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São Paulo, 13/02/2012
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20/09/09 - 25º Domingo do Tempo Comum/Ano B
Evangelho Comentário Mensagem






Ser discípulo:
a humildade

A 2ª predição da Paixão (evangelho),
que forma o núcleo da liturgia de hoje,
tem um acento próprio. Enquanto a
primeira fala da rejeição pelas lideranças
religiosas, a segunda acentua o fato de
"o Filho do Homem ser entregue em
mãos humanas" (a terceira, mais
completa, acrescentará ainda sua
condenação à morte e extradição aos
pagãos). A 1ª leitura é bem escolhida,
no sentido de mostrar a inveja dos
homens ímpios contra o justo, que
considera Deus como seu pai.
(Mt 27,43 interpreta expressamente
a morte de Cristo a partir desta idéia,
presente também em Sl 22[21],9; Sb 2,18.)
A idéia da inveja da virtude do justo forma, assim, o laço que une as leituras de hoje: a 1ª leitura, a 2ª  leitura (os males da inveja) e o evangelho, que prolonga o anúncio da Paixão numa admoestação contra a ambição, o "pecado da comparação".
 
Atinge-se assim um nível fundamental, tanto do ponto de vista cristológico quanto antropológico. Pois o "pecado da comparação" não é outro senão o pecado de Adão, o pecado originante, presente em todo ser humano: não agüentar que alguém seja maior, querer ocupar o lugar de Deus. E o que Cristo vem cumprir (e anuncia nas predições da Paixão) é exatamente o contrário: o despojamento, a obediência até a morte. Neste contexto do homem velho, corrompido por sua inveja, Jesus aparece como o homem novo, completamente filho de Deus, realizando por sua obediência o que o orgulho de Adão tentou alcançar em vão: a condição divina.
 
A lição de humildade (Mc 9,33-37) completa, portanto, de modo adequado, o tema da Paixão de Jesus; não dilui a trágica realidade da cruz, nem a troca em miúdos para a vida cotidiana do cristão bem comportado ... A humildade não é a virtude do medroso, a carência transformada em virtude. É a opção pelo caminho do Cristo, o caminho da obediência até a morte por amor, contrariamente ao orgulho, que leva à morte absurda. Tg atribui toda a espécie de males ao orgulho e à ambição, e não sem razão. Não é o competicionismo uma forma de inveja que leva os homens a desarticular sempre mais a própria sociedade? Onde cada um quer ter e ser mais do que os outros, a ruína é inevitável.
 
O exemplo de Cristo nos ensina a escolher o caminho oposto. Olhar para os outros, sim, mas não para nos comparar com eles porém, para ver como servir melhor. Ser grande é ser o servo de todos. Até o mais pequeno merece ser acolhido como o próprio Senhor. Jesus toma, por exemplo, o acolhimento de uma criança. Coisa fácil? Quem é que não gosta de crianças? Todavia: 1) no tempo de Jesus a criança era de pouquíssimo
valor aos olhos da sociedade (só importava para os pais e familiares); 2) será que hoje, realmente, todas as crianças são bem-vindas?
 
Conclusão: para realizar o caminho de Jesus no dia-a-dia, impõe-se a humilde dedicação ao mais insignificante dentre os nossos irmãos. Dedicação humilde, não aquela falsa humildade que é o orgulho de quem não quer nada com nada, mas o encaminhamento de nossa vida no caminho da doação total, do "perder-se para realizar-se" (cf. dom. pass.).

A última frase do evangelho estabelece uma relação muito significativa: quem acolhe uma criança em nome de Jesus (i.é, por causa do que Jesus ensinou), acolhe Jesus mesmo (como Mestre, pois segue seu ensinamento). Mas quem acolhe Jesus (o Enviado), acolhe aquele que o enviou (Deus). Estamos a poucos passos da parábola do último juízo de Mt 25,31-46, onde o Rei e Juiz diz: "O que fizestes ao mínimo destes meus irmãos, a mim o fizestes". O serviço humilde ao último dos homens é o critério decisivo do ser cristão (o agir em nome de Cristo), mas também de toda a salvação.
A oração do dia prepara bem o espírito deste ensinamento: o amor a Deus e ao próximo, não dois amores, mas o primeiro encamando-se no segundo e o segundo encontrando seu critério no primeiro (para que a gente não se ame a si mesmo no próximo ... ).

Do livro "Liturgia Dominical", de Johan Konings, SJ, Editora Vozes

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