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O vermelho e o negro
RIO DE JANEIRO - Colar o rótulo de bom ou mau,
no fundo, é o ofício humano mais freqüente,
aberto diante de cada um de nós diariamente, ou
melhor, a cada minuto de nosso cotidiano. Se usamos aquela
camisa, se vamos ou não vamos a algum lugar, se
falamos ou se calamos, se comemos bife com fritas ou sem
elas, nos departamentos mais nobres e nos mais prosaicos,
não fazemos outra coisa a não ser navegar
entre aquilo que nos parece o bem ou o mal, o necessário
ou o supérfluo, o devo ou o não devo.
Foi o caso do cidadão que parou o carro na estrada
para tomar café e viu que, nos fundos do bar, havia
uma briga de galos. Habituado a jogar, quis fazer uma
aposta, mas não tinha elementos suficientes para
julgar os contendores, um galo vermelho e outro preto.
Tomou informações com um espectador que
lhe parecia entendido, perguntando qual era o galo bom.
- O preto, respondeu o sujeito, com a convicção
de quem era dono da verdade.
O sujeito jogou uma grana forte no galo preto e ficou
torcendo pelo contendor que lhe garantiram ser o bom.
Contendor que não correspondeu àquilo que
chamam de expectativas: foi devidamente surrado pelo galo
vermelho, e só não morreu porque o dono
jogou a toalha no ringue, tirando-o da luta.
Bem, só restava ao sujeito reclamar da informação
recebida.
- O senhor me fez perder dinheiro, dizendo que o galo
preto era o bom...
- Foi o que o senhor me perguntou. Agora, o malvado era
o vermelho...
Toda a disputa, seja religiosa, política, econômica,
esportiva, cultural ou científica, é resumida
nessa anedota, que me parece mais do que uma fábula,
mas um destino, uma decorrência da condição
humana.
Por coincidência, os galos da anedota compunham
o mesmo confronto que Stendhal colocou no seu romance
mais famoso: "O Vermelho e o Negro". A lição
é a mesma.
Extraído da "Folha de S. Paulo",
23 de junho de 2004
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"Altíssimo,
onipotente, bom
Senhor,
teus são o louvor,
a glória, a honra
e toda a bênção.
só a ti,
Altíssimo,
são devidos;
e homem algum é
digno
de te mencionar.
Louvado sejas,
meu Senhor,
com todas as tuas
criaturas,
especialmente o
senhor irmão
Sol, que
clareia o dia
e com sua luz
nos alumia.
E ele é belo
e radiante
com grande
esplendor:
de ti, Altíssimo,
é a imagem.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pela irmã Lua
e as Estrelas,
que no céu
formaste claras
e preciosas e belas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Vento,
pelo ar, ou
nublado
ou sereno,
e todo o tempo,
pelo qual
às tuas
criaturas dás
sustento.
Louvado sejas,
meu Senhor
pela irmã
Água,
que é mui
útil
e humilde
e preciosa e casta.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelo irmão
Fogo
pelo qual iluminas
a noite.
E ele é belo
e jucundo
e vigoroso e forte.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa
irmã
a mãe Terra,
que nos sustenta
e governa,
e produz frutos
diversos
e coloridas flores
e ervas.
Louvado sejas,
meu Senhor,
pelos que perdoam
por teu amor,
e suportam
enfermidades
e tribulações.
Bem-aventurados os
que as sustentam
em paz,
que por ti,
Altíssimo,
serão coroados.
Louvado sejas,
meu Senhor,
por nossa irmã
a Morte corporal,
da qual homem algum
pode escapar.
Ai dos que morrerem
em pecado mortal!
Felizes os que ela
achar
conformes à
tua santíssima
vontade,
porque a morte Segunda
não lhes
fará mal!
Louvai e bendizei
a meu Senhor,
e dai-lhe graças,
e servi-o com grande
humildade."
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