São Paulo, Brasil, 13/02/2012, 09:22
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02.12.08



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O passado de Antônia - Uma vida dedicada à Igreja

Pode parecer um chavão, mas a vida de Antônia Paschoal se confunde com a história da Paróquia São Francisco de Assis. Senão, vejamos: Antônia tem 88 anos de vida 9/5/1920) e a Paróquia vai completar, no próximo dia 25 de janeiro, 69 anos.

Lúcida, Antônia é um templo vivo e um pouco da história franciscana da Fraternidade que se instalou na Vila Clementino desde o final da década de 40. “Estou aqui desde a primeira missa, que Frei Afonso celebrou. Eu era criança e freqüentava a igreja da Saúde”, recorda Antônia, que nasceu na rua Diogo de Faria. Filha de italianos, é a quinta de seis irmãs. 

A inauguração da Paróquia São Francisco de Assis, há 68 anos, se deu num terreno e num prédio particular da Família Cruz, na rua Borges Lagoa (hoje número 1209).

A criação da nova paróquia aconteceu por sugestão de Dom José Gaspar da Fonseca e Silva. Ele pediu que os franciscanos entregassem à Cúria a Paróquia de Santa Rita. Frei Afonso Junges foi o primeiro frade a prestar assistência à nova paróquia, que foi desmembrada das Paróquias de Nossa Senhora da Saúde, Nossa Senhora Aparecida de Indianópolis e de Santa Genoveva. “Frei Afonso dormia e lavava roupa numa casa neste terreno”, diz Antônia.

Ela lembra que foi o sr. Abílio de Araújo Vieira que doou uma de suas casas aos frades, que foi reformada para servir como residência e atendimento paroquial em 1941. Mas Frei Afonso Junges adoeceu e voltou para o Convento São Francisco. Como seu auxiliar, Frei Honório Nache assumiu o trabalho pastoral. Ele era capelão do Hospital São Paulo e professor da Escola de Enfermagem da Paulista de Medicina na matéria de Ética Profissional, Psicologia e Religião.

No ano seguinte, no dia 24 de agosto, foi criada a residência franciscana, com Frei Honório sendo o primeiro guardião, embora os frades fizessem as refeições na Escola Paulista de Medicina, por iniciativa do seu diretor e professor dr. Guimarães Filho. Coube ao frei Honório, em 1942, fundar o Externato São Francisco de Assis, em uma construção, adaptada e cedida pelo paroquiano Abílio Araujo Vieira. O Externato São Francisco de Assis funcionou quase por 40 anos, ministrando o primário e o jardim de infância para as crianças do bairro.

Capela antiga da Vila

Outra São Paulo

A São Paulo que Antônia Paschoal conheceu como criança e jovem era totalmente diferente do que é hoje, especialmente a região da Vila Mariana e a Vila Clementino, onde nasceu Antônia e foi construída a Igreja São Francisco.

“Não havia a avenida 23 de Maio. Ali era um vale, onde passava um rio. Aliás, na rua Estado de Israel também era um rio que vinha de longe. O bairro não tinha prédios e as ruas eram de terra, com muitas chácaras. E muitas plantações e goiabeiras, que eu gostava de pegar goiabas”, recorda Antônia, que desde muito jovem começou a trabalhar. “Meu primeiro emprego foi na Chocolates Lacta, que ficava na Rua José Antonio Coelho, no alto da ladeira, na Vila Mariana”, conta Antônia. “Minhas irmãs já trabalhavam lá”, acrescenta. “Para conseguir alguns trocados, trabalhávamos em casa também, embrulhando as balas. Trazíamos latas e latas, de 20 e 30 quilos, nas costas”.

Neste começo da paróquia, no ano de 1941, Frei Honório fundou as seguintes associações: Apostolado da Oração do Sagrado Coração de Jesus, com 34 associadas, no dia 1º de agosto; Pia União das Filhas de Maria, com 35 congregadas, no dia 15 de agosto; Liga Maria Jesus José, com 16 catequistas; e Congregação Mariana, com 26 congregados, no dia 8 de dezembro. Antônia esteve entre as primeiras fundadoras das Filhas de Maria. “Mas eu freqüentava uma reunião e faltava duas para não ser desligada. Eu era jovem, um brotinho ainda, e queria ir ao cinema e namorar”, alegra-se ao falar deste tempo. E ri ao dizer: “As presidentes das Filhas de Maria, eram muito enérgicas. Me queriam muito bem, mas falavam que eu era a ovelha negra”.

Solteira, só mais tarde, quando se aposentou, Antônia passou a se dedicar mais ao
trabalho na paróquia: “Infelizmente me aposentei com menos de 35 anos de trabalho, senão poderia receber uma aposentadoria melhor”, lamentou demonstrando dificuldades para lembrar com quantos anos se aposentou. “Deve ser aos 46 ou 56 anos”.

Segundo Antônia, quando Frei Tadeu veio para a Vila, ela ficava observando ele fechar a igreja e via que, por causa da idade, tinha dificuldades. “Então perguntei a ele: ‘você não quer que eu feche a igreja, assim poderá descansar’. Ele disse: ‘você pode fazer isso para mim?’. Ele me deu a chave, eu abria a igreja de manhã, depois fechava no almoço e depois abria à tarde até à noite”,  recordou. A partir dessa época, Antônia ajudava na sacristia e levava os livros de Batismo e Casamento para a Cúria.

Um grande momento

Em abril de 1949, a planta da matriz feita pelo engenheiro Dr. John Burke foi aprovada pelo Definitório provincial e pelo Cardeal de São Paulo. Após a missa de Ano Novo, Frei Felisberto Inhorst - que assumiu em 1948 -, mudou-se para a nova casa paroquial, dando início à arrecadação de dinheiro para a construção da nova matriz. No dia 5 de junho deste ano foi lançada, com grande solenidade a bênção da pedra fundamental da nova Matriz de São Francisco de Assis.

Interior da antiga Capela da Vila

Antônia Paschoal conheceu muitos frades da Província e viu a inauguração da igreja atual, um dos momentos mais bonitos vividos na paróquia. “Foi uma bonita festa, o bispo veio com toda a pompa”. No dia 6 de outubro de 1957, na missa dominical das 18h30, foi feita a entronização da imagem de São Francisco de Assis em seu nicho. A Imagem mede 3 metros de altura e a cruz 4m30. A imagem foi doada pelo Sr. Mario Aguiar de Abreu .

No dia 30 de novembro de 1958, domingo, foi solenemente inaugurado o altar dos 26 mártires japoneses de Nagasaki. Neste ano, ficava pronta a segunda torre.
Esta data marca simbolicamente o nascimento da Comunidade Católica Nipo-Brasileira nesta paróquia, com celebração de uma missa mensal em japonês, sob orientação espiritual de Frei Bonifácio Dux, missionário franciscano que chegou ao Brasil em 1927 e faleceu em março de 1960. Atualmente, as missas em japonês são celebradas às 10h15 no segundo e quarto domingos de cada mês, sempre presididas por Frei Alécio Broering.

Antônia diz que a Pastoral da Imigração Japonesa – Panib – teve grande impulso com Dom Lino Vombommel e Frei Alécio. “A Vila não tinha tantos moradores japoneses”, garante. 

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