São Paulo, Brasil, 25/05/2012, 00:10
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02.12.08



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Por Frei Régis R. Daher e Moacir Beggo
A Ordem dos Frades Menores terá mais uma “Irmã Jacoba”. No dia 7 de dezembro, véspera da Solenidade da Imaculada Conceição do Brasil, Padroeira desta Província, a paulistana Antônia Paschoal será filiada à Primeira Ordem, ou seja, a Ordem dos Frades (a segunda é das clarissas e a terceira reúne os seculares, casados e solteiros). Este momento simbólico da Ordem Franciscana será realizado na Paróquia São Francisco de Assis, durante a celebração eucarística das 11h30.

Esta afiliação é uma homenagem que a Província da Imaculada Conceição faz a Antônia pelos serviços prestados por mais de 50 anos aos frades e à Paróquia São Francisco de Assis. Neste dia, Antônia Paschoal vai receber da Cúria Geral Franciscana um diploma oficializando esta filiação, com os seguintes dizeres: “À prezada irmã no Senhor, Sra. Antônia Paschoal, querida e estimada por todos os frades da Província Franciscana da Imaculada Conceição do Brasil. Com sentimentos de gratidão por seu testemunho de vida abnegada, silenciosa e fiel, com enorme dedicação e absoluta discrição, por mais de 70 anos, ao cuidado dos frades da Fraternidade Franciscana e ao serviço da Paróquia São Francisco de Assis na Vila Clementino, em São Paulo, lhe concedo a afiliação à Ordem dos Frades Menores. Com a proteção de Maria Imaculada, Mãe de Deus, e pela intercessão de São Francisco de Assis, invoco sobre você a bênção de Deus Altíssimo”, assina Frei José Rodríguez Carballo, Ministro Geral da Ordem dos Frades Menores.

Diploma de afiliação

Antônia Paschoal se junta a outros cinco leigos que foram filiados à Primeira Ordem pela Província da Imaculada Conceição: Olga Barone, Léa Surian e Ary de Carvalho (falecidos) e Alice da Silva Ramos e João Carlos de Viglio.

Discreta, de pouca conversa, Antônia resistiu muito para falar sobre esta homenagem. “Estou embananada”, disse, explicando melhor: “A verdade é que não gosto de homenagens, ou melhor, não gosto de ser o centro das atenções”, disse. “Penso assim: o que vale é fazer tudo com muito carinho, amor e desinteressadamente. O que a gente sente, guarda dentro da gente. Toda a vida eu fui assim”, esclareceu.

O pároco da Igreja São Francisco, Frei Djalmo Fuck, foi o grande mentor da homenagem. “Uma coisa que dissemos quando foi feito o pedido de afiliação - o Frei Régis lembra disso -,  é o carinho que Antônia tem pelos freis, o cuidado pela igreja, a fidelidade no trabalho e, sobretudo, pelo fato de estar junto com os freis há tanto tempo, a sua discrição”, explica Frei Djalmo.

“Uma vez eu perguntei: ‘Antônia, você deve saber muitas coisas aqui da paróquia, dos freis, já que conheceu muitos?’. Ela me disse: ‘Eu só conto as coisas boas e algumas delas, nem todas’. Eu nunca vi a Antônia fazer algum comentário negativo do passado sobre algum frade, ou alguma coisa que desabonasse o trabalho da paróquia. Ou uma crítica azeda. Nunca falou nada. Ela sempre levou uma vida em silêncio”, complementou Frei Djalmo.

No seu trabalho na Paróquia São Francisco, Antônia foi Marta e foi Maria.  A Marta da sacristia, trabalhando em silêncio, também é Maria. “Por exemplo, se o sr. falar assim para mim: ‘vamos a um banquete?’ e eu vou ter que perder a missa, prefiro ir à missa e perder o banquete”, ensina.

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