Província Franciscana da Imacula Conceição do Brasil
São Paulo, 09/09/2010
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Francisco, Francisco uma voz te chama:
Vem e segue-me!
Onde há trevas, leve a luz.
Na vida tudo passa:
            passa a fortuna;
            passa a miséria;
            passa o poder;
            passa a servidão;
            passa a ciência;
            passa o desconhecimento;
            passa a liberdade;
            passa a escravidão;
            passa a Catedral;
            passa o homem informe e vazio.
A humanidade toda se esvai.
            Tronos e impérios  vêm abaixo.
            Templos, castelos e fortalezas desaparecem.
            Muros e muralhas em pó se desfazem.
            Florestas e mares se apagam.

Passa a brisa;
passa o tufão ;
passa a primavera;
passam  todas as formas de vida;
passam  tiranos,dépotas e soberanos.
Culturas, raças, povos e línguas passam.
            Passam as flores;
            as borboletas;
            os pardais;
            a palavra;
            a poeira.
A honra e a glória passam.
Nada fica no mesmo lugar.
Ilhas e continentes submergem.
            Acorda Francisco!
            O tempo se move.
            A manhã se levanta.
            O sol nascendo.
            A noite das trevas iluminado.
Francisco, Francisco,a minha igreja de pedra caindo,minha igreja de gente em ruinas .
            Senhor, Senhor, que queres que eu      faça?
            Francisco, Francisco, o que é melhor::
            a Deus servir ou do mundo  escravo    ser?
            Francisco, o sol vai nascendo.
Onde há trevas leve a luz.
            Francisco uma voz te chama:
Vem e segue-me!
Francisco surdo mudo.
Francisco a vagar...
Devagar,
Na estrada sem direção.
Francisco desconhecido,
Francisco ninguém,
sem nome,
sem projeção,
Francisco recém-nascido,
Francisco menino,
Francisco Joãozinho,
Francisco caminho,
Francisco destino,
Mas, Francisco em gestação.
              Francisco adolescente,
              Francisco das serenatas e cantigas,
             Francisco jovem,
             altaneiro,
             nobre,
              ambicioso,
              todo poderoso,
             conquistador.
Francisco  da guerra,
do espírito  feudal,
da espada e da lança mortal.
Francisco da batalha,
Francisco da mortalha,
Francisco da pobreza mental..
Da pequenez medieval,
dos castelos,palácios,
das torres e fortificações.
            Francisco informe e vazio.
            Sem alma,
            Sem espírito,
            sem coração.
Mas Francisco em gestação.
   Francisco da prisão
   do cárcere de pedra,
   do cárcere escuro e frio.
Francisco da lança quebrada,
da couraça luzente,
da espada sem mão,
da cabeça sem tronco,
do inimigo ensangüentado,
morto e desfigurado
caído no chão.
            Não era ele também irmão?
            Pra que perguntar?
Francisco da armadura dourada
sem valor nenhum.
Francisco do deserto,
do mundo das trevas,
do mundo insano, injusto e cruel.
            Francisco altivo.
            Suserano,
            Francisco abastado
            herdeiro da casa paterna,
            da fortuna maldita,
            de tantos bens.
Quantos bens?
Que bens?...
Bens que a traça corrói,
que os ladrões carregam,
que o tempo consome.
            Francisco da outra batalha.
            da batalha interior.
            Francisco guerreiro,
            vassalo
            sem armas na mão.
Senhor, Senhor que queres que eu faça?
“Vá para Assis.
Reconstrói a minha igreja.”
de pedra e de gente.
Francisco obediente,
cavaleiro,
seresteiro,
precursor.
            Francisco em gestação.
Onde há ódio que eu leve o amor.
Francisco risonho,
cativo,
sonhador,
na outra margem,
mais perto,
do lado de cá.
Francisco de São Damião prisioneiro.
Agora simples pedreiro,
de tantos irmãos companheiro,
de Pedro,de Junípero,de Antonio,
de Frei Leão
            Francisco do pai Bernardone
            e da mãe Dona Pica,
            mas, na contramão.
            Sem ouro nem prata
            sem um tostão.
De pé descalço,.
De rua em rua.
De passo em passo.
De porta em porta
De casa em casa sem portão.
            Francisco da calçada
            sentado no chão,
            comendo migalhas,
            do abençoado pão.
            Bebendo água do ribeirinho,
            na concha da mão.
Francisco do pobre doente,
mendigo chagado,
por todos abandonado,
de Deus a grande revelação.
            Francisco sem ouro nem prata,
            sem nada na mão.
Francisco louco?
Francisco demente?
Pergunta o Cardeal.
E ele recebe a bênção papal.
            Francisco de volta,
            caminheiro,
            Francisco da fome,
            da esmola,
            da sede ardente.
            Francisco contente,
            Francisco sorridente,
            Vivendo sua paixão.
Francisco sem nada na mão.
            Francisco do tijolo,
            da reconstrução
            Francisco da chacota
            do espanto,
            Francisco do deboche,
            da compaixão,
            Francisco da humilhação,
            Francisco de tanta admiração.
            De tantas cantigas e serenatas.
Francisco do beijo e do abrço diferente.
Francisco da veste penitente.
            Onde há dúvidas, leve a fé.
Francisco todo diferente,
livre arauto cantor,
Francisco trovador,
Francisco de toda a gente,
Francisco sonhador.
            Francisco do presépio,
            da paz das alturas,
            do Cântico das Criaturas,
            do lobo de Gúbio,
            feroz e fraterno.
            Francisco do Alverne,
            Francisco de Clara,
            de Roma,
            da Idade Média,
            do Milênio Terceiro
            de todos os tempos,
            de todo mundo,
            do mundo inteiro.
Do Oriente e Ocidente,
Francisco dos arredores
dos Frades Menores,
            Francisco de Assis,
            Francisco de toda a gente,
            agora valente guerreiro,
            sem armas na mão,
Francisco perdido e achado,
aventureiro,
conquistado,
conquistador.
            Francisco sol nascente,
            Francisco das tapeçarias,
            das coisas preciosas,
            dos tempos de outrora,
            da mãe terra,
            da água pura,
            das estrelas cintilantes,
            de tantas flores,
            dos pássaros multicores,
            Francisco de  tantos amores,
            de tantos irmãos.
E agora,Francisco?
            despojado de tudo,
            Francisco agora sem eira nem beira.
            Frágil,
            poverelo,
            sereno,
            faminto,
            sedento.
            Se aquieta,como ave ante o vento.
Francisco leve,mudo,sol poente.
Prostrado,cego,
Seu rosto sem visão.
Sua face um clarão.
Dorme,Francisco.
É o último sono.
O corpo não lhe pertence mais.
Tudo é libertação.
Transformação.
Transfiguração.
            Francisco sem nada,
            sem nada nas mãos,
            sem coisas do mundo,
            sem a vida corporal,
            deitado no chão,
            sem rasteira vegetação,           
            como água do temporal..
Francisco assim se fez:
Nasceu.
Chegou.
Viveu.
Morreu.
Partiu.
Ficou.
            E agora, Francisco?
            O Mundo se iluminou,
            Porque a Deus tanto amou!
            Amém!

