada para dominar as pessoas, para que fiquem quietas e não protestem contra a exploração pelos poderosos (que querem até passar por bons cristãos)... Será isso promover a vida do ser humano? Dizem que os que sofrem serão recompensados na eternidade. Mas isso não justifica que se faça sofrer aqui na terra! Também a vida neste mundo pertence a Deus: é o aperitivo da vida eterna.

O Deus da Bíblia quer o bem das pessoas desde já. Pode existir doença, sofrimento, mas não é a última palavra. Somos chamados a participar com Deus no aperfeiçoamento da criação. Por isso, o povo saúda a chegada do Messias exclamando: “Tudo ele tem feito bem”.

Deus não pode servir para legitimar nenhuma opressão. A verdadeira religião liberta o ser humano do mal, também do mal político e econômico. Religião que pactua com a opressão não é a de Jesus. O cristianismo deve servir para o bem do ser humano: o bem de todos e do homem todo.

A religião serve para o bem de todos, eliminando exploração e discriminação (2ª leitura). Para dar chances a uma ordem melhor, provoca até revoluções, se as estruturas vigentes produzem desigualdade e injustiça. Pois a justiça é a exigência mínima do amor.

A religião serve para o bem do homem todo, para aquelas dimensões que facilmente são esquecidas: a integridade da vida (contra a tortura, a irresponsabilidade com a vida nova etc); a integridade do verdadeiro amor (contra a exploração erótica, o amor descartável etc), o crescimento espiritual (contra o imediatismo, o materialismo etc), o sentido último da vida (contra a mecanização e encobrimento da morte).

Para que o povo excluído possa exclamar: “Tudo ele tem feito bem”, muito ainda deve mudar na maneira de vivermos o ensinamento e o exemplo de Jesus!

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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