Frei Rui Depiné OFM
Capela São Roque
Piraquara – PR
outubro de 2007

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Liturgia Dominical
:: Cântico do Irmão Sol ::
"Altíssimo, onipotente, bom Senhor,
teus são o louvor, a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti, Altíssimo, são devidos;
e homem algum é digno
de te mencionar.
Louvado sejas, meu Senhor,
com todas as tuas criaturas,
especialmente o senhor irmão Sol,
que clareia o dia
e com sua luz nos alumia.
E ele é belo e radiante
com grande esplendor:
de ti, Altíssimo, é a imagem.
Louvado sejas, meu Senhor,
pela irmã Lua e as Estrelas,
que no céu formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão Vento,
pelo ar, ou nublado
ou sereno, e todo o tempo,
pelo qual às tuas criaturas dás sustento.
Louvado sejas, meu Senhor
pela irmã Água,
que é mui útil e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelo irmão Fogo
pelo qual iluminas a noite.
E ele é belo e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas, meu Senhor,
por nossa irmã a mãe Terra,
que nos sustenta e governa,
e produz frutos diversos
e coloridas flores e ervas.
Louvado sejas, meu Senhor,
pelos que perdoam por teu amor,
e suportam enfermidades e tribulações.
Bem-aventurados os que as sustentam em paz,
que por ti, Altíssimo, serão coroados.
Louvado sejas, meu Senhor,
por nossa irmã a Morte corporal,
da qual homem algum pode escapar.
Ai dos que morrerem em pecado mortal!
Felizes os que ela achar
conformes à tua santíssima vontade,
porque a morte Segunda não lhes fará mal!
Louvai e bendizei a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande humildade."
 
